Brasil Entrevistas

O povo é guardião de toda essa riqueza que temos no Brasil!

 

China foi um dos últimos Vj’s interessantes da MTV, além de um bom apresentador, também é um profundo conhecedor de música brasileira. Pernambucano, visionário, talentoso pois também é escritor e recentemente lançou seu livro infantil, e vários projetos seguem na trajetória de China.

China tem uma personalidade de um guri tipicamente brasileiro e solar! É acentuada essa sua maneira de ser no trato com as pessoas e o carinho que coloca em seu trabalho.

Conheci o trabalho musical de China em dois momentos, o álbum, Um só (2014), e o álbum, Telemática (2014), e é indescritível a brasilidade e a felicidade que esse fantástico artista consegue propôr. É perceptível toda as possibilidades da construção e continuação da música brasileira através de China e de outros guris e gurias que possivelmente virão, pois o Brasil é imenso e uma imensidão de gente talentosa.

Abaixo uma rápida entrevista que fizemos com o autoral e adorável China!    

 

Sarah Lincoln – O seu trabalho desperta muita curiosidade no sentido que uma música sua parece ter muitas referências e ao mesmo tempo esse hibrido parece não ser limitado, tem uma identidade um conceito.Você absorve influências ou influencia?

China – Eu absorvo influência de tudo o que vejo, o dia inteiro. Adoro observar as coisas, as pessoas, a movimentação do dia. Acho que é isso o que alimenta o compositor que há em mim. É observando que vou tendo idéias, aprendendo e assim tento devolver para a sociedade essas observações.
Agora, se eu influencio essas pessoas? Não sei! Acredito mais na troca. Trocar é sempre mais legal do que apenas influenciar. Pois trocando todo mundo fica um pouco mais inteligente.

Sarah Lincoln – Pernambuco é um conceito, ou é o conjunto sonoro de um Brasil com musicalidade ancestral?

China – Pernambuco é terra de gente forte que teve que lutar bastante para conseguir reconhecimento e espaço. Acredito que essa luta diária faz com que a nossa cultura e tradição permaneçam vivas até hoje. Temos muito orgulho da nossa cultura e é muito gostoso ver ela sendo respeitada e amada por todo o Brasil.
Me dá muita satisfação conversar com gente do país inteiro sobre as nossas raízes, que no fim das contas, não é um luxo apenas do pernambucano ter tantos movimentos culturais. Nasceu lá mas é do Brasil, e todo brasileiro tem que se sentir um pouco dono disso também, pois assim cuidamos e amplificamos a nossa cultura pro mundo todo.
Eu não tenho esse tipo de bairrismo. Me sinto dono da cultura paraense, carioca, paulista, do Brasil inteiro. Apesar dos sotaques diferentes acredito que somos um só e temos que cuidar das manifestações culturais de todo o país, pois sabemos bem que se deixarmos na mão dos nossos governantes essas tradições irão morrer.
A cultura é do povo e sempre será. Pois então que o povo seja o guardião e divulgador de toda essa riqueza que temos no Brasil.

Sarah Lincoln – Suas composições são muito viscerais, é a MPB mutante ou você é um mutante em meio a MPB, transformando o Rock em possibilidade melódica para uma revolução e evolução constante da música, a música evolui ou apenas se transforma em seu tempo, sua época? A música brasileira se transformou em algo melhor?

China- Eu acho que a música não tem fronteiras nem pudor. Podemos transformar ela no que quisermos. No dia que eu não conseguir enxergar um frevo dentro de um rock ficarei muito triste, pois acredito que na música tudo é possível. Vejo a música como a própria existência, que vai se modificando a cada dia. É como se fosse um micróbio que vai se alimentando e se transformando em outra coisa, alterando suas células a cada momento.
Na minha opinião a música brasileira é uma das mais ricas do mundo, cheia de referências, influências, que ta sempre se transformando. Se a música de hoje é melhor que a de ontem? Não sei! A música é atemporal, não dá pra enquadrar ela num espaço de tempo. Prefiro pensar que os sons vão se transformando e que precisamos olhar pro passado para fazer o futuro.

Sarah Lincoln – Você é um artista sustentável no sentido em que tudo que faz parece artesanal, muito artístico e autoral, a arte é fome ou te alimenta?

China – A arte me deixa vivo! Sempre vivi disso, nunca experimentei outro trabalho. Se a arte é o alimento, eu sou a vontade de comer e assim sobrevivo. Todos os dias faço algo ligado a arte. Não deixo de escrever um dia sequer. Para mim é importante o exercício da arte, o fazer, se dedicar todos os dias ao pensamento artístico. Gosto dessa forma artesanal de trabalhar em todos os processos para ver o resultado final. Não sigo ordens de mercado nem estratégias preestabelecidas. Acho que cada peça artística tem a sua forma de ser trabalhada, não dá pra enquadrar tudo como se fosse uma prateleira do supermercado. Cada coisa tem seu tempo e seu jeito de trabalhar.

Sarah Lincoln – Andar 12km por ter conseguido um disco do Jorge Ben, te fez mais feliz em suas jornadas de descobrimento da música brasileira, como músico que tu és, consegue ter preferência em especial por alguém, ou o que e quem se tornou suas referências?

China – Eu sempre vou preferir a música brasileira. Como disse antes, temos uma cultura muito rica e cheia de variações, mas meus ouvidos estão sempre ligados a tudo o que rola no mundo da música. Na casa dos meus pais sempre ouvimos de tudo. Nos domingos era Roberto Carlos o dia todo, durante a semana os discos de punk e hard core que meu irmão me mostrava, e na rua as manifestações culturais, o frevo, a ciranda. Então sempre tive os ouvidos abertos para todo tipo de música. Sem preconceitos.
Jorge Ben, por exemplo, faz um som lúdico, que me faz imaginar tanta coisa. Roberto e Erasmo com a sua poesia direta e sem rodeios, todas as melodias maravilhosas de Tom Jobim, o punk visceral e necessário do Ratos de porão e dos Stooges. Tudo me influência. Sem amarras… tudo é música e eu encontro a beleza em tudo o que ouço.

chinaina.com.br

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