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NO BRASIL A FACA SEMPRE TEM DOIS GUMES – ANALISANDO AS ÚLTIMAS PESQUISAS.

Por Samuel Marques

No Brasil, as análises precisam ser rápidas, se demorar muito, perdeu-se tudo, porque o cenário já mudou. A últimas pesquisas divulgadas, Datafolha e Ibope, não nos trazem tons tão reveladores assim. Mas se esperava com muita apreensão os números, por vários motivos. A facada teria impacto a favor de Bolsonaro? Ciro manteria seus números? Alckimin cresceria? Marina ainda está por aí? E Haddad, mesmo ainda não sendo o candidato oficial do PT, na pesquisa, subiria? Vou tentar responder algumas questões.

A facada em Bolsonaro, não mudou em nada o quadro. Nas duas pesquisas ele sobe um pouco, e fica dentro da margem de erro, em relação ao que acreditamos ser teto dele, que será 25%. Esse número me chama a atenção porque pelos eleitores do moço, esse é o número de pessoas de bem que existem no Brasil. A rejeição de Bolsonaro é absurda, acima de 40%, o que pode explicar o porque o atentado não deu o resultado que alguns esperavam. Esse número também joga por terra, a ideia de que ele poderia vencer no primeiro turno, isso só acontece se a Globo pegar ele no colo, e não vai, pelo menos não nesse momento. Para não perder a viagem, Bolsonaro foi vítima dele mesmo, de seu discurso de ódio, de sua intolerância. Quem prega violência não tem como colher a paz. Voltando para a questão eleitoral, o candidato do PSL permanece onde estava antes da facada, ou seja, vencendo no primeiro turno, e perdendo para quase todos no segundo.

Ciro Gomes (PDT), mantém o seu crescimento nas duas pesquisas. Os embates tão esperados com Bolsonaro nos debates, não vão mais acontecer, afinal, já não estava rolando mesmo. Ciro adotou uma linha rivotril, e parece estar guardando para o segundo turno suas apresentações dignas de Ciro Gomes. Porém, existe o que se preocupar, apesar do crescimento. Precisa pisar em ovos, e torcer para o dia 07 ser amanhã. O discurso de Ciro e militância se concentrarão agora em explicar que só ele vence com folga Bolsonaro no segundo turno. Ciro pode ainda crescer, mas não depende só dele, e sim de como o cenário vai ficar com a presença de Haddad, agora oficialmente candidato.

Marina Silva, cai nas duas pesquisas, mas isso já era esperado. A candidata da Rede é a que mais carece de construção partidária, e ela vai pagar sério por isso. Apesar de seu incrível recall de votos, ela não consegue sustentar isso durante muito tempo. Não se precisa bater na Marina para ela perder votos, isso acontece naturalmente, por ausência de militância e presença nas cidades e estados. Ela teve tempo para fazer isso, teve oportunidades, mas ela mesmo jogou fora. E quem dizia que isso ia acontecer, era taxado por sua fraca militância de recalcado e invejoso. O tempo está provando que política não se faz como se o partido fosse uma ONG.

Alckimin tinha tudo para crescer. Ele não tem tempo de televisão, ele tem uma temporada de Netflix. O “centrão” fechou com ele, e até agora não somou o esperado. Costumo dizer que o moço da merenda sofre muito o efeito de Aécio, que conseguiu queimar o PSDB a níveis jamais vistos. O tucano está a anos tentando ser Presidente, e mesmo assim não consegue oferecer nada de novo. A facada em Bolsonaro parece ter matado o homem da merenda. A direita, que prega o antipetismo joga o voto útil em Bolsonaro.

Haddad chegou. Depois de uma novela mexicana, com atores do ABC paulista, o PT decidiu lançá-lo a Presidente, desistindo das manobras jurídicas que tentavam viabilizar Lula como candidato, que vale lembrar, se fosse venceria com o pé nas costas. Aí vai o fator surpresa. E as pesquisas não respondem de fato, se Haddad subiu até onde pode, ou se agora, oficial candidato de Lula, ele pode mais. Para os petistas, ele passa o Bolsonaro em uma semana, mas como disse Mariana, nem em Israel se viu tanta fé. Claro e óbvio as chances de Haddad são grandes, mas se ele não subir na próxima pesquisa, a esquerda se consolida no voto útil a Ciro, até porque nas projeções de segundo turno, o petista empata com Bolsonaro em uma das pesquisas e perde em outra. O embate entre Haddad e o armamentista é muito perigoso, pois coloca em evidência um problema que não se resolve em semanas, o antipetismo.

Todos os demais candidatos cumprem um papel básico, alguns na linha ideológica, e outros buscando de 3% a 5% para negociar um segundo turno. Mas de todos dos acima citados, chamo a atenção para Meirelles, que está gastando milhões do próprio bolso, e isso, mesmo sabendo que não tem nenhuma chance de vencer.

A eleição está aberta. Continuo afirmando que apesar de não sabermos quem vence, podemos afirmar que já se tem um perdedor, Bolsonaro. A sua grande rejeição não foi fabricado só por ele, mas pelos seus seguidores, que espalham suas palavras e fakes news, o rotulando cada vez mais como alguém incapaz de gerir uma nação. Pesquisas são importantes, porque ajudam os candidatos a planejarem suas estratégias, e até quem diz não acreditar nelas, as usam para mudar seus planejamentos. No Brasil é assim, a faca tem dois gumes, sempre.

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Samuel Marques

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Samuel Marques
Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

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