Artigos Educação

Padrão FIFA e Educação.

Por: Rafael Santos

Quase 30 anos depois das DIRETAS JÁ, atraído pelo movimento Passe Livre,
multidões ocuparam os espaços públicos, marcando a relação de forças entre
povo, poder e politica.

As jornadas de junho distinguem—se pela ausência dos principais atores
políticos tradicionais e pela capacidade de mobilização via redes sociais. Nesse
momento o Brasil passou por uma confrontação politica, que levou multidões a
ocupar as ruas em 2013. Sair às ruas, cantar palavras de ordem e intervir nos
rumos da politica nacional, naquele momento, representava o anseio da
população que lutava por direitos públicos universais.

Eclodida para grandes capitais brasileiras, as jornadas de junho, marcaram sua
posição politica, enquanto a Copa das Confederações preparavam o Brasil para a
Copa do Mundo, sendo o foco da imprensa internacional.

Quando as manifestações de junho ganharam dimensões gigantescas, a lista de
reivindicações se multiplicou, agravando oque vários intelectuais, políticos e
cientistas sociais chamavam de “crise de representatividade’”. Essa diversidade
de pautas apontava para o aprimoramento da democracia que apresentava
sinais de esgotamento.

A revolta dos cartazes marcou a revolução conceitual naquele momento. A copa
das confederações perde foco único da imprensa internacional, que passa a dar
espaço ao contexto que agravou as manifestações pelas capitais brasileiras.
A “educação padrão FIFA” (conceito utilizado por melhorias na educação
durante as jornadas de junho de 2013) deixava clara a evidente revolta contra o
um estado que não se colocava como garantidor de diretos.

Em 2016 os diversos retrocessos na agenda da educação nacional levaram
estudantes secundaristas a ocuparem as escolas, mesmo ano em que foi
aprovada a reforma do ensino médio, sem qualquer discussão com a sociedade,
contrariando a opinião de estudantes e de muitos professores. O projeto retira,
dentre outras medidas, a obrigatoriedade de disciplinas como Filosofia e
Sociologia. O retrocesso seguiu quando, o MEC, em abril do mesmo ano, apagou
da Base Nacional Curricular as expressões “identidade de gênero” e “orientação
sexual”.

Palco importante das manifestações em 2013, o Rio de Janeiro, segundo
levantamento feito pela Secretaria de Educação, nos primeiros 22 dias letivos
deste ano, escolas municipais tiveram que fechar as portas 65 vezes. Um estudo
de 2009 que procurava medir o impacto da violência no desempenho escolar no
Rio, revelou que as escolas que sofrem com conflitos apresentam alta
rotatividade de diretores, falta de professores, interrupção constantes de classes
e pior desempenho nas provas nacionais de matemática.

“Alunos de escolas que experimentaram nove ou mais dias de conflitos durante
o ano tiveram desempenho duas vezes pior que os alunos de escolas expostas à
violência durante dois ou mais dias”, revelou o relatório feito por Rudi Rocha e
Joana Monteiro, hoje diretora do Instituto de Segurança Pública que coleta e
divulga os dados da violência no Estado.

Os professores que sempre foram alvos e ficam no fogo cruzado de muitas
esperanças sociais e politicas em crise, que não dependem deles, também são
vítimas de um sistema educacional dependente do contexto nacional e local. As
criticas externas ao sistema educacional cobram dos professores, como se a
educação sozinha tivesse que resolver todos os problemas sociais,
desconsiderando onde a escola está situada e suas demandas locais.

O Brasil ainda apresenta outro problema atual, o corporativismo das instancias
responsáveis pela gestão do sistema de ensino e das unidades escolares. Isso se
reflete em metas já estabelecidas, como é caso do IDEB (Índice de
desenvolvimento da educação básica), que em 2009 atingiu a marca de 4,6, com
projeção de chegar a 6,0 até 2022.

Os desafios que envolvem a educação brasileira acompanham sua dimensão,
onde a crise é vista sem nenhum contexto ainda mais quando se espera o
“sonhado” padrão FIFA.

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