Saúde Integrativa

O desafio de educar para a saúde

Cristiano Ricardo dos Santos 
A saúde possui desafios importantes, o primeiro em território brasileiro está presente na constituição onde fizemos grifos e temos o seguinte: “Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”
Assim, a educação é uma das ferramentas de aprimoramento da saúde, então, antes de caminharmos com a aplicação da saúde, precisamos conversar que há muita terminologia relacionada ao binômio educação:saúde, em teoria, parece ser tudo igual, mas cada termo representa uma área diferente, tanto para a saúde, quanto para a educação, mas resumidamente temos:
 
Educação em saúde: abordagem educacional sobre os processos e práticas da saúde, algumas pessoas também podem denominar como “educação na saúde”;
Educação para a saúde: abordagem educacional para melhorar a saúde, também pode ser divida em duas fases, sendo elas: – saúde na escola (estratégias de integração da educação para a promoção da saúde junto ao ambiente acadêmico, visando a melhoria da qualidade de vida) e “educação e saúde” que ultrapassa o ambiente acadêmico e age diretamente na população, mesmo a fora da comunidade escolar;
Educação na saúde: é um campo de produção de conhecimento, necessariamente inter/transdisciplinar, em que os entrelaçamentos entre filosofia, ciência, técnicas, tecnologias e práticas sociais se apresentam de maneira específica.
Há uma necessidade real de aplicar todos os conceitos para a promoção da saúde, em atendimento ao artigo 196 da CFB, se valendo de todos os meios de acesso a todos e todas, isso inclui meios de expressão cultural, religiosos e da comunicação, mas também devemos lembrar no Artigo 19, onde grifamos:  Art. 19 É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I –  estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II –  recusar fé aos documentos públicos; III –  criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
Frente a esses dois pontos, temos as bases da Lei do SUS (Sistema Único de Saúde) Lei 8080/1990 em sua versão atualizada (Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências), onde devemos destacar dois artigos, como segue:
“Art. 2º A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício.
§ 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.
§ 2º O dever do Estado não exclui o das pessoas, da família, das empresas e da sociedade.”
e
“Art. 3o  Os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais.
Parágrafo único. Dizem respeito também à saúde as ações que, por força do disposto no artigo anterior, se destinam a garantir às pessoas e à coletividade condições de bem-estar físico, mental e social.”
Assim, o comprometimento da saúde, através do SUS, da aplicação de políticas sociais e econômicas para que o conjunto de atividades que sofrem influência e modificação de conhecimentos, atitudes, religiões e comportamentos, sempre em prol da melhoria da qualidade de vida e de saúde do indivíduo, em combinação de ações e experiências de aprendizado planejado com o intuito de habilitar as pessoas a obterem controle sobre fatores determinantes e comportamentos de saúde.
Na busca da saúde de forma integral, a educação tem tido um significado muito importante por colaborar na orientação de ações práticas, trazendo com isso resultados e melhorias na qualidade de vida e no fortalecimento do sujeito como um todo. As práticas educativas, devem possibilitar ao indivíduo o ato de conhecer ou reconhecer a aquisição de suas habilidades a favor da tomada de decisões na busca por um melhor aperfeiçoamento. É perante este entendimento que a saúde e a educação em saúde devem orientar suas práticas, tendo um papel defensor e facilitador para com o grupo de atuação, os quais interagem necessitando de mudanças em toda a sociedade.
O comprometimento da educação para a saúde, no contexto escolar, consiste em dotar as crianças e os jovens de conhecimentos, atitudes e valores que os ajudem a fazer opções e a tomar decisões adequadas à sua saúde e ao seu bem-estar físico, social e mental, bem como a saúde dos que os rodeiam, conferindo-lhes assim um papel interventivo.
A primeira grande conferência internacional sobre Promoção da Saúde decorreu em Novembro de 1986 e culminou com a CARTA DE OTTAWA, esta conferência convocou a Organização Mundial de Saúde (OMS) e os demais organismos internacionais a advogar em favor da saúde em todos os contextos, uma vez que a educação para a saúde não é da responsabilidade exclusiva dos serviços de saúde; todos os setores, nomeadamente o da educação, são responsáveis pela construção de um bem-estar global.
A escola é considerada para a educação para a saúde, um cenário para a promoção da saúde, por ser um importante equipamento social do território e agregar uma parcela significativa de crianças, adolescentes e jovens da comunidade. Apesar de ser vista como reducionista, sendo realizada a partir de práticas impositivas, prescritivas de comportamentos ideais, que tornam os sujeitos objetos passivos das intervenções, que comumente são preconceituosas, coercitivas e punitivas.
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), parte de uma visão integral e multidisciplinar que defende três premissas fundamentais
.
1. Educação para a saúde com um enfoque integral, fundamentada nas necessidades dos alunos em cada etapa de desenvolvimento e conforme as características individuais, culturais e de gênero. O enfoque da educação em saúde baseia-se em valores positivos para fortalecer nos estudantes suas habilidades para a vida.
2. Criação de ambientes e entornos saudáveis, com base tanto em espaços físicos limpos, higiênicos e estruturalmente adequados quanto em entornos psicossociais sãos, seguros, livres de agressão e violência verbal, emocional ou física.
3. Articulação com os serviços de saúde que tem por objetivo detectar e prevenir integralmente problemas de saúde, dando atenção precoce aos jovens, assim como formar condutas de autocontrole para a prevenção de fatores de risco.
O Programa Saúde na Escola (PSE), lançado em setembro de 2008, é resultado de uma parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação reforça a prevenção à saúde dos alunos brasileiros e construir uma cultura de paz nas escolas. Constituído da avaliação das condições de saúde, envolvendo estado nutricional, incidência precoce de hipertensão e diabetes, saúde bucal, acuidade visual e auditiva e, ainda, avaliação psicológica do estudante, da promoção da saúde e da prevenção, que trabalhará as dimensões da construção de uma cultura de paz e combate às diferentes expressões de violência, consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Também neste bloco há uma abordagem à educação sexual e reprodutiva, além de estímulo à atividade física e práticas corporais. O monitoramento ocorre através da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e  do Encarte Saúde no Censo Escolar (Censo da Educação Básica), elaborado e aplicado no contexto do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), as atividades são planejadas pela Equipe de Saúde da Família levando em conta o ano letivo e o projeto político-pedagógico da escola. Enquanto a educação em saúde, através dos Núcleos de Telessaúde, da UNASUS e da UAB.
Assim, é possível estabelecer estratégia de trabalho, dados tais como 15% das crianças e 8% dos adolescentes sofrem de problemas de obesidade, e oito em cada dez adolescentes continuam obesos na fase adulta, desta forma, sabemos que há consumo demasiado de alimentos gordurosos, falta de atividades físicas, ansiedade, depressão, mas também fatores hormonais e fatores genéticos. Fatores como, gravidez na adolescência, drogas de abuso, HIV/AIDS e demais DTS, doenças como gripe, hepatite, dengue, zyka, entre outras devem ser trabalhadas.
A busca por uma objetivação das ações humanas, fruto de um racionalismo de ímpeto controlador, tanto na educação quanto na saúde, acaba contribuindo para um processo de objetivação dos próprios sujeitos destas ações. Assim, o professor pode reduzir-se a um transmissor das informações, e o aluno, um seu correspondente, um mero receptor passivo das informações educativas. Por sua vez, o profissional de saúde pode tornar-se um operador de protocolos e condutas, e o ‘ doente’, um corpo onde se dá a doença.
É fundamental que na educação e na saúde seja aplicado o valor sustentabilista, onde tanto o professor quanto o profissional de saúde deverão ter, como objeto de trabalho, não apenas alunos, não apenas doentes, mas seres humanos que estão inclusos em uma sociedade, com histórico, familiares, com influência no ambiente onde estão incluídos.
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