Por Samuel Marques

Não existe nada mais triste do que a nossa classe média. Não conseguem produzir nada socialmente, nem ter educação. São estranhos em todos os sentidos. Primeiro porque se acham a elite, e de fato não são. Sonham em ser a nata, se acham a nata, mas não passam de massa de manobra da real nobreza. A Classe Média brasileira tem feito transformações no país, para pior. Protagonizaram cenas de manifestações em pleno domingo em frente a praia de Copacabana e se dizendo combatentes da corrupção, e para tal ato se vestiam com o uniforme de uma das instituições mais corruptas do Brasil e do mundo, a CBF. Essa galera acredita em meritocracia, é contra cotas, é homofóbica e machista. Sobre esse último ponto é que pretendo detalhar.

Os tristes eventos na Rússia, onde brasileiros se juntam para humilhar mulheres, se aproveitando do não conhecimento delas em relação ao nosso idioma, denota o quanto o que citei acima tem algum sentido. Somos um país de números alarmantes quando se trata de violência contra a mulher. Em 2015 registramos 1 estupro a cada 11 minutos, sendo que a estimativa que esses números representam apenas 10% dos casos que realmente acontecem. Há, em média 10 estupros coletivos notificados todos os dias no sistema de saúde do país. (Dados do Ministério da Saúde de 2016, obtidos pela Folha de S. Paulo). 30% dos municípios não fornecem estes dados ao Ministério. Ou seja, esse número ainda não representa a totalidade. Somente 16% dos acusados foram presos. A cada 7,2 segundos uma mulher é vítima de alguma violência física. Em 2013, todos os dias 13 mulheres morriam vítimas de feminicídio, ou seja, mortas em função de seu gênero. E 30 % desse número foram vítimas de seus companheiros. Somo o país que 2 a cada 3 universitárias dizem já terem sofrido algum tipo de violência (sexual, psicológica, moral ou física). E onde quero chegar com tudo isso?

Na medida em que o tempo passa e a sociedade começa a conviver com esses números com naturalidade, essas ações passam a ser o tom de uma sociedade. O que esses homens fizeram na Rússia é o retrato do que fazem também no seu país natal. É a tônica de vida da nossa sociedade que vê no machismo um porto seguro, já que encontra nas Redes Sociais, milhares de defensores desse tipo de ação. Hoje, por exemplo, no facebook, não são poucas as manifestações de páginas e perfis tentando justificar a ação dessas pessoas, tentando construir uma narrativa de exagero e que o ocorrido era apenas uma brincadeira. Vivemos tempos difíceis, onde nesse momento candidato que lidera as pesquisas presidenciais, faz sucesso com declarações machistas e depreciativas contra mulheres, negros e gays. Isso não pode ser por acaso.

Uma outra característica, dentre as muitas que citei no primeiro parágrafo, é que essa “Classe Média” se acha dona da razão e que acreditam ter o poder em suas mãos para serem o quiserem ser, até mesmo ruins. O Brasileiro que já foi considerado um povo cordial e simpático, hoje, é inconveniente e perigosa. Muito se explica não por uma ascensão social, mas sim política. Essa parcela da Classe Média tem a impressão de ser politizada e acredita ter de fato, por sua vontade, mudado os rumos do país, como exemplo, o Impeachment de Dilma. Acham portanto, que seus pensamentos e credos políticos são hegemônicos, e que através deles podem conquistar espaços de poder, e para tal, podem ser racistas, machistas e homofóbicos, sendo sempre justificados por seus seguidores.

É uma pena que o retrato de nossa sociedade é uma doença. Esse ato de violência na Rússia, é o que vemos no nosso dia a dia, que reflete no nosso povo, e que podemos ver e sentir nos trens, metrôs, nos assédios no ambiente de trabalho, nas universidades e nas residências. Esse retrato demonstra que o quadro está ruim, e para alguns pode ficar ainda pior. Vale ressaltar que me 2015 houve um aumento do assassinato de mulheres negras, na casa dos 54 % e ano após ano, só aumenta.

Não vou colocar o vídeo aqui, é desnecessário, uma vez que já está amplamente divulgado em todas as redes sociais. O combate agora é permanecer firme ante à aqueles que se colocam a disposição de justificar tais atos. O sentido agora é saber que permanentemente teremos que combater.

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Samuel Marques

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.



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