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Uru-eu-wau-wau

A Terra Indígena Uru-eu-wau-wau/Parque Nacional de Pacaas Novos é responsável pela maior biodiversidade de Rondônia e nascente dos 17 principais rios do Estado, além disso é onde vivem os povos indígenas Jupau (Uru-eu-wau- wau), Amondawa, Oro Towati (Oro In) e três grupos de povos isolados, ainda sem contato com a sociedade brasileira.

Quando se observa essa apresentação de forma isolada, poderíamos estar cheios de orgulho, porém, historicamente os Jupau desde os anos de 1910 tem lutado contra os invasores de suas terras, que vieram para destruir a floresta. Se formos traçar uma linha histórica de lutas, os guerreiros Uru-eu-wau-wau, os Amondawa e os Oro In demonstrariam a força da resistência dos povos da floresta contra a destruição dos valores ancestrais, muitas vezes buscando no isolamento e na tradição, sua mais importante arma de resistência. A terra Uru-eu-wau-wau foi demarcada em 1991. Porém, a ganância dos madeireiros, grileiros e todos os que lucram com a derrubada desenfreada das arvores, os garimpeiros, e todos aqueles que acreditam que só se pode extrair da terra tudo e que o futuro não é importante, e que o respeito a mãe não é mais importante que o dinheiro no bolso, tem matado, matado a bala, matado a pauladas, matado culturalmente, matado religiosamente, matado por gripe e hoje pelo COVID-19.

A Associação do Povo Indígena Uru-eu-Wau-Wau e a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé já abriram denúncias e clamaram por socorro. A Fundação Nacional do Índio (Funai), orgão responsável pela proteção do território e dos indígenas, encontra-se sucateada e sem recursos humanos e equipamentos para atuar na defesa da integridade física e territorial do povo indígena, e esse processo de sucateamento não é de responsabilidade de um governo, mas de seus antecessores também, porém neste ganhou o apoio público do Presidente da República e de seu Ministro do Meio Ambiente, que não terão seus nomes colocados aqui, estamos em 2020 e sabemos que são, e suas almas atreladas a seus nomes não precisam passar por perto do Povos Indígenas, para não transmitir mais doenças, como a doença do ódio e a da destruição.

Ari Uru-eu-wau-wau em destaque

Em abril de 2020, Ari Uru-eu-wau-wau de 32 anos foi assassinado, agredido na cabeça, ele era vigilante no município de Jaru (RO) e estava recebendo ameaças dos invasores das terras indígenas, ao iniciar o ritual de sepultamente, seu pai Mboakara Uru-eu-wau-wau encontrou dois invasores armados muito próximos, teve a tristeza invadida e com ajuda, conseguiram capturar e amarrar os invasores até as autoridades chegarem.

A presença de invasores em áreas indígenas tornou-se um motivo maior de preocupação devido à pandemia do coronavírus, pois eleva ainda mais o risco de transmissão do vírus. Os povos originários são considerados especialmente vulneráveis à pandemia por conta de costumes que tendem a facilitar a disseminação de doenças respiratórias e da ausência de hospitais em seus territórios.

Ainda não se tem respostas e as invasões continuam a corroer a floresta nas terras Uru-eu-wau-wau.

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Global Sustentável

Farmacêutico-Bioquímico, consultor em organização de sistemas da qualidade, P&D&I, sustentabilista, protetor de gatos, escritor, e curioso oficial

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