Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Por Samuel Marques

A estratégia era errada. Haddad era o único que de fato Bolsonaro queria enfrentar. Sabia, assim como todos nós que o antipetismo falaria mais alto, e que seria suscetível a todo tipo de argumento ligado a uma vilania, que por muitas vezes é injusta. Para quem não votou no Petista no primeiro turno, o PT em toda a sua arrogância, os tratou como refém, na medida em que usava o discurso da obrigatoriedade do apoio. Essa obrigação de fato quase existia, mas sim por causa do oponente. Bolsonaro representa tudo de pior na política e na sociedade. Nunca apresentou soluções para os muitos problemas do país, sempre se alimentou do sistema, que também alimentou suas proles. Sempre destilou violência, e não só em declarações, mas em propostas claras sobre armamento e xenofobia. O PT sabia disso tudo, e um partido que passou o que passou na campanha de 2014, e em tudo que veio depois dessa data, sabia que com a prisão de Lula, seu maior expoente, a coisa não seria nada agradável. As pesquisas mostravam, que assim como na eleição de 1989, somente um venceria o grande mal que se colocava do outro lado, mas ei aí o problema para o PT, a vitória não vinha do partido dos trabalhadores, e dentro do PT, eles entendem ter a solução para tudo, nem que seja, não ter solução. Assim como na primeira eleição direta depois da ditadura, o PDT venceria, se o PT entendesse o que significa coletividade. Naquela época a história era outra, e ela mesma não pode ser analisada com os olhares que temos hoje. O tempo era outro, a realidade era outra, e os erros daquele momento são até aceitáveis. Mas em 2018 não. Temos acesso a coisas que não tínhamos naquela época. O PT teve 14 anos de governo e um Impeachment. O momento era de recuar, mas não fez. Lutou por uma hegemonia e nos levou, como reféns para uma batalha, que apesar de lutarmos com muito afinco, sabíamos que era perdida. Lutamos nessas três semanas, não pelo PT, mas pela capacidade de resistência ante ao fascismo, ante a violência que se anuncia. Muitos históricos críticos do PT, engoliram a seco tudo que sempre falaram, e imbuídos de uma responsabilidade para com a pátria e o futuro, decidiram apoiar Haddad, e exporam suas caras, mesmo diante de uma eleição em que fazer isso ficou perigoso. Vale ressaltar que na minha opinião pessoal, como eleitor do Ciro, não o critico pela maneira como se posicionou no último sábado. Me mantenho satisfeito com Ciro Gomes, e lhe vejo como uma saída para o processo que teremos pela frente, e ressalto, não espero coisas boas desse processo. E não me venham com o discurso de conciliação, ou argumentação de que o PT sinalizou para Ciro o posicionamento de aliança, para que o mesmo aceitasse ser o vice de Lula, e postulante a vaga que foi de Haddad. Não era a proposta certa, não era o caminho viável. Ciro fez certo, e mesmo assim, viu o PT tentar, e conseguir, minando boa parte de seu caminho de alianças, tudo para que o PT pudesse manter seu projeto, mesmo que sabendo que perderia no segundo turno. Haddad não é um cara ruim, eu particularmente, gosto dele, mas quem pensa esse tipo de coisa é Lula. Também, não o trato como demônio, de maneira nenhuma, mas ele errou, e no momento em que não poderia.

O que temos pela frente é absurdamente perigoso, e sem precedentes. Teremos muitos problemas para reorganizar a base, até porque uma boa parte dela está convencida de que um salvador da pátria é a solução. Necessita-se de uma reconexão, e nem vou falar de autocrítica. A esquerda precisa se reinventar, o que é muito normal, mas o PT precisa entender que o seu tempo mudou. Claro, que não vou ficar aqui dando uma de doido, e dizer que o partido que tem a maior bancada na Câmara Federal acabou. De maneira nenhuma. Mas a solução para todos os problemas que viveremos e sentiremos nos próximos anos, não virá do PT. Ele pode até participar, mas não será dele que partirá a solução. Nessa momento de desolamento, e falo isso porque sabemos que ninguém eleito com esse discurso e práticas pode de fato executar coisas boas, que tenhamos a sobriedade de nos reorganizarmos, sem purismos e sem devaneios, a realidade é dura, mas clara. O PT não fez o que tinha que fazer, fez o que queria, parabéns aos envolvidos.

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Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.



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