Por Samuel Marques

 

Em primeiro lugar, quero deixar claro que não votarei no Lula, tenho candidato, e declaro abertamente meu voto a Ciro Gomes. Por isso mesmo, me sinto muito a vontade para escrever o que vocês podem ler a seguir. E digo, que “podem”, porque ainda dá tempo de não ler.

As palavras abaixo não tem a intenção de dizer que o Lula é inocente, não vou defendê-lo, a proposta aqui é tentar fazer com que de maneira pedagógica se prove, nem que seja por constrangimento, o quanto a seletividade política, escancara que o Brasileiro em si, não é contra a corrupção e sim parte dela, e sua maneira de selecionar o ódio e a o dirigi-lo a alguém está inteiramente ligado a uma guerra social, de classes, se assim preferir.

A grande questão é: Porque o ódio a Lula não é o mesmo ódio aos outros? Vamos trabalhar com a ideia de que Lula é culpado, condenado e ponto. Seria ele o maior ladrão do Brasil? Seguramente não. Se fizermos uma pesquisa básica e usarmos como base o que temos até agora, o “Banestado”, aparece em todas as pesquisas como o segundo maior escândalo da história, o “mensalão” em nono, e o “Petrolão”, chamaremos assim, seria o primeiro, mas todos sabemos que não envolve apenas o PT, e sim uma divisão bem ampla do dinheiro desviado, envolvendo e muito PMDB, PSDB, PP e outros.Não temos base alguma para afirmar que Lula, sendo culpado, é o maior ladrão da história, ainda mais se tratando do crime que ele foi julgado e condenado, e repito, não discutirei o mérito. Se é ladrão, não é o maior da história, basta pesquisar.

Comecei falando desse “mito”, de maior ladrão da história para podermos ter uma ideia de que esse discurso, não justifica o ódio tão grandioso a Lula, se compararmos ao ódio que se tem por outros políticos. E quando cito esse “ódio”, uso como exemplo as manifestações de rua, de posicionamentos em redes sociais, e claro, conversas ao vivo, onde fica muito óbvio, claro, a ausência de ações de repulsa, indignação e luta incessante pela honestidade. Na verdade se compararmos todas as ações que as pessoas fazem contra Lula, e o PT de maneira geral, com a de outros partidos e personagens, o que vemos é uma seletividade de honestidade, e de posicionamentos.

Vamos a exemplos claros, e não vamos longe. Nos últimos doze meses, os noticiários foram inundados com escândalos do atual governo. E não podemos mais dizer que as coisas são culpa do PT, ele já não estava ,mais no governo, e deixo você livre para pensar, que o Impeachment foi necessário, porque começaríamos ali uma limpeza da política do país, onde entra o discurso: “primeiro tiramos a Dilma”. Sua indignação que o levou a apoiar o Impeachment estava expressado em cada postagem no facebook, em cada compartilhar no WhatsApp e em cada conversa de esquina. Com o fim do processo e Dilma fora do poder, o novo Presidente, em menos de um ano tem dois processos de cassação passando pelo Congresso, onde por duas vezes, o mesmo processo não foi a frente porque debaixo do seu nariz, Temer distribuiu cargos e muita emenda orçamentária, ou seja, dinheiro, para não ter problemas. Onde você estava? Quais eram suas posições na internet? E se houve posicionamentos e postagens indignadas, me diga com verdade, era com a mesma intensidade dos tempos de Dilma? As manifestações contra Dilma aconteceram em muitos lugares do Brasil, e nenhuma violência foi praticada por parte do governo, o que já derruba outro mito, o que diz que Dilma e PT queriam transformar o Brasil em uma Venezuela. Se fosse assim, essas manifestações teriam que ter sido reprimidas, e foram? Claro que não. Mas as manifestações aconteceram, e as pessoas nas ruas diziam que era por um país justo e livre de corrupção. Ora, justificável, nada contra, mas quando Temer foi pego em gravações deixando claro que o silêncio de seu aliado Eduardo Cunha teria que continuar, em troca de valores financeiros pagos por Joesley, você estava onde? Nas ruas? Quando Aécio foi pego em gravação pedindo, e depois recebendo dinheiro, e dizendo que o esquema tinha que ser com o primo, porque seria mais fácil de matar, você estava nas ruas? Quando Temer editou uma medida para ajudar os amigos você foi para a rua? Se manifestou na internet? Quando Gedel foi pego com R$ 51 milhões de reais em casa, você se manifestou de que jeito? Quando Lula foi indicado para Ministro, as redes sociais vieram abaixo, dizendo que isso era um absurdo, eu inclusive disse que era ruim, mas quando Temer indicou 8 ministros investigados, você postou o que? Lula não poderia ser Ministro, e se bateu palma para o STF que proibiu, mas Moreira Franco pode? Porque? E mesmo que você diga agora que se manifesta, que se indigna, sejamos sinceros, é verdade? A intensidade é a mesma? As palavras são as mesmas? Afinal, são todos bandidos, ladrões, porque postar mais de um do que do outro?

A grande questão em pauta é que o ódio a Lula e ao PT, o anti Petismo, é nada mais do que a negação de uma fatia da população, influenciada por uma mídia que tenta manter sempre seus interesses, de que algo deu certo. E o que estou dizendo não é negar o que deu errado, e apontar os seus problemas, mas é assumir que muitos dos que hoje são anti petistas, na verdade emergiram socialmente durante o governo do PT. Isso se explica muito pela histórica Classe Média que se acha rica e poderosa. E os que emergem a essa classe, na verdade sempre acharam que já estavam lá, nunca se sentindo abaixo disso, mesmo quando de fato estavam. Essa luta política. Hoje, não deixa de ser uma luta de classes, mas com inversões de entendimento. O que é muito natural, se tratando de uma população que foi criada vendo nas novelas pessoas ricas vivendo aquilo que não temos, e isso sendo a representação de uma sociedade, e pasmem, o Brasil não é o Leblon.

A discrepância do ódio a Lula, quando comparamos aos demais, é explicado pela seletividade com que nosso povo se apequena. Em uma nação envolta de tantos escândalos de corrupção, Prefeitos e Vereadores condenados foram eleitos em 2016, e alguns bem próximos de figuras que despontavam do noticiário policial, como é o caso de Rodrigo Drable, na cidade de Barra Mansa, afilhado de Eduardo Cunha. A democracia está sempre sendo subvertida ao poder econômico, e como tal, não se altera, e principalmente, porque esta seletividade com relação a indignação, tem um tom puramente social, e carregado de uma influência midiática. Mas enfim, somos um país de tanta seletividade, que não tratamos igualmente Educação e Futebol, Meio Ambiente e Agronegócio, quem dirá, siglas partidárias.

Views All Time
Views All Time
687
Views Today
Views Today
1

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.



Posts relacionados

Masculinidade tóxica

Funrural, por Solange Engelmann

Coisas boas, atraem coisas boas! Pode acreditar!

Maçã, glicerina e 5 outros motivos para manter-se conectado!

Palavra, ação terapêutica…

O uso do Ácido Fólico, o recorde de vendas em dezembro…