Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Não se tem muito o que comemorar no dia de hoje. No atual momento de “pós verdade”, em que vivemos, ser professor e ter algum conhecimento é quase um fardo. Isso porque nunca foi tão real a máxima de que a ignorância é uma benção. Para nós professores, esse dia nunca foi de tanta comemoração, um ponto facultativo, uma cortina de fumaça para toda falta de estrutura e valorização diária. Mas atualmente a coisa está pior. Vivemos em dias que qualquer um acha que tem conhecimento, isso porque misturam informação com formação. Em um mundo global onde o conhecimento consegue chegar a muitos lugares e de uma só vez, isso também não quer dizer que alguém se formou. As redes sociais por sua vez, fez esse papel, ode dar a falsa ideia de que alguém está apto para discutir tudo, e com todo mundo. Com o advento das “Fakes News”, foi aí que o bicho pegou de vez. A verdade pode ser qualquer uma, ainda mais aquela condizente com a vontade do receptor, e mesmo com toda a facilidade de informação, para que conferir. Hoje, temos gente demais formada em diversos assuntos, através de memes na internet e argumentos algum.

Como Professor de História, tenho vivido dias muito sombrios, não por hoje em si, mas pelo que está por vir. A falta do poder de interpretação e a lavagem cerebral que alguns estão sofrendo, se associam com muita facilidade a disputa da narrativa, onde vale mais uma mentira qualquer do que conhecimento. Nos dias atuais estamos lidando com algumas questões. Por exemplo: Os comunistas estão no poder no Brasil, a esquerda e seu Kit gay e que o grande plano dos vermelhos é transformar o Brasil em uma Venezuela. Diante dessas indagações feitas por uma pessoa muito próxima a alguns dias, fiz também algumas perguntas, apenas para saber qual era o nível de debate que eu estaria me metendo.

Para a primeira indagação, perguntei quais ações desse governo, dito comunista, levam a pensar que estamos a caminho ou no processo de um sistema socialista? Perguntei também quantas empresas tinhas sido estatizadas e quais bancos foram expulsos? E para terminar esse primeiro ponto, perguntei, porque se somos um país comunista dirigido por bandidos de vermelho em todos os âmbitos, o Lula está preso? Resposta: Não sei.

No segundo ponto, o Kit Gay, fiquei focado em saber dessa pessoa, de onde veio essa ideia, e onde esses livros estão? A resposta foi imediata: “Vi na minha cidade”. Perguntei onde então. Resposta: Não sei. Aproveitei para dizer que nos meus 10 anos de magistério e participante de tudo que é debate a nível educacional, inclusive no Conselho Nacional de Educação, como Delegado Nacional, nunca vi esse Kit, e nem a inclusão de nada disso na LDB, ou no Plano Nacional de Educação. Falar de tolerância e respeito não é um Kit gay, mas sim um Kit de sobrevivência para uma sociedade.

No terceiro ponto perguntei para a pessoa, o que ela sabe sobre a Venezuela, e as nuances de sua “revolução”. Perguntei também sobre as conjunturas existentes antes de Chavez e depois, suas reformas e atitudes. O que queria era fazer um comparativo, simples, entre a Venezuela e nosso atual sistema. A resposta foi não sei, só não quero a esquerda. Mesmo desconstruída, a pessoa muito próxima a mim, só soube dizer aquilo que vem repetindo a muito tempo sem nenhuma base, e com toda superficialidade.

No momento em que vivemos, todos querem debater com o professor, o aluno mediano, que dormia na sua aula, mas que agora se acha um expert em História, o engenheiro pobre que se acha milionário, e o pastor que acha a Teologia a sua única história. Todo mundo com sua verdade, mas nenhum deles preparado para contar a verdade. Eu agradeço a Deus pelos meus professores, porque eles me trouxeram até aqui. E mesmo no atual estado das cosias, incluindo eu, prefiro o conhecimento que me deram, o senso crítico que me ensinaram a ter, do que a ignorância dos que repetem frases feitas e bravatas baratas. Para esses a solução não se encontra na educação.

Views All Time
Views All Time
214
Views Today
Views Today
2

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.



Posts relacionados

Onde está The Book?

As mulheres não são coniventes

Marcelo Zona Sul e a Revolução do Leblon!

Adoção é a afirmação do amor!

Mulheres e a política

O PT ERROU.