Artigos Brasil Comunicação Sustentável Sociedade

Saudade não é verbo!

Saudade não é verbo!

Um dia de cada vez! É um clichê, mas necessário. Muitas pessoas precisam desse tal “um dia de cada vez…”, precisam todos aqueles que estão com suas vidas desorganizadas, seria fácil falar do sistema e o que o sistema faz com as pessoas, mas o que as pessoas fazem de suas vidas?

Por vezes somos tomados por egoísmo, nos colocamos como ativistas ou altruístas e indignados ficamos, mas é uma indignação muito confortável que se revela em falas, narrativas e teatralizações da realidade.

Dia desses, lembrei-me das mulheres que vivem nos presídios brasileiros, porque este ano foi lançado um livro de uma Professora da USP, revelando o abandono e solidão dessas mulheres que estão no cárcere. A autora do livro enfatiza o que todos nós já sabemos, mulheres em presídios são menos visitadas pelas famílias e amigos do que os homens que também estão encarcerados. Inexistente o juízo de valores no que diz respeito sobre o que leva uma pessoa ao extremo em uma vida e se colocar numa situação tão difícil que a de estar preso literalmente, o livro é muito pontual quando menciona que a sociedade se comove com homens presos e mulheres presas são abandonadas. É uma estatística devastadora, porque se é um horror ser mulher em uma sociedade aberta, imaginem uma mulher em regime fechado?

As instituições religiosas entram nos presídios com muita generosidade, e é admirável muitas pessoas que reservam um pouco ou muito do seu tempo para trabalhos voluntários nos presídios. Preso ou presa, é um ser humano, precisa de gente que acolha, precisa de religião, precisa de atendimento médico e educação, em muitos presídios tem escolas e cursos, mas comprovadamente a ressocialização pregada pelo sistema é árdua, ineficaz e desumana.

O tema é muito sério, e pouco discutido. A mídia mostra o crime, mas desidrata o recorte social. É muito importante tratar a nossa sociedade com atenção e pensar um sistema judiciário que proteja todas as pessoas, principalmente as mulheres presidiárias, pois muitas saem e não voltam para a casa, o sistema, as famílias e elas por vezes também não querem.

Pouco me aprofundo em literatura técnica sobre Segurança Pública, porque acredito que o sistema não é técnico e não é seguro!

Me lembrei do filme Carandiru, me pareceu um tanto novelístico. Uma narrativa emoldurada.

O desinteresse em mulheres presas é ressaltado até na falta de uma série televisiva ou filme. Nos chega então as possibilidades de um pouco de informação através da literatura.

Um dia de cada vez, para cada mulher que passa as quatro estações do ano, vendo a vida passar e nada mudar dentro de uma cela ou varrendo um pátio e cumprindo sua pena. Longe dos filhos, das suas casas e alimentando o coração de lembranças.

Um dia de cada vez para nós que estamos aqui fora, e que por um dia pensemos nessas mulheres, profundamente. Pensar é um ato político e transformador!

Somos capazes de reverberar a nossa reflexão do país que seria minimamente justo para todos nós!

O mundo seria um lugar seguro se a justiça ( palavra dura), igualdade e uma sociedade com educação e civilizadamente agregadora, nos tornasse a todos cidadãos “de bem”!

Saudade não é verbo!

Views All Time
Views All Time
571
Views Today
Views Today
1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *