Se eu  fosse outra coisa se não eu mesmo , seria uma meia dúzia de telhas francesas de cimento. As que tinham na primeira casa dos meus pais em Minas( São  Francisco) . Minhas companheiras nas madrugadas  infinitas de dez, vinte  minutos de insônia.  O medo que me dava  por causa do ronronar dos gatos, correndo e namorando sobre minha cabeça…. A lâmpada apagada, iluminada pela luz da rua que vazava pelas frestas. As vezes balançava porque também entrava vento e ela a lâmpada ,que pra ascender tinha que dar aquela girada final, ficava estrategicamente  em cima da parede para quando acesa iluminar os dois quartos.   A primeira vez que cheguei em Diamantina, fui tomado por uma nostalgia infantil. Empaquei no meio da estrada. Olhava feito bobo todos aqueles telhados de barro encardidos e centenários, e que em algum lugar ali eu pudesse estar debaixo a conversar com elas … talvez telhas pretas, tingidas pelo fogão a lenha , como as da casa da minha avó.  Mas essas aqui são de Natividade no Tocantins, na bela fotografia de Ana Nero .

Che MoaiS, colunista Global Sustentável
Natividade de Tocantins por Ana Nero
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