Sociedade Sustentabilidade

Fitzcarraldo, o meu amigo índio imaginário!

Por Sarah Tempesta

Assisto este filme desde criança, e Klaus Kinski ( que interpreta nesta saga cinematográfica),  para a minha singela avaliação como cinéfila, considero o melhor ator que a arte cinematográfica já produziu.

A sinopse deste filme é bem sucinta e diz: Um aventureiro larga o mundo civilizado para realizar um sonho na Amazônia. Um épico no final do século XIX, nos áureos tempos da borracha. (Direção: Werner Herzog).

Discordo da sinopse, discordo da intenção do roteirista e do diretor ( roteiro e direção, Werner Herzog), desta obra prima do cinema.

Os índios neste filme são o eixo principal desta historia cheia de situações controversas, porem os índios não são controversos nem mesmo como antagonistas desta saga.

O filme reflete a capacidade de um homem vindo da “civilização” e a sua capacidade alucinada de sonhar e enlouquecer com maestria, uma maestria que somente os que sonham tem em suas respectivas desorganização emocional que a sociedade “civilizada” impõe!

Fitzacarraldo, o homem branco sonha em construir uma opera em meio a selva amazônica para montar um espetáculo dedicado a Caruso. No inicio este filme é bem clichê e mostra uma elite que explora as riquezas da Amazônia e nenhum momento o diretor do filme explica essa “colonização elitista” na selva amazônica.

Aos poucos o filme te prende, Fitzcarraldo não é gente. Começa então uma transformação mitológica da personagem tamanha loucura.

A loucura toma forma quando ele compra um barco e decide extrair látex para vender, ficar rico e construir o teatro para as apresentações de opera em meio a selva amazônica.

A tripulação do barco é repleta de imbecis, ironicamente o único lúcido é Fitzcarraldo. E o barco inicia a viagem para o tal lugar que seria o “eldorado” da borracha, e a riqueza estava lá a espera.

Num dado momento, Fitzcarraldo orientado pelo cozinheiro da tripulação diz que estão sendo observados no rio infinito em meio a selva por índios. E todos sentem medo. Medo de indos “selvagens”!

Os índios calmamente em suas canoas aparecem, e vão em direção ao barco imenso dos homens “brancos”.  A historia se desenrola, os índios entram no barco, observam os homens brancos, os homens brancos temem um ataque dentro do barco, o roteiro do filme fica raso novamente e obvio.

Os índios percebem que o homem branco precisa de ajuda, e os índios ajudam o homem branco. Os índios percebem que o homem branco é fraco sozinho e os índios são fortes porque estão sempre unidos!

Os índios com inocência e temendo também a fraqueza do homem branco, transformam sem perceber o homem branco Fitzcarraldo em um índio bom.

Os índios fazem de Fitzcarraldo um homem conformado, pois seus planos deram errado e mesmo assim ele seguiu em frente.

Essa é a força do índio! O índio transforma, observa e tem amor mesmo que com uma inocência para nós “civilizados”, nos aparenta uma certa infantilidade.

O índio não julga! O índio não toma posse! O índio não ofende!

Fitzcarraldo é o meu amigo índio imaginário! Vive na minha imaginação, eternamente!

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