Tabagismo: Quando o vício vira a única saída.

Por: Cristiano Ricardo

Todas as vezes que o assunto tabagismo entra em pauta, uma série
quase interminável de assuntos percorrem a minha mente, vou organizar
alguns destes assuntos para que percebam o quanto a sustentabilidade
pode estar atrelada a este polêmico assunto.

1 – O cultivo
Para obter uma elevada produtividade e resultados padronizados, a
cultura do fumo necessita de um elevado número de defensivos
agrícolas, e esses agrotóxicos abreviam a vida de homens e mulheres
que trabalham em seu cultivo.

2 – A fórmula
Para tornar o cigarro um produto comercialmente interessante aditivos
são inseridos ao cigarro, tornando-o mais agradável, o que faz com que
a experiência do fumo seja atraente para jovens, e esse acesso faz com
que novos públicos de fumantes sejam atraídos.

3 – A composição
O cigarro já possui uma série de substâncias prejudiciais, somadas aos
aditivos podem ser geradas novas substâncias com toxicidades pouco
conhecidas ou mesmo, não relatadas à comunidade científica e órgãos
regulatórios.

4 – O vício
Para se falar que uma pessoa está realmente viciada, ou não, existem
alguns mecanismos que podem auxiliar na retirada da pessoa do vício,
ou em alguns casos, impossibilidade de saída do vício, então temos os
seguintes vícios relacionados ao tabaco:
• Vício químico – vício das substâncias químicas presentes no cigarro,
em especial a nicotina
• Vício físico – vício para o ato de fumar, pode até ser do segurar do
cigarro, acender o cigarro ou ritual relacionado ao cigarro
• Vício psicológico – vício ligado as ações e torno do ato de fumar,
normalmente associado a ansiedade
Não existe cura para vício, o que existe é a substituição de um vício
prejudicial, por outro, menos prejudicial.

5 – Tempo
O cigarro tem condição de alterar o corpo do fumante ativo e do
fumante passivo, conforme tempo de exposição, número de vezes que há
contato com o fumo (relação direta com a intensidade do tabagismo).
O uso constante do cigarro faz com que o organismo se acostume com
esses compostos sendo adicionados através da via pulmonar, tanto no
fumante ativo quanto passivo estão expostos a estes compostos, uma vez
que se ligam a receptores específicos e que ao se retirar, o organismo
irá buscar um novo equilíbrio, neste caso em especial, o uso constante
por períodos superiores a trinta anos, é possível que exista risco de
ataques cardíacos, em alguns casos, prefere-se que a pessoa continue
no uso do cigarro que fazê-lo parar, a balança do risco-benefício pesa
a favor da continuidade do fumo.
Não é incomum ser necessário acompanhamento com antidepressivos em
tratamentos de retirada de vício, assim como da utilização de outras
estratégias para processo de substituição do vício.

É interessante lembrar que o cigarro é muito prejudicial, todos que
desejam parar precisam de apoio clínico e suporte, a redução do número
de novos fumantes deveria ser razão de atuação firme do governo, uma
vez que para as contas públicas, um grande número de fumantes causa
problemas no sistema único de saúde, deste suporte ao tratamento de
doenças como câncer de vias aéreas, DPOC (doença pulmonar obstrutiva
constritiva) e cardiopatias que impactam tanto em pacientes com
tratamentos contínuos, como nas emergências.
Quando a ANVISA buscou barrar a comercialização de aditivos em
cigarros a AGU impediu a ação, pois alegou que com a retirada de cerca
de 98% dos cigarros existentes no mercado brasileiro geraria impacto
econômico em diversas regiões do país bem como para a redução de
impostos recolhidos por este mercado.

Como melhorar esse quadro?

Alternativas podem ser estudadas, a limitação de novas formulações de
cigarros com aditivos que tornam os cigarros atraentes, tornar mais
rígido os limites de uso de defensivos agrícolas e plantações de fumo,
preparar profissionais da saúde para auxiliar aqueles que desejam
largar o vício do cigarro e daqueles que clinicamente não podem mais
sair do vício sem risco de ataques do coração.

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