Cultura de Direitos

Um Projeto me alimenta a alma!

Silvina Leal Miyata é professora e desenvolve um Projeto Educacional muito agregador!
Confira a entrevista que ela generosamente concedeu ao nosso Colunista Rafael Santos.

Eu tenho um Projeto que me alimenta a alma! Por Silvina Leal Miyata

É um desafio falar de si mesma, mas vamos lá!!Eu sou a Silvina Leal Miyata, tenho minhas convicções que se pautam na existência do Criador, o Senhor dos Universos, na capacidade infinita de todos os seres humanos, pois creio que dentro de nós está alojado o infinito, quando despertos e atentos para o seu papel a desempenhar no mundo, acredito que as “deficiências” podem se tornar, com muita disciplina, hábito, determinação, esforço e superação, em eficiências e competências. Amo a natureza, adoro conhecer gente e novos assuntos, gosto de estudar, ler, ouvir música.
Minhas utopias atuais são desafiadoras, não me deixar levar pelo atual contexto histórico e me manter firme acreditando num país e num mundo melhor, ter êxito nos cursos de Esperanto e Libras, trabalhar numa escola no estilo/molde da Escola da Ponte idealizada pelo Prof Pacheco, conhecer Professores, principalmente, de Geografia de todos os continentes para trocar experiências e continuar estudando, talvez um Mestrado.
Eu fiz Matemática, Letras e me descobri na Geografia, sem nenhuma dúvida minha alma é de geógrafa! Eu cursei Matemática pois fui influenciada pelas minhas professoras dessa disciplina. Paralelamente, me encantei pela Literatura ao me deliciar com Guimarães Rosa, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Nélida Pinõn, Manoel de Barros e Mário Quintana.
E a Geografia me encantou através do seu objeto de estudo e as relações nele existentes, além dos aspectos humanos e naturais.
Sou Professora de Geografia das redes municipal, estadual e particular do Rio de Janeiro. Sou privilegiada pois trabalho no que gosto. Trabalho na E.M. Dom Pedro I, C.E. Olinto da Gama Botelho e Colégio e Curso Desafio. É um desafio e tanto!
Há três anos venho desenvolvendo um projeto que me alimenta a alma. Desenvolvo com as turmas do 9º ano, um ciclo de palestras para discussão sobre intolerâncias religiosas com o objetivo de estimular o conhecimento das diversas possibilidades religiosas, conhecer e respeitar o diferente para não discriminar e contribuir para o senso crítico. Levei a intenção de pôr em prática a possibilidade de dialogar com as turmas sobre o tema, e a Direção da Escola me permitiu realizá-lo. Tive a colaboração da Prof. de Língua Portuguesa Cristina Andriotti e de vários colegas da escola.
Dei o nome de Ciclo de Palestras sobre (In)Tolerâncias Religiosas e Práticas Afins, e contatei praticantes e estudiosos de religiões, de filosofias, de Yoga e Astrologia para falarem para as minhas turmas no primeiro momento, no segundo momento abrindo para as perguntas e curiosidades dos alunos e fechando com uma redação contendo as impressões e opiniões deles.
Tivemos a oportunidade de ouvir um pastor da igreja Metodista que é vizinha da escola, representantes do Budismo Nitiren e do Budismo Tibetano, da igreja Católica, do Candomblé, da igreja Messiânica, do Seicho-No-Ie, do Espiritismo conhecido como “Kardecismo”, do Judaísmo e do Islã, como também uma Professora de Yoga e uma astróloga. E neste ano, estamos aguardando a presença de um franciscano e de um pastor da Igreja gospel chamada Mananciais.
A maioria dos alunos são predominantemente católicos e evangélicos. Eles ficam surpresos com a existência de tantas religiões e filosofias, o desconhecimento é notório, mas a participação da grande maioria com perguntas e curiosidades fica evidente. Eles cercam os palestrantes com várias perguntas e sempre querem registrar com fotos. Na proposta não há lugar para proselitismo, mas informação para que possam pensar, refletir e descontruir as possíveis intolerâncias religiosas. Se as intolerâncias são aprendidas, construídas , penso que também possam ser descontruidas mediante esclarecimentos.
Percebo que a maioria dos alunos têm refletido sobre o tema intolerância religiosa através das suas redações, assim como pelos relatos dos demais colegas professores, como o caso da Profa. Bárbara de Língua Portuguesa (e praticante do Candomblé), contando que os próprios alunos lhe disseram que existia um preconceito em relação à sua religião, mas acabaram se convencendo de que era devido ao desconhecimento. Afinal, o mundo é plural!!!
É uma sensação indescritível observar os olhos curiosos, as inquietações com perguntas pertinentes e a posterior mudança de paradigma. Sustento que as intolerâncias religiosas nascem de um total desconhecimento, de uma repetição oral sem fundamentação que resultam em comportamentos inadmissíveis. Aprendi com a Seicho-No-Ie o seguinte “eu e o outro somos um, onde a unidade se desdobra em pluralidade e a pluralidade está contida na unidade.

Prof. Silvina Leal Miyata.

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