Eu sou apaixonada pelo meu coletor menstrual. Daquelas que defende, mostra para as amigas, pede para as pessoas segurá-lo para ver como é. Sempre que posso, dou um de presente para alguma amiga relutante. Já levei meu copinho em algumas palestras, para que as pessoas pudessem ter esse contato. Aquele objeto, que mensalmente está dentro de mim, é objeto de estudo.

Na primeira vez em que fiz isso, muitas das mulheres presentes ficaram com nojo de mim. Outras se recusaram a segurá-lo. Mas o mais interessante é perceber que a maioria das mulheres não optam por uma forma diferente de coleta de sangue menstrual, simplesmente porque elas tem nojo de seu sangue – que é limpo e belo (inclusive agradeço as manas dos diversos grupos no facebook, que compartilham imagem desse líquido sagrado). A forma mais fácil de debater resíduos sólidos e período menstrual é provar, por a + b que a mulher produz uma quantidade absurda de lixo desde a sua primeira menstruação.

Durante sua vida fértil, da puberdade até a menstruação, estima-se que as mulheres usem até 15.000 absorventes descartáveis, entre internos e externos. O problema é que esse lixo se torna tóxico e demorará cerca de 100 anos para decomposição completa. E mais, a exploração de matéria-prima para a fabricação desses produtos também é alta. Fora o alto índice de proliferação de bactérias na região vaginal, dado o uso de absorventes descartáveis. Acho que essas dicas são suficientes para que você, mulher, opte por produtos mais ecológicos e consequentemente mais baratos no consumo final, como o meu querido coletor ou os absorventes ecológicos de pano laváveis e calcinhas absorventes laváveis (o coletor custa cerca de 40,00 R$ em promoções, e acaba “se pagando” em 4 meses, comparado de uso de absorventes comuns, e dura cerca de 10 anos. Sobra até um dinheirinho pra uma cerveja, para inteirar uma conta ou mesmo para comprar uma brusinha. Para higienizá-lo, é só ferver. Dá pra até usar microondas).

Além do coletor e absorventes, também dou uma dica para as mulheres que queiram optar por um objeto de prazer mais ecológico, que eu particularmente estou apaixonada (mas infelizmente ainda não encontrei para venda!). Se chama Ocean Dildo. A MTV internacional fez uma campanha e criou um objeto fálico para prazer, produzido 100% de plástico reciclado dos oceanos. O produto é hipoalergênico, assim como o copinho! Uma empresa chamada Earth Angel também fabricou um produto feito de material reciclado e com uma manivela para gerar a vibração. Não é incrível? Se alguém souber onde vende no Brasil, por favor, me avise!

Eu acredito piamente que todas mulheres DEVEM escolher seu brinquedo favorito (pode ser anel, com ou sem vibração, pode ser objeto fálico, chuveirinho, pode ser o que ela quiser e sentir prazer!). Masturbação feminina também é um enorme tabú, e masturbar-se é o primeiro passo para a autonomia do nosso próprio corpo e conhecê-lo. A masturbação, assim como o coletor menstrual, é libertador e faz a mulher ter contato com um novo conceito sobre si mesma. A famosa “siririca” é a melhor forma de estabelecer uma relação de amor com a gente de forma horizontal.

Mana, não tenha medo de falar e pesquisar sobre sexo, pois o sexo é naturalmente um ato político. O feminismo está diretamente relacionado a esses dois temas. Quando aliados a uma consciência ecológica, vemos que podemos reduzir os impactos ambientais nas pequenas atitudes, agindo localmente.

Força sempre e ame seu corpo, acima de tudo!

 

 

Fontes:

http://adnews.com.br/publicidade/MTV-lanca-dildos-com-lixo-do-oceano-para-quem-nao-quer-Fo-a-natureza.html

https://www.ecycle.com.br/component/content/article/67-dia-a-dia/3989-absorventes-intimo-interno-externo-feminino-menstrual-diario-noturno-impactos-residuos-persistem-meio-ambiente-saude-mulher-infeccoes-sindrome-choque-toxico-alternativas-coletor-reutilizado-soft-tampom-absorvente-biodegradaveis.html

 

Mariana Perin

A louca dos Buldogues Franceses, Yawo de Oya, feminista, dividindo seu tempo entre política e produção cultural.

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