Foto: Eliane de Castro
A intervenção humana que degrada o meio ambiente, intensificada nos últimos 50 anos no Brasil, agora ameaça cada vez mais a nossa sobrevivência e de nossos descendentes. Felizmente isso vem despertando muitos indivíduos para a luta socioambiental. É sabido que o impacto humano na natureza é mínimo em relação ao próprio movimento e de agir da Terra. O despertar de um vulcão, um terremoto, um furacão e inúmeros outros incidentes os quais em instantes devastam regiões inteiras. Contra essa atuação natural é mais difícil o controle, mas a crescente ação humana, colapsando o próprio habitat, essa sim precisa ter um fim.   
No centro do Brasil está o Cerrado, importante matriz ambiental com aspecto peculiar, por isso, chamado de ‘berço das águas’ ou ‘cumeeira’ do continente, pois alimenta importantes bacias hidrográficas. A área funciona como ‘grande caixa d’água’ das Américas. Segundo o antropólogo Altair Sales Barbosa no seu mais recente trabalho: “O Livro da Terra”, o armazenamento se deu na formação do que ele denomina de Sistema Biogeográfico do Cerrado a cerca de 45 milhões de anos. “É nessa época que o cerrado adquire suas feições atuais, cuja vegetação possui um sistema radicular complexo e começou a reter as águas das chuvas” (2018, p. 67).
Estamos sendo alertados acerca da morte de rios no Cerrado e entre vários Rios ameaçados, temos como exemplo o rio Araguaia que banha vários estados brasileiros e é ameaçado pela captação de água legal e ilegal. O recurso natural é utilizado para a irrigação de pastos e para a produção agrícola de commodities para a exportação. Dados disponíveis no portal da Agência Nacional de Águas (ANA) mostra que diariamente, apenas a retirada de água liberada é possível abastecer mais de quatro vezes a região metropolitana de Goiânia. Como consequência, o desvio do rio por meio da construção de canais e o desmatamento das matas de galerias, provocam o assoreamento dele e de seus afluentes, causando o definhamento rápido e destruição.  E assim, outros vários rios estão ameaçados e podem simplesmente desaparecer nos próximos anos.  
Podemos observar também o desafio nas cidades, onde pouca atenção é dispensada com os olhos d´água e os mananciais. Muitas construções são autorizadas pelo poder público comprometendo nascentes, lençóis freáticos e até o aquífero, por ocupar zonas de recargas.  
A ciência pressuponha que a Terra se sucumbirá em poucos bilhões de anos e não nos esquecemos dos acontecimentos naturais devastadores. Todavia, não podemos ater a esse argumento para utilizar ou eliminar todos os recursos finitos a nossa disposição apenas em benefício da atual geração, como se fosse à última e única. Vale ressaltar, que milhares de outras gerações habitaram aqui antes e não prejudicaram tanto o meio ambiente como os habitantes do tempo presente vem fazendo. A substituição e destruição da vegetação nativa, a degradação das zonas de recargas da “caixa d’água” e seu acelerado esvaziamento resultarão na escassez do recurso mais precioso para a vida na Terra. O que restará para a nossa sobrevivência e consequentemente garantir a posteridade da nossa e de outras espécies?    

Meirinalva Maria Pinto
Ativista, Coordenadora do Movimento Sos Cerrado
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