Educação

O Fantasma do desinteresse

Marina Gabos
Quando me convidaram para escrever sobre educação, eu, professora da rede estadual de ensino de São Paulo há cinco anos, acreditei que seria uma tarefa bem fácil. Logo comecei a pensar nos inúmeros problemas e “causos” vividos na realidade escolar e iniciei um texto.  Quando o li, percebi a necessidade que nós, profissionais da educação, sentimos em sermos ouvidos. Qualquer espaço que nos é dado se torna uma espécie de “tribuna livre” onde saímos em defesa da educação pública brasileira. Pois é, já dizia Paulo Freire que “Ser professor e não lutar é uma contradição pedagógica”.
O sucateamento das escolas públicas, a super lotação das salas de aula, as péssimas condições de trabalho que nos é dada e o salário de fome são sim pautas importantíssimas que devem ser trazidas à tona a todo momento, mas no mês das professoras e professores decidi que esse texto devia servir para lembrar da importância do conhecimento.
Sim, o conhecimento, o saber. O que nos torna pessoas capazes de pensar, refletir, questionar. A nossa curiosidade em descobrir. Nossa capacidade de argumentar, de ouvir argumentos e não ter medo de mudar de ideia.
E aí pensando na realidade das escolas em que trabalho vi que o conhecimento anda assombrado por um fantasma… o fantasma do desinteresse.
A escola se tornou uma espécie de casa velha e mal assombrada. Ultrapassada. Nem um pouco atrativa para os jovens que, em poucos minutos, conseguem obter informações em seus aparelhos celulares, mas estão desinteressados em debate-las e transforma-las em conhecimento. .
Sentados, tendo aulas quase que como seus bisavós.
O conhecimento liberta o ser humano e precisamos de seres humanos livres para tornar o mundo um lugar melhor. Também aprendi com Paulo Freire que “a educação não muda o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas mudam o mundo.”
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