sanduíche Rebel Whopper
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Rango, comida, alimento, aquilo que caiu o raio gourmetizador

Esse post era sobre comida, mas depois passou por falar de rango, daí lembrei que existe alimento, mas um raio gourmetizador passou por aqui, gerou alguns seguidores e ficou sem saber para onde iria…

É bem esse mesmo o sentimento que tenho a fazer essa postagem, havia eu dito ao grupo de colunistas do Global Sustentável que iria falar sobre alimentação sustentável, porém, tenho o costume de fazer uma investigação antes de sentar e escrever, mas esse assunto dá tanto pano para manga que resolvi organizar de forma diferente as reflexões e dados que colocarei a seguir.

Vamos juntos?

Sabemos que as pessoas possuem relações distintas com os alimentos, para muitos eles são negócio atrelado a ciência, daí temos o pessoal da engenharia de alimentos, da tecnologia de alimentos, da nutrição, sendo esse último também ligados as relações de saúde ao consumo de alimentos. Quando completamos esse quadro, gostei de usar essa palavra ALIMENTO, pois para mim, fica mais fácil entender que essas pessoas vêem o que comemos como uma estrutura química, com características físicas distintas, e que com isso apresentam uma resposta biológica, com uma caracterização físico-química, alguns poderiam dizer que isso não é romântico, apesar de discordar profundamente por que de forma pessoal, acho lindo.

Daí temos toda uma legião de pessoas que trata tudo como rango, detalhes como a temperatura certa, a consistência, o cheiro, a cor, pouco ou nada importa, só a tal da palatabilidade (oops, esse nome não posso usar aqui, tinha que usar no paragrafo anterior…) só o tal do sabor é que importa (mesmo quem atua pensando em alimento insistindo que palatabilidade é a relação entre gosto e sabor, que para o pessoal do rango é tudo a mesma coisa, separando entre muito gostoso, delícia, gostoso, dá pra comer, só empurrando ou nem quero).

Daí chegamos na comida, tem as pessoas da COMIDA DE VERDADE, esses são muitas vezes radicais, acreditam que a única comida é aquela “natural”, inclusive alguns usam o fatídico termo “se é natural não faz mal”, daí temos pessoas queridíssimas, mas que podem se tornar tão radicais que podem ter um convívio complicado com outros grupos, mas esse grupo da comida é grande, dos orgânicos, dos carnistas, dos vegetarianos, dos veganos, dos frutívoros, dos que se alimentam de “comida viva”, até mesmo pessoas como a mais amada por (quase) todos Palmirinha Onofre, pessoas que sabem cozinhar incrivelmente bem, mas que não necessariamente sabem quais reações físico-químicas ocorrem na comida quando preparada.

E claro, não posso deixar de separar aqui (e por isso fiz questão de nomear a separação com nome no paragrafo anterior) temos os chefes de cozinha, alguns se chama de cozinheiros, mas que prometem não é um alimento, nem comida, muito menos um rango, mas uma experiência sensorial que levará você a passar pela Bifröst sem ajuda do Heimdall, chegar a terra dos deuses nórdicos e voltar para a terra, em cada garfada… e o preço não é o de um pacote da CVC.

Até então você talvez esteja se perguntando, mas qual o motivo da foto do Rebel Whopper (Burger King) está fazendo nessa mistura toda?

sanduíche Rebel Whopper
Rebel Whopper

Existem vários fatores que posso destacar neste sanduíche e no motivo dele estar no Global Sustentável, o primeiro dele está no comercial que o anuncia seu lançamento, como você pode ver a seguir:

Burger King | Novo Rebel Whopper

Em termos práticos, vou explicar que um time de cientistas da área de alimentos buscou uma base de vegetais para constituir a simulação de uma carne, atendendo ao pessoal que deseja ter acesso a uma comida vegetariana (não vou falar que vegana até ler como foi feito o pão!) daí no comercial, justou pessoas que claramente curtem um belo rango para ter sua opinião.

Fechamos a conta?

Na verdade, ainda não! Claro que como toda novidade, especialmente quando a inovação busca romper paradigmas, desagrada algumas pessoas, e isso é normal, porém, quando pensamos em sustentabilidade, há aspectos importantes nesse movimento do Burger King, vamos imaginar, por exemplo que um grupo de amigos que tem lá seu vegetariano (lembre-se, ainda não li sobre o pão), pode agora ir até um lugar e todos terem seu direito cultural a se alimentar sem que o vegetariano tenha apenas que filar a batata frita, isso depois de perguntar 10 vezes se não colocam banha no óleo, só nesse aspecto já é permitir que os diversos possam caminhar juntos.

Ainda não entro no aspecto da redução de consumo de carne, nem mesmo que agora eles podem fazer uma segunda sem carne, mas o caminho está aberto, e eles não mudam a cultura deles, a do sanduíche.

E como você pode querer que eles mudam a cultura deles, se você tem dificuldade de mudar a sua, já pensou nisso?

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