Anna Neto por Rafael Bosco.

“Eu nasci em um cafezal”!

Anna Neto, filha de produtores deixou seu trabalho com eventos para se dedicar aos negócios da família e encontrou paixão e inspiração em algo que já fazia parte de seus dias desde o berço.

Da cidade de Jacuí, Sul de Minas Gerais, Anna conta que se não existisse hospital em sua cidade seu nascimento teria sido em um cafezal. Ela via o café como um hobby, uma diversão, o que ela chamava de “o trabalho dos meus pais”.

Trabalhava com eventos e no ano de 2015 em uma de suas viagens para mais alguns dias de muita intensidade no Rio de Janeiro, ela conta que ficou 3 dias dormindo apenas 15 minutos, e foi esse o “chega”. Estava decidida a sair de seu trabalho por entender que aquela rotina já a desgastava e não mais fazia sentido.

Participava de cursos e workshop na área do café por curiosidade. Mas foi em uma feira em Minas Gerais que ao ver um torrador em exposição vislumbrou um insight. Comunicou a família que sairia do atual trabalho e iria adquirir um torrador e começar uma nova jornada.

Seu pai lhe perguntou se tinha certeza do que queria ao passo que Anna disse não ter certeza, mas estava decidida e foi assim o seu início. A princípio a ideia era sair de São Paulo e torrar café visando o mercado mineiro, mas… sua decisão coincidiu com o convite de um amigo do antigo trabalho para ser sócia em uma cafeteria, a Toque de Café. A cafeteria e o projeto com torra completam 1 ano e 6 meses e Anna já traça suas próximas metas:

“Tenho 3 metas a cumprir no momento atual da minha vida. A primeira é aumentar os pontos de venda da marca Netto Café, marca que criou ao iniciar seu trabalho com torra. A segunda é expandir a torrefação, prestando serviço a outras marcas de cafés especiais, por exemplo. E a terceira é comercializar o café verde, seja para corretores, para baristas, para quem se identificar com minha proposta.”

Anna ressalta que em uma fazenda ela percebe que a mulher consegue lidar com diversas tarefas em que os homens não têm muita paciência.

“A rastreabilidade, por exemplo, processo em que há um acompanhamento desde o talhão até a xícara, passando por todos os estágios necessários à formação do produto final como beneficiamento, armazenagem, formação de blends, torra e empacotamento, é uma tarefa delicada e burocrática, normalmente as mulheres tem mais dinamismo para acompanhar todo esse processo, enquanto os homens se preocupam mais com a produção e com as vendas.

Na fazenda há uma distribuição dos trabalhos com o cafezal.

José Neto seu pai, por exemplo, que trabalha nas lavouras desde os 13 anos, cuida das tarefas dos colaboradores e se certifica que todas elas estão sendo feitas de acordo.

Sua mãe, a Dona Fátima cuida do pós colheita, de papéis e documentos importantes para o controle de tudo.

Ana Paula, irmã e agrônoma auxilia nas decisões que serão tomadas no cafezal, nos cuidados diários com a nutrição das plantas e a investigação de doenças.
Anna finaliza com a rastreabilidade, qualidade, separação dos lotes e destino aos diversos compradores.

Recentemente Anna foi convidada a participar de um grupo de mulheres produtoras de café, onde a ideia principal é a troca de informações.

 

 

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