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O fetiche desonesto da depressão!

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Edgard Allan Poe e o fetiche desonesto da depressão! 

Em 7 de outubro de 1849, aos 40 anos, morreu antes que o jornal pudesse ser produzido. A causa de sua morte é desconhecida e foi, por diversas vezes, atribuída ao álcool, congestão cerebral, cólera, drogas, , suicídio ou tuberculose,

Edgar Allan Poe (1808-1849) nasceu em Boston, Estados Unidos, em 19 de Janeiro de 1809. Filho de David Poe e Elizabeth Arnold, atores de teatro, ficou órfão de mãe e foi abandonado por seu pai. Nunca foi formalmente adotado, porém foi acolhido por uma família bem posicionada financeiramente em Baltimore, na Virgínia, que lhe proporcionou uma educação de qualidade, com os melhores professores da época.

Edgard Allan Poe

Poe ingressou na Universidade de Virgínia, destacando-se no estudo de Línguas Românticas, antigas e modernas. Possuía comportamento inquieto e indisciplinado, passando a maior parte desta época envolvido com mulheres e bebidas. Demonstrou interesse desde muito cedo pela literatura, e sua carreira de escritor começou pouco depois de abandonar a Universidade, com a publicação de uma coleção anônima de poemas, que recebeu o nome de “Tomerlane and Other Poems”, em 1827.

Entrou para a carreira militar em 1829, na Academia de West Point, mas acabou sendo expulso por indisciplina. Depois de perder a mesada de seu tutor, passou a sobreviver de seus escritos. Tornou-se editor de uma revista de Richmond, e foi morar com sua tia viúva e sua filha Virgínia Clemm.

Em 1836 casou-se em segredo com sua prima Virgínia, na época com apenas 13 anos de idade. Pouco tempo depois perdeu o emprego, e passou por diversas dificuldades financeiras, que foram superadas ao vencer os concursos de conto e poesia, promovidos pela revista “Southern Literary Messager”.

Foi convidado a dirigir a revista, e durante dois anos esteve à frente do periódico, onde publicava contos, poemas e artigos de crítica litarária. Por conta de seu vício em bebidas, perdeu seu emprego. Nesta mesma época, sua esposa adoece, e Poe se vê obrigado a produzir como freelancer, porém sem grandes resultados. Afunda-se ainda mais na bebida, e a morte de sua esposa agrava ainda mais o seu problema.

Edgar Allan Poe deixou diversos poemas, contos, romances, temas policiais e de horror.

Muitas de suas obras abordam a temática do sofrimento causado pela morte, pois ele acreditava que não existia nada mais romântico do que um poema escrito sobre a morte de uma mulher bonita.

É considerado o criador do conto policial, e suas obras foram um marco para a literatura norte-americana contemporânea, influenciando posteriormente diversas gerações de escritores.

Principais obras:

  • O Corvo
  • O Gato Preto
  • Os Assassinatos da Rua Morgue
  • A Máscara da Morte Escarlate

O Corvo, a obra de maior relevância comercial de Edgard Allan Poe, é uma literatura rasa tipicamente norte americana, onde a temática gótica arrebatou o país e atingiu a geração de Poe, sem muitos desdobramentos ou criatividade, especialistas em literatura acreditam que Poe e sua geração criaram o gênero gótico de literatura, mas isso não é verdade, a Europa já tinha esgotado o tema “gótico”, no fim da idade média, mas como tudo nos Estados Unidos também é de um atraso proposital, o século dezenove foi uma repetição exaustiva de clichês europeus.

O que para nós   , não causa perplexidade porque sempre soubemos do fetiche desonesto que os norte – americanos, tem em relação à depressão, e a cultura daquele país , incluindo a literatura.

A geração de Edgard Allan Poe, e ele próprio obviamente, não expressam a importância de uma literária mesmo que ficcional sobre temas “sombrios”,  era romance carregados de ficção “mórbida” ou gótica, era moda naquela época, mas uma época que historicamente merece a nossa observação com recortes bem delimitados em relação aos Estados Unidos ( país que até hoje é o que mais influencia o Brasil, economicamente e culturalmente),  especificando: os Estados Unidos é um país que tem a sua “ raiz”,  ironicamente estruturado nas doenças depressivas, ironicamente porque ainda é o pais mais poderoso do mundo. Mas como é possível tanto poder e atravessar os séculos com a população mais depressiva do planeta?

No final da década de 90, a OMS (Organização Mundial da Saúde), através de uma pesquisa que perdurou por anos, elegeu a Suécia ou colocou a Suécia, como o país mais depressivo da Europa, normalmente eu acredito em todas as pesquisas e relatórios da OMS, mas sobre a depressão e a Suécia, eu enquanto Bióloga ( sim nós biólogos somos pesquisadores / observadores constantes dos fenômenos depressivos, uma vez que relacionamos aspectos genéticos, sociais e sanitários, sim sanitários, para identificar os processos e evoluções das doenças depressivas), não acreditei que as pessoas na Suécia fossem tão doentes, naquela época , na década de noventa, fiquei em dúvida porque acredito que a Escócia e a Inglaterra, infelizmente tenham uma população estatisticamente “mais depressiva”  , Escócia e Inglaterra,   são os países que mais utilizam o sistema de saúde pública dos respectivos países para tratamento de depressão. A maioria dos casos, advém do uso inadequado de drogas e álcool, alguns vícios podem estabelecer várias doenças crônicas ( bipolaridade, síndrome do pânico, diabetes, transtornos ansiosos, hipertensão, arritmia cardíaca entre outras  , e que tem como resultante a depressão!     

Voltando a Poe e a geração do século dezenove, eram todos fetichistas, eram depressivos mas não necessariamente doentes ou portadores de doenças psiquiátricas. Apenas escritores com boas intenções em relação ao lucro, lucraram muito, Poe conseguiu tanto dinheiro e fez seu próprio jornal, perdeu tudo com mulheres, álcool e finalmente conseguiu ser o que sempre mentiu ser: um maníaco depressivo!

A depressão, torna-se um fetiche desonesto quando gera lucro demasiado “ironizando a doença”, com literatura de baixa qualidade onde morbidez é tema recorrente, e até hoje é assim, estamos em 2020 e existe uma indústria lucrativa, seja medicamentosa ou cultural, que promete a cura permanente das doenças depressivas.   

Depressão é um assunto sério, e a literatura não reflete o que nós enquanto humanos passaremos em toda a nossa existência portando esta doença, desvie-se dos corvos úteis mercadológicos, ao perceber qualquer modificação orgânica ou comportamental, procure um médico.  

A propósito, não confunda “literatura gótica de terror”, com mitos depressivos, a sua vida não é uma novela literária, sua vida é importante e nunca se coloque em risco buscando teses ou qualquer entretenimento de aspecto aterrorizante para que assim se identifique com algum escritor, cantor, professor ou divindade religiosa, identifique-se com o seu médico, confie em um bom profissional de saúde, não confunda especialistas com fetichistas!

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