Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Por Samuel Marques

Essa semana estourou o que faltava para deixar o futuro governo sem o ar necessário para manter sua corrida. Aconteceu de tudo com os Bolsonaros. Teve briga no grupo do zap, teve Onyx cada dia mais acuado com seu caixa 2, teve Magno Malta cantando um pagode gospel melancólico e teve escândalo envolvendo assessores e o rebento eleito ao senado. Esse último acontecimento inclusive tem até Michele Bolsonaro. Mas o que está realmente ocorrendo? Calma, eu explico.

No mês passado foram presos dez deputados na Alerj, coisa normal para nos aqui do Rio, na operação “Furna de Onça”. Em consequência dessa operação foi feito um pente fino nas movimentações bancárias de pessoas ligadas a Alerj. A ordem era encontrar movimentações financeiras incompatíveis com as rendas de seus respectivos titulares. Na quinta feira veio a tona que o Coaf (Conselho do controle de atividades financeiras), encontrou movimentações para lá de estranhas na conta de um ex assessor de Flávio Bolsonaro, em torno de R$ 1.200.00,00. Essa bagatela foi movimentada entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, sendo que R$ 300.000,00 em dinheiro vivo. O relatório também consta que Fabrício Queiroz, que era motorista do Deputado e filho do presidente mitológico, recebeu depósitos de outros 8 assessores de Flavinho. Entre as movimentações de Fabrício, está um cheque deR$ 24.000,00 para Michele Bolsonaro, a nova recatada e do lar de Brasília. No mesmo relatório foi encontrado também a filha de Fabrício Queiroz, Natália, que foi assessora de Flávio e depois virou assessora do novo Presidente, Jair Bolsonaro. No caso dela, também foram verificadas movimentações financeiras estranhas.

Flávio,Fabrício, Natália e nem Jair são alvos da operação da PF, mas no Brasil as coisas são assim, nem sempre se acerta no alvo, mas para nós cariocas, ainda mais se tratando de política, não existe tiro perdido. Tanto o assessor de Flávio quanto sua filha foram exonerados no dia 15 de outubro desse ano. E rapidamente Flávio saiu em defesa de seu ex funcionário, dizendo que ele nunca teve nenhuma atitude que o desabonasse. Onyx em entrevista saiu bufando e largou a entrevista ao ser perguntado sobre o caso. Moro, novo Ministro da Justiça preferiu o silêncio, do mesmo jeito que sempre fez quando era juiz em Curitiba.Não, ele não fazia isso, dava pitaco sobre tudo, entre umas risadas e outras com o Aécio. O novo Presidente disse ontem que emprestava dinheiro ao amigo e assessor do filho, e que o depósito na conta da esposa era o pagamento de um desses empréstimos.

Algumas questões precisam de muitas explicações. Uma pessoa que movimenta R$1.000.000,00 de reais precisa de R$ 24.000,00? De onde vem esse dinheiro? Para onde foi? Na Alerj, um assessor movimentando esses grandes valores pode ser inocente? Se o eleitor do Bolsonaro que acredita que o mesmo e sua família são os paladinos da moral e da ética, fizerem arminhas com as mãos, podem se sentir menos enganados?

Agrande verdade é que tudo isso vem trazendo grandes problemas para o novo presidente. Além de sua transição lambona, repleta de mudanças de ideias, quase uma Marina Silva, Bolsonaro agora tem que trabalhar as consequências desses escândalo. Alguns partidos já pediram abertura de investigação contra a família de Bolsonaro e suas movimentações. Dentro do PSL, o tapa está comendo, e a deputada eleita Joice Haselmann foi para o embate com Eduardo Bolsonaro e vazou a conversa para a imprensa. Joice por sua vez, ao ser chamada de louca por Eduardo, fez um discurso quase feminista, irônico demais. Major Olímpio se meteu, levou a briga para o Twitter, e informações internas dão conta que o grupo do da bancada do PSL 2019 anda bem silencioso.

A verdade é que para quem falava que honestidade era obrigação, a coisa está bem estranha para o “mito”. Trapalhadas no campo diplomático, investigados que viraram ministros, reuniões com DEM, PSDB e PR para montar base, 22 ministérios ao invés dos 15 prometidos, e agora, assessor do filho com muito dinheiro sem dizer de onde veio e distribuindo para a família Bolsonaro. Mas está tudo bem,o importante é que estamos combatendo a ameaça comunista que inventou o Kit gay, a tese de que a terra é redonda e o aquecimento global. É isso aí que precisa mudar, tá ok?

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Samuel Marques

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.



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