(Imagem Instragram.com)

Funk é arte, séries são arte e você com o seu seleto grupo de bandas de Manchester, gaba-se por saber a letra de Love Will Tear Us Apart… Está correto, sim bandas de Manchester vai elitizar sua vida, mas só se sua vida for repleta de pessoas desinformadas que não sabem que Manchester era e é uma cidade da classe operária e de pessoas à margem do sonho encantado da Família real/irreal, esta cidade sempre teve o maior índice de latrocínios e crimes bárbaros, literalmente.

Manchester, local de uma das maiores tragédias da humanidade: A Revolução Industrial… revolução pra quem?

A arte floresce e resiste nos lugares mais insalubres possíveis, assim como o Funk no seu Rio de Janeiro idealizado, o Rio 40 graus e da loirinha do Irajá…

Os jovens são revolucionários nas artes e nas periferias, seja habitando casas de papel, nos bairros operários de Manchester ou do ABC paulista e nas favelas cariocas construindo melodias, e se você possuir minimamente uma sensibilidade, vai notar que as letras do Funk execrado pela burguesia, reflete o sonho ostentado pelos jovens favelados, os garotos de Manchester faziam isso também e os moradores das casas de papéis fazem e apenas sonham. Sonham em penetrar o mundo real, porque todos nós queremos viver em paz, com nossa arte, com nossos sonhos e se resistir for possível resistiremos também!

O rock é um estilo musical negro, aí um branco bonito cantou e dançou e assim o rock foi aceito pelas famílias de bem. Ocorre o mesmo com o Funk, Rap, Samba… a mídia seletiva escolhe umas pessoas bem bonitinhas ( isso foi muito ressaltado no tal Rock Brasil anos 80), e então molda e faz um produto e vende. Mas a favela, gueto e periferias resistem, eles conduzem seus meios artísticos e sua maneira de ser. O Funk é um grito, uma voz e a conquista dos espaços.

A classe C, D e W, talvez a omega também, tem acesso a internet e canais de séries, e as séries são um sucesso porque a juventude consegue associar algumas simbologias, principalmente se os moradores da série forem de uma casa de papel.

É impressionante a ignorância da burguesia quando se apropria das diversas artes feitas para reflexão, cantaram Bella Ciao desesperadamente, a burguesia não estuda. Bella Ciao é uma canção de resistência!

Já não me impressiono com a falta de atitude burguesa, me lembrei quando garotos ricos escutavam White Stripes e Racionais… enfim, muito difícil diagnosticar essas pessoas, conversar, conviver e desejar mensagens power point motivacionais pra quem se sente triste porque não foi para a Disney esse ano ver aqueles monstros medonhos e aterrorizadores, comer fast food açucarada. As nossas coisas eles querem, mas não querem que nós queiramos melhorar as nossas vidas, nos tomam tudo e até mesmo o DNA das artes, quando conseguem, porque em realidade eles não sabem quem é George Clinton, James Brown e Ian Curtis, mas sabem todas as letras do Legião Urbana e desafinam no Bella Ciao, está tudo dentro da normalidade, a normalidade deles também é confundir Tarsila com Monet, e Di Cavalcanti pra eles é um perfume ou um nome de Rua dos Jardins ou Campos Elíseos.

A arte é profunda, é transformadora. Somente um jovem sofredor da periferia que acorda às 4 da manhã e utiliza metrô, e rala nos estudos muitas vezes a noite quando o corpo quase desidrata de tanta batalha, é capaz de se alimentar e reverberar arte. A arte é cidadã, a arte é questionadora! Arte é uma revolução social, seja no Funk e seja onde você quiser. O Funk é lindo, sempre foi, é transgressor assim como os guris de Manchester e moradores da casa de papel, é a arte impregnando sonhos e possibilidades, não julgue, interprete e se coloque no lugar do outro que se utiliza dos filmes, da música, da fotografia, das artes plásticas, do grafite para se expressarem e participarem do mundo. O mundo não é um local para coadjuvantes, somos todos protagonistas das nossas existências, existir propriamente em todos os sentidos humanos e cabíveis.

Ofereça água benta para um burguês acelerado que expressar seu vasto conhecimento em grifes e outfit de Miami ou desdobrar o menu desinteressante de um restaurante experimental de Nova Iorque.

Brasil é feijoada!

 

 

Fotos Creditos Instagram.com

Referência: O Mundo do Funk Carioca, autor Hermano Vianna.

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