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Unindo a esquerda por um Rio de todos.

Por Samuel Marques

O PRIMEIRO ENCONTRO

Foto Primeiro encontro

No caótico trânsito do Rio ainda conversávamos com uma certa desconfiança do encontro que estávamos a caminho. Falávamos sobre a conjuntura política do Rio e Nacional, e a cada momento mais céticos sobre o cenário. Mesmo tendo que descer do carro para abastecer, a conversa continua no mesmo tom, o que seria uma união? Mais 10 quilômetros, e nada mudava. Uma pausa para contemplar a entrada da Rocinha e o símbolo de uma guerra diante de uma intervenção mentirosa. Poucos minutos, e tínhamos chegado. O número estava certo, e as vozes vindas do local confirmavam isso. Em minha vida política, poucas vezes tive o prazer de conhecer pessoas tão honradas quanto Luiz Eduardo Soares e Miriam Krenzinger , e com esse espírito, eu e Thiago Campos adentramos o recinto e fomos recebidos de uma forma ímpar. Já na sala alguns amigos de longas lutas, como o Professor e ex vereador do Rio, o combativo Jefferson Moura e sua esposa Ana Paula. Logo, outros companheiros chegaram, como Maria Bonita, Samuel Braum, Geowana Cambrone, Márcia Tiburi, Fabíola, Rudolph, Ivana, Carlos Davis e tantos outros. Com o local cheio, e todos os cantos se achavam repletos de pessoas. Começamos o debate que, a princípio, deixou claro a necessidade de uma união dos partidos de esquerda em torno de um projeto que inclua todo o Rio de Janeiro. Um projeto que contenha uma marca básica, que alia transparência e comprometimento com a coisa pública. Essa aliança precisaria estar clara na cabeça de todos, e envolvia a necessidade de candidaturas ao legislativo genuinamente progressistas e uma candidatura ao Executivo Estadual que representasse o anseio da população fluminense. Muitos discursos, incluindo o meu, destacavam também a discussão dessa união em âmbito nacional; mas é claro, e óbvio, que o campo de nosso debate era visivelmente o Estado do Rio e sua desesperança. Muitos foram os pontos tocados para se chegar a essa conclusão, que vai da falência econômica, protagonizada pelos caciques MDBistas e hoje residentes de Gericinó, ao assassinato brutal de Marielle Franco e Anderson Silva. Mas todos os discursos chegaram a um tom único, o cerne de uma união pensando em um Rio de forma responsável e conectada com todos os seus protagonistas, um Rio tolerante, vivo e que pode ser a força propulsora de esperança para todo Brasil.

Ao voltar para casa, nossa conversa não tinha a desconfiança como tema, mas já falávamos de um futuro, ainda assim, distante. Mas os quilômetros seguintes foram leves e com sentido.

 

O SEGUNDO ENCONTRO

Foto Segundo encontro

Neste segundo encontro o teor era outro. As pessoas já se conheciam e os trabalhos nos bastidores já estavam a todo vapor. A unidade não era mais uma ideia mas um plano a ser posto em execução. Os partidos foram convidados e enviaram representantes. Não se tratava de uma reunião pura e simples, desde o início conseguia-se perceber o quanto o primeiro encontro estava presente com sua continuidade apresentada. Em relação aos partidos, compareceram o PT, PC do B, PSB, PDT e Psol, ou seja, todos os partidos convidados. Pelo Partido dos Trabalhadores esteve presenta nada mais, nada menos que o Presidente Estadual Washington Quaquá, que deixou claro a disposição do partido em relação as conversas a unidade. Pelo PC do B, estavam presentes a Deputada Federal Jandira Feghali que falou sobre os pontos que unem esse debate e o Vereador, pré candidato a Governador no Rio de Janeiro, Leonardo Giordano que também fez uma bela fala ao analisar o cenário atual do Rio de Janeiro. Pelo PSB, o Presidente Estadual e Deputado Federal Alessandro Molon e o Deputado Estadual e vice presidente da legenda no Rio, Carlos Minc. Molon aproveitou sua fala para ressaltar a importância dessa reunião e da pretensa união, e como é importante querer vencer. Carlos Minc lembrou os desafios pela frente em um Rio tão fora de plumo. Pelo PDT o lendário trabalhista Trajano Ribeiro ressaltou a importância desse passo histórico e a vontade do PDT de embarcar nesse projeto. Pelo Psol o membro da Executiva Estadual Marcelo Biar disse o quanto é importante o debate. Vários outros membros dos partidos acima citados estavam no local, e  muitos foram chegando na medida em que a reunião acontecia e suas vozes eram ouvidas. Em cada discurso e fala dos presentes, ficava claro que apesar de todos os esforços para uma união, o ponto crucial para o sucesso viria da disposição apresentada por cada partido.

Uma fala me chamou muito a atenção porque representou claramente o que penso. Márcia Tiburi apresentou em sua retórica a proposta de nos despirmos dos egos e das guerras decorrentes a ele pois, a unidade era maior do que isso. A minha fala foi nesse propósito refletindo o quanto nossas bandeiras nos unem muito mais do que separam e quanto as muitas vitórias obtidas pela esquerda foram importantes para o Brasil.

Após o término da reunião a sensação de que as movimentações aconteceriam já estava no ar, e de fato ocorreram. PDT e PC do B abriram um canal de diálogo interessantíssimo reforçando em suas conversas aquilo que foi falado no último encontro. O PSB tem conversado com todos afim de abrir as portas necessárias para essa união. O PT internamente tem feito a mesma coisa. Nos dois encontros, uma coisa não ocorreu: a indicação de nomes. Deixamos isso claro desde o início até porque, o momento não era esse, e em nenhuma das duas reuniões isso foi alvo de debate. Claro que os partidos tem seus nomes, e isso é importante mas PT, PC do B, PDT e PSB, este último sem pré candidato, se colocam a disposição de chegar até o ponto de debater nomes, o que nos traz implicitamente a noção de que as etapas anteriores a isso serão vencidas.

O que a esquerda precisa, e não só no Rio, é se reconectar com a população, a base de tudo. Esse papel na verdade é a grande queixa da sociedade em relação a classe política. Mas ninguém pode fazer melhor isso do que a esquerda porque ela vem do povo  e tem suas lutas voltadas para o povo. A direita tem em seu foco, si mesma, pautando para isso a luta contra a esquerda. A esquerda, porém, pode e deve pautar as pessoas porque só com elas poderemos construir um Rio de Janeiro de todos.

Os bastidores dessa união continuam ativos e logo novidades virão. Enquanto isso, com muito trabalho, não fugiremos dos debates e nem viraremos papagaios de frases feitas, ou buscadores de soluções fáceis. Continuaremos buscando a unidade de camaradas e companheiros, trabalhistas e socialistas, de cariocas e brasileiros.

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Samuel Marques

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Samuel Marques
Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

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