Mundo Sustentabilidade

Religião, Meio Ambiente e Políticas Públicas: Diálogos Possíveis

Por: Felipe Pires

O Estado como concebemos hoje tem sua origem ligada a preceitos religiosos em que se justificava poder e representação através de concessões divinas. Ao longo do tempo e, principalmente, após as revoluções burguesas, a separação entre os entes eclesiásticos e estatais estiveram mais presentes na figura da laicidade.

Nessa linha, países como França e Bélgica, por exemplo, são marcadamente conhecidos pela rigidez na separação entre Estado e Igreja. O caso em que fica nítida essa questão é a proibição expressa por lei do uso do véu por alunos de escolas públicas.

Em relação ao meio ambiente, porém, é possível constatar a importância do elemento religioso no desenvolvimento de políticas públicas. No Brasil, as pastorais da terra, vinculadas à CNBB (Confederação dos Bispos do Brasil), há tempos lutam pela divisão mais justa e sustentável por uma reforma agrária com lideranças, dentre outras, como Chico Mendes e Dorothy Stang.

Em junho de 2015, o Vaticano publicou a Encíclica Laudato Si (Louvado Seja) em que o Papa Francisco propõe modelo de ecologia integral pautado nas obras de São Francisco de Assis que buscavam não separar “a natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior”.

De acordo com o Papa Francisco, preocupar-se com o meio ambiente passa pela conscientização de proteger “nossa casa comum”, tendo, ainda, condições de reverter o cenário de crise em que vivemos, mas sem desconsiderar a importância de acender sinal de alerta.

Essa importância dada a sustentabilidade não se resume a Igreja Católica. Segundo, Cláudio Maretti[1], representante da WWF no Programa Amazônia, cada religião mesmo que de forma diferente possui visão positiva da relação com a natureza. Nesse sentido, a instituição atua com diferentes lideranças religiosas pelo mundo de acordo com a necessidade local.

O diálogo possível entre políticas públicas ambientais e as religiões deve ser pautado sempre pelo reconhecimento da convergência de interesses. “A fé move montanhas” e, hoje em dia, também pode mover o mundo para um ambiente mais justo e sustentável!

[1] http://greensavers.sapo.pt/2013/07/30/como-a-religiao-pode-ajudar-a-preservar-a-natureza/

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