Se somos brasileiros, temos um pouco de tudo, tenho sangue indígena, suor negro, sorriso europeu, dentes, olhar e pele de multiplas cores.

Todo momento em que penso no momento em que vivemos e todo tipo de castrações e medos que nos impuseram, vejo o quanto fui roubado, hoje quase sem sonhos, percebo que no dia de hoje, nada a se comemorar, muito ainda temos que conquistar.

Mas como conter-se?

Hoje escrevo numa língua que não deveria ser a minha, fico envolto de amigos que possuem costumes que não deveriam ser o deles, num país onde pode-se encolher o governante se ele tem ou não tem uma religião que foi imposta, e por mais que se pense na resistência que o povo indígena teve, outros povos que aqui vieram, buscaram apenas apagar a história e a cultura, do pouco que restou, parece ter menos valor quando se descobre que a herança veio do índio (mesmo estando tão distante da Índia).

Os povos originais precisam ser celebrados, mas precisam mais ainda de ter direito a vida, que muitas vezes é ceifada por excessos de tentar transforma-los em brancos (como se todos aqui fossem brancos, talvez o termo invasor ou ocupante seja o mais adequado). Os povos originais precisam ter acesso aos meus direitos dos povos originais e ao mesmo tempo, devem ser protegidos em suas fragilidades, afinal de contas, nós é que estamos ocupando suas terras e não ao contrário.

Mas, quando penso nisso, lembro de outros povos que foram arrancados de suas terras (voluntariamente ou não) para aqui habitarem e com isso, trazer muita cultura, levar alguma riqueza (para aqueles que dominavam) e viver por aqui.

Quantos negros são mortos por dia mesmo?

Quantos orientais são confundidos, e vira tudo japonês?

Quantos arabes são vistos como homens bombas ou na versão televisiva, finalista de prêmio de TV, onde gente vira peixe no aquário ou ratinhos no labirinto, e todos nós, fetichistas, observamos atentamente cada passo dado, julgando-os como um ser divino?…

Quantos judeus se separam do restante dos arabes, apenas se auto intitulando como melhores que o restante, por força do divino, e por isso amplamente atacados pela turma do “outro lado”?

Quantos europêus, dos mais diferentes tipos, do conhecido por sua sensualidade ao conhecido por sua falta de inteligência?

Quantos hindus, esses sim índios, reconhecidos por sua cor de pele e aquele inglês indecifrável, que eles herdaram, mas que sua língua mãe permeneceu viva?

Quantas perguntas podem ser necessárias para que ao menos tenhamos o arrependimento de pensar que muito se perdeu e muito não tem como recuperar, mas poderemos pensar em novos finais?

 

Quantas?

 

 

 

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Global Sustentável

Farmacêutico-Bioquímico, consultor em organização de sistemas da qualidade, P&D&I, sustentabilista, protetor de gatos, escritor, e curioso oficial

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