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Liberdade para as artes!

Por Sarah Tempesta

Ninguém é artista! Liberdade para as artes!

Salve Monteiro Lobato, único a se rebelar na semana de arte moderna de São Paulo, a famosa semana de arte de 22 (1922). Realizada em São Paulo, e nessa época era uma das cidades mais ricas da América Latina, e pessoas ricas estavam sentindo que faltava algo, a arte!
Efeito talvez da monotonia de ver tanto grão de café se transformando em dinheiro, dinheiro esse às custas de trabalho escravo, e posteriormente trabalho escravo também feito por imigrantes brancos europeus jogados em meio as roças de café.
O sotaque tímido e um pouco bagunçado dos trabalhadores imigrantes já não divertia mais a elite paulistana, até que descobriram Paris o local ideal para enviarem seus filhos obtusos e preguiçosos, se nada desse certos os “filhos do café”, ao menos artistas seriam.
Os filhos de fazendeiros e aristocratas retornam ao Brasil, decidiram juntos em festas e boemia, o que seria brasilidade , um DNA para a arte brasileira; os pais eram os mecenas. Meninos mimados talentosos. Talento para gastar o dinheiro das famílias ricas!
E de Taubaté, Lobato viu aquilo tudo como mais uma insanidade e doutrinação feita pela elite. Lobato, um brasileiro legitimo capaz de escrever os mais belos livros infantis que retratava com muita arte e maestria a vida das crianças brasileiras..
Mas Monteiro Lobato era uma voz, uma voz vinda do Brasil profundo, o Brasil dos nossos lindos e profundos sertões, e o povo já era arte e arte já era o povo!
E naquele tempo , os meninos ricos iam estudar arte na Europa, não estudavam, em realidade passeavam e aproveitavam tudo que a Europa efervescente dos anos vinte poderia oferecer. Voltaram, reuniam-se em saraus repletos de vinhos, poesias e manifestos! Artísticos logicamente, tudo era arte!
Essa corrente artística paulistana se deu em meados dos anos vinte a vinte e dois, exatamente como é atualmente em dois mil dezessete. Uma elite determina, a mídia distribui a “arte”, e algumas pessoas lucram.
Pessoas ricas, sempre se consideram artísticas. Dominadoras da estética e mapeiam tendências literárias, estéticas, musicais e etc. São como, ” semi deuses” , pobre de nós que somos pobres mesmo e não participamos de nenhuma elite artística.
A arte vem do povo! A arte é o que está contido em cada um de nós como expressividade de nossos sentimentos mais profundo, o que nos remete à vida é a arte, e não a dor e o sofrimento. Arte é vida. Arte é para ser vivida! Todas as pessoas são arte em movimento.
Liberdade para as artes! A arte não pode pertencer a ninguém.
Arte somos todos nós, da ternura a luxuria, somos nós os artistas das nossas vidas, de tudo que nos acompanha de nossos ancestrais e daquilo tudo que nos diverte e que embeleza as nossas singelas vidas.
Somos livres para libertar as artes! A arte é a obra mais profunda de todo um povo e que nos aprofunda em nossa identidade, e transitar em tudo que queremos!
Meninos mimados não fazem arte! Nunca fizeram.

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