Educação

Pilares da Reflexão!

Por Mateus Ferreira

Pilares da Reflexão!

“Estamos no momento de decidir se vamos ganhar dinheiro com a produção agrícola ou se vamos ser apenas uma grande reserva legal de florestas do mundo”. O argumento é uma defesa, da então senadora Kátia Abreu, do novo código florestal sancionado em 2012, o código aprovado possui ações pendentes de julgamento no STF até hoje, que indicam dispositivos inconstitucionais. Sua indagação é direta, Somos convidados a decidir se desejamos lucrar com exportações ou se seremos uma grande reserva ambiental, uma escolha que se situa entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental.

O alargamento das fronteiras agrícolas é uma urgência que atende a uma agenda ambiciosa que colocaria o Brasil como maior produtor de alimentos no mundo e consolidaria sua posição como exportador de grãos e carnes. Invariavelmente, somos tentados a deduzir que a floresta está ocupando uma área de enorme potencial econômico agrícola e as leis antigas são muito restritivas, impedindo o progresso do país.

Somos apresentados à economia capitalista desde muito cedo, porém, a liberdade de possuir não é para todos. Diante do argumento da falta de dinheiro, “o cartão de crédito sempre é uma opção”, dizia eu, do alto dos meus conhecimentos infantis; “Mas o Cartão de Crédito também se paga”, ouvia; o brinquedo ficaria para depois. O mundo dos bens de consumo logo se apresenta e com ele a imposição: “Estudar para ser alguém na vida”. Sabemos que esse “alguém na vida” precisa ser um sujeito capaz de produzir para outros e adquirir coisas, um sujeito que possa se adequar ao mundo dentro de uma realidade econômica, deixando em segundo plano outros aspectos da vida.

A Educação institucional assume caráter político quando é generalista e desconsidera as diferenças sociais e culturais e ignora distinções individuais. Entusiastas políticos em cada mesa de bar defendem uma escola neutra que ensina moralidade e cidadania às crianças, talvez, influenciados pela Educação Moral e Cívica implementada durante a ditadura militar. A Escola também pode ensinar uma profissão para que os jovens não sejam vagabundos, diriam esses entusiastas, sem saber que esse pensamento foi difundido nos EUA durante o pós-guerra, onde o conhecimento prático passa a se tornar mais importante que o conhecimento teórico ou conhecimento “morto”, a educação universal passa a existir para trazer coesão social em um país de imigrantes. Professores com notório saber é o que precisamos, diria outro senhor sentado em uma mesa de bar, afinal a prática é o que importa. Conhecimentos sobre história podem ficar à margem e qualquer professor de humanas pode dar uma aula sobre sociologia. Trataremos todos como iguais e ignoraremos preconceitos e diferenças socioeconômicas e culturais, está reformado o Ensino Médio.

Retomamos a indagação inicial, lucrar ou defender o patrimônio ambiental da humanidade? “Façamos os dois” diria um conciliador. Duvido que seja possível no curto e médio prazo escolher pelos dois, o mercado não espera e as oportunidades financeiras passam. As discussões sobre as estratégias econômicas de um país frequentemente figuram apenas no plano econômico, ignorando fatores sociais ou ambientais. Força e dissuasão são utilizadas para expulsar populações do campo ou originárias das florestas, mas as ações de um Estado não se pautam apenas na força. A Escola institucional, como diria Paulo Freire, tem portanto, o objetivo de tornar os sujeitos produtivos para o mercado de trabalho, funcionando como um aparelho reprodutor de um projeto hegemônico de sociedade. Sujeitos formados nessa Escola terão dificuldade de perceber o opressor que vive dentro de si mesmo e terão sua capacidade de questionar os planos e estratégias econômicas de um país afetadas e ficará feliz com o PIB desde que ele cresça.

Ao passo que desejamos que as pessoas sejam preparadas para o mercado ainda no ensino médio, parecemos não dar tanta importância para o ensino superior e pesquisa. A Universidade Pública enfrenta constantes cortes de orçamento e a evasão de pesquisadores para outros países se aprofunda. Nos resignamos em permanecer como fornecedor de mão de obra barata e pouco qualificada e continuar sendo exportador de commodities e bens de consumo primários.

As novas gerações sempre trazem contigo a esperança da transformação, novos olhares que surgem sobre um mundo sempre envelhecido. A Educação libertadora não é aquela que interioriza o discurso do opressor mas que permite o surgimento da novidade. Dentro de cada geração existe o potencial da mudança e da renovação, um desejo revolucionário que desafia as antigas estruturas. Que o empenho na educação seja para criar e não para repetir, seja para inovar e não para se adequar ao mundo já estabelecido.

Mateus Ferreira: Colunista Global Sustentável, Especialista em Política e Sociedade.

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