Quando voltei a praticar esporte, retornei aos meus tempos de escola. Escolhi voltar primeiro a jogar voleibol. Tenho sérias dificuldades em trabalhar sozinha. Muitas vezes, isso me atrapalha na profissão. Em outras, acabo por liderar o trabalho em equipe, e me destaco por este diferencial competitivo.

Dos treinos de voleibol, tiro a generosidade feminina. Somos em maioria mulheres já maduras, entre seus 30 a 40 anos. Temos jogadoras com uma melhor idade e outras com uma menor idade, mas todas em prol do coletivo. Em cada treino, reaprendo melhor sobre a importância de entender a dificuldade e estender as mãos para quem precisa. Jogar em equipe, especialmente com mulheres, é entender a sororidade na prática.

No time, temos as mais experientes, as líderes, as “capitâs” e também temos as novatas. Não de idade, claro, mas novatas que ainda se reencontram cruas naquela modalidade esportiva. A cada jogo, talvez elas não saibam, mas exergo nelas o quanto o mundo está nas mãos de mulheres. Nós sabemos trabalhar em equipe. Nós respeitamos umas às outras, nós levantamos umas às outras, nós entendemos as dificuldades umas das outras e trabalhamos assim, à fundo, o empoderamento feminino.

A cada dia que piso naquela quadra, consigo me reconectar com minha pauta, minha luta. Somos tão plurais. Algumas do mercado corporativo, outras bancárias, algumas cuidam integralmente de suas famílias e eu, imersa na política e produção cultural. Mas usando shorts, joelheira, tênis e camiseta de time, somos todas iguais e somos fortes juntas. Foi impossível minhas companheiras de time não enxergarem meu ofício, quando começamos a nos relacionar por redes sociais. Algumas fazem piadas, outras me elogiam. Tampouco importa. Vejo em cada uma delas, a força ancestral feminina que carregamos.

Talvez elas não saibam mesmo nada sobre mim, mas a cada jogo, aprendo mais sobre o funcionamento das “coisas” do mundo. A cada treino, idéias e soluções para que o mundo seja mais justo e mais digno me vem à mente. Não importa o que cada uma é fora dali, porque elas me são.

Neste momento do Brasil, só consigo pensar no meu time de  voleibol. E graças aquelas mulheres, eu ainda acredito que vamos juntas salvar o futuro do País, quiçá do mundo. Está em nossas mãos a paz mundial. Não estamos em concurso de beleza. Estamos na luta. Porque lugar de mulher é onde ela quiser.

(Não citar “aquele que não se pode dizer o nome”, é uma forma implícita de dizer #elenunca)

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Mariana Perin

A louca dos Buldogues Franceses, Yawo de Oya, feminista, dividindo seu tempo entre política e produção cultural.

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