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Você perdoaria seu pai?

 

Por Sarah Tempesta

 

Perdoar o próprio pai, o pai biológico ou adotivo … pai!

A visão ocidental do pai do paternalismo familiar judaico – cristão, constrói de geração a geração, toda uma sociedade voltada ao respeito e obediência aos pais, o pai e mãe!

A Igreja católica fez o pai mais que perfeito, pai de Jesus e esposo compreensivo de Maria, esta engravidou virgem. Sim José o pai de Jesus era bem compreensivo…

O perdão tornou-se uma instituição na época da inquisição na Idade Média, você era digno de perdão dos reis e rainhas caso delatasse seus amigos bruxos que certamente pós delação não premiada, os bruxos delatados iriam para a fogueira ou onde fosse conveniente para os inquisitores.

A partir disso, o “perdão”, tornou-se mercadoria. Pessoas ligadas a nobreza isso também na famigerada Idade Média, transforma-se em moeda de troca ou seja, eu resolvo lá aquele perdão de sua divida com o barão qualquer e você me paga logo ali.

E isso é até hoje!

Mas perdoar o seu pai , é possível? Distante dos rituais hipócritas da sociedade da moeda do “está tudo bem entre nós, desde que você se sinta eternamente culpado!”.

Os nossos pais, são seres humanos comuns e uma vida por vezes extremamente carregada de culpas e contas a pagar, são seres passíveis mais de erros do que acertos.

Mas a mesma sociedade que fere o filho com dogmas de regras de comportamento, também escravizou nossos pais, no sentido que eles são sempre o “muro”, e os filhos ficam em cima do muro!

Vendo e revendo o filme, Aqui é o meu lugar! Do cineasta Paolo Sorrentino, repensei e refleti sobre a figura do pai.

Sim, perdoar nossos pais é uma das delicadezas mais sinceras das pessoas.

O filme retrata isso em um tecido delicado cheio de situações de auto cobrança e nos remete a personagens tão complexos que até parece a vida real.

Pena que no filme o perdão veio pós a morte do pai do protagonista, o filme não é um clichê. É uma obra prima do cinema que nos faz querer ficar perto de nossos pais para todo o sempre!

Os pais cometem alguns erros, não é fácil ser filho, mas olhar nossos pais como raiz, chão, porto seguro e perdoar … é muita felicidade, e não é hipócrita, nós filhos também podemos nos sacrificar pelos nossos pais e esquecer o que nos foi imposto pela sociedade de que os pais são perfeitos e responsáveis por nossas escolhas, não eles são somente os nossos pais que nos amam de maneira errada ou certa, mas amam!

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