Brasil

Eu Sobrevivi

Por Sarah Tempesta

Mateus Ferreira, nasceu e cresceu em Osasco, São Paulo.

Oriundo de família “simples”, assim como a maioria das famílias brasileiras. Especializou-se em Tecnologia da Informação, em situação estável o destino o leva à Goiânia. Assim quis a vida?

Ou Mateus é o símbolo do brasileiro sagaz que não tem medo de mudanças, não tem medo da vida?
Mateus é um herói que luta por justiça e democracia neste país e faz parte da nova geração que acredita que suas lutas são justas, pois já consta em sua biografia seu ato heróico: sobreviveu após uma violência policial em uma manifestação a qual o fez ser hospitalizado, comovendo o Brasil todo, Mateus é o símbolo da nossa resistência!
Resistir para lutar!
Resistir para ser justo e construir uma sociedade justa e igualitária!
Sobreviver, como todos nós brasileiros que somos sobreviventes!
Obrigado Mateus Ferreira, por nos ensinar que sim é possível acreditar no Brasil e nos ensinar que “loucura” é não acreditar em justiça!

Mateus Ferreira, nasceu e cresceu em Osasco, São Paulo.

Oriundo de família “simples”, assim como a maioria das famílias brasileiras. Especializou-se em Tecnologia da Informação, em situação estável o destino o leva à Goiânia.

GS: Como você pensa o Brasil?

MATEUS: O Brasil com toda sua diversidade e desigualdade, possui uma parcela da população que lhe foi negada o direito de existir durante muito tempo, classes marginalizadas pela sociedade, carentes de políticas de inclusão social, alijados de serem reconhecidos como cidadãos e como sujeitos. Essas pessoas se organizaram e através do orgulho de sua raça, de sua cor, de sua origem, de seu gênero e de sua cultura começaram a ser vistos. A partir de seu orgulho tiraram forças para lutar uma luta pela sua existência.

E a essas pessoas pertencem a capacidade de criar uma nova identidade nacional, não a identidade da ordem e progresso, nem do país do Carnaval. O Brasil é mais do que isso e o resgate do nosso orgulho como povo, passa pelo entendimento real de nossa diversidade social e cultural.

GS: O que você  vai fazer  pelo seu país?

MATEUS: Seria pretensioso dizer o que vou fazer pelo meu país. Mas posso dizer que sempre que puder fazer algo que favoreça uma transformação social e política farei.

GS: Você passou um momento muito difícil,  como foi? Faria novamente?

MATEUS:Acredito que pode ter sido um divisor de águas na minha vida. Tudo é muito diferente, agora. A exposição pública, o fato das pessoas me reconhecerem na rua, a marca em minha testa. Sempre lembrarei da violência sofrida, carrego na pele, nos ossos e na alma o desprezo do Estado contra movimentos sociais e a vergonha de um Estado que insiste em não ouvir as pessoas. E sim, faria tudo novamente.

GS:O que te motiva na política?

MATEUS: É uma ótima pergunta. Contradizendo todos os prognósticos, muitas vezes negativos, daqueles que governam para interesses privados de alguns. Ainda acredito na força, na solidariedade, no diálogo. Acredito na característica marcante de nosso povo que é a força de lutar pela existência. Isso tem nos feito cada vez melhores ao longo desses 500 anos. Costumamos criticar o tal “jeitinho brasileiro”, mas é esse jeitinho que nos mantém vivos em uma sociedade desigual e oprimida.

GS: Você  faz política?

MATEUS: Todo ser humano é um ser político. Me lembro que certa vez estava conversando com alguns engraxates em São Paulo, era período de eleição para presidente. E um deles disse – “o Aécio vai ganhar, está na hora de colocar um homem lá”. Isso é política e não era um pensamento isolado, uma política cercada de misoginia, mas era política.

GS: Existe um futuro num país onde a corrupção destruiu a nossa crença  política,  social e cultural?

MATEUS: A corrupção não destruiu a nossa crença política, nos enganamos quando a colocamos como grande vilã. Os partidos é que destruíram nossa crença política, se tornaram distantes da vontade popular, não democratizaram seus quadros, formaram elites internas de poder que é passado de pai para filho e para netos. O que existe não é apenas uma crise moral mas é uma crise democrática. A corrupção não destruiu nossa sociedade nem nossa cultura, o que nos destrói são os interesses privados. Os interesses privados nos dividiram como nação, esses interesses matam, subjugam, destroem quem somos. Isso acontece quando um grileiro invade uma terra indígena e os mata, tirando suas vidas e sua cultura. Acontece quando uma pessoa é morta por expressar seu gênero, ou é impedida de conseguir emprego por ser quem é. A destruição de nossa sociedade acontece, quando negros são encarcerados sem critérios e permanecem presos mesmo sem julgamento. É isso que nos destrói.

GS: Sobre Cultura de Direitos, alguns coletivos e algumas iniciativas autorais tem mostrado a sociedade uma possibilidade de mudança,  um modo de abrir o debate para a construção de uma democracia fortalecida, o que você gosta e o que você não concorda nos novos debates que se apresentam em 2017?

MATEUS: Os movimentos autônomos em minha opinião, representam a grande esperança desse país. Movimentos que não são ligados a partidos mas manifestam o interesse de classes desfavorecidas pelo poder público. Muitas vezes o que uma pessoa quer são coisas simples e essenciais, como, poder estudar, dar comida pro filho, ter acesso a um cinema, poder fazer um esporte. Mas o que nos é negado é o nosso direito à cidadania.

GS:Qual seu sonho?

MATEUS: Sim, tenho um sonho. Que todos possam ter uma vida digna, com acesso a coisas básicas. Somos um país com recursos suficientes pra isso. E que todos possam ter seu lugar no mundo, que seus pequenos sonhos possam ser possíveis. Em uma sociedade que muitas vezes nos impede de sonhar, ainda tenho sim motivos. Pra ficar num exemplo mais próximo, a solidariedade que recebi prova que ainda somos capazes de trabalhar juntos.

GS: O que traz a “paz”? Justiça  ou democracia?

MATEUS: Pra mim é difícil conceituar a paz, mas entendo que os conflitos são mais presentes em uma sociedade desigual. A falta de diálogo e a falta de canais que proporcionem a participação popular direta criam um ambiente menos democrático.

Portanto desigualdade e falta de comunicação criam um distanciamento político da população e um descolamento entre o que é realizado pelo Estado e a realidade, pois falta inclusive responsabilidade, mesmo o que é feito precisa ser aperfeiçoado através do diálogo com as pessoas.

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