Sociedade

RACISMO INSTITUCIONAL MARCA DISPUTA AO SENADO NO RIO DE JANEIRO.

Por Samuel Marques

As eleições 2018 serão marcadas por muita coisa, disso não temos dúvidas, mas o Rio de Janeiro tem sempre a capacidade de nos surpreender. É aqui no rio que temos Eduardo Paes, Garotinho, Rodrigo Maia, Bolsonaro entre outros. Mas uma marca que já assola a eleição no Rio, para o Senado, sendo mais específico, é o racismo institucional.

Duas candidaturas ao Senado se apresentavam como novidades. Ivanir dos Santos (PPS) e Marcelo Monteiro (PPL). Ambos negros, com grande representatividade junto ao movimento negro e na defesa das religiões de matrizes africanas. Suas pautas exalavam tolerância e diálogo, e onde iam, de fato conseguiam passar essa mensagem. Irmãos e irmãs de vários lugares pelo estado começavam a se organizar, e muitos candidatos a deputação estadual e federal, orbitavam em torno dessas candidaturas. Mas em um país que ainda tem pessoas que aplaudem o racismo, justificando falas de presidenciável comparando negros a gado, nada pode de fato nos causar espanto.

Aos 48 do segundo tempo, com as candidaturas postas, uma característica dessa eleição começou a acontecer. Os acordos ficaram para serem fechados no último minuto, alguns já com atas assinadas, mas dando plenos poderes as executivas estaduais para fazerem o que bem entenderem. Nessa eleição, com a falta do poder aquisitivo, os desfechos das coligações ficaram cada dia mais tensas. O PPS de Ivanir foi para o lado de Eduardo Paes (DEM), e com César Maia Senador, “limaram”, a  candidatura de Ivanir, sem mais nem menos. A própria executiva do partido nem deu grandes explicações, de uma hora para a outra, acabou. O PPS já vislumbrava algo desse tipo, nos bastidores se falava que a agremiação vivia com o pires na mão, e que para se dar bem, faria o que fosse necessário, o que significa, qualquer acordo, que nesse caso envolveu a retirada da candidatura de Ivanir. Namorar com o PPS e seu já não tão novo pragmatismo, é um risco muito grande. É flertar com o inimigo, e só se faz isso, quando se tem total condição de superar os danos que com certeza acontecerão.

Marcelo Monteiro (PPL), era diferente. Tinha ido  para lá em um acordo que envolvia vários movimentos pelo país. No final o PPL, que namorou com Garotinho, fechou com o Romário, que não tinha de fato candidato ao Senado. Naquele momento, Romário tinha acabado de fechar com a Rede, de Miro Texeira, candidato ao Senado. Vale ressaltar que Miro estava passeando por convenções oferecendo o partido e Marina Silva como moeda, em busca de um bom acordo, para ele. Tinha até ido a convenção de Índio da Costa (PSD), que já dava como certa o acordo que envolveria a nominata estadual e federal, que tirando Bandeira de Mello, nada acrescenta a ninguém. Marcelo por sua vez tinha a sua candidatura, mas que esbarrava em uma exigência de Miro, que ao fechar com o Podemos de Romário, exigiu ser o único. Marcelo procurou Romário que deu o aval para a candidatura dele, já que esse ano são dois os votos para o Senado. Porém, e sempre tem um porém, dependia do Miro Texeira. Uma conversa resolvia tudo. Quem conhece Miro e a Rede, sabe quanto ambos não dão importância ao movimento Negro, que por muitas vezes tentou se organizar dentro do partido, sem sucesso. Muitos bravos companheiros tentaram, lutaram e foram acusados de estarem buscando o poder, vociferava uma candidata a suplente que mora no Leblon. Pois bem, através de umas interlocuções, Miro foi achado, e até hoje não atendeu Marcelo, que obviamente não é mais candidato.

Falar de preto e suas lutas não dá voto. Não é uma das prioridades dos partidos da zona sul. Fica bonitinho na boca de deputados do outro lado da poça, dizer defenderem o jovem negro, maior vítima da violência que assola nossa sociedade, mas temos que ter senso, e nos colocarmos em nosso lugar, uma coisa é ter o discurso, outra coisa é ter candidato negro. Sarcasmo a parte, a pauta do negro, da cultura negra, da religiosidade negra e da tolerância fica cada dia mais marginalizada e com menos espaço. Foi de fato, uma covardia, mais uma, de tantas, mas a luta precisa continuar.

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Samuel Marques

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Samuel Marques
Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

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