Por Samuel Marques

 

Continuando nossa série de entrevistas com os pré-candidatos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, hoje teremos Leonardo Giordano. Vereador da cidade de Niterói pelo PC do B, está em seu segundo mandato, e tem uma história muito interessante de militância e engajamento. Em Niterói é campeão de projetos, com 54 leis aprovadas em oito anos, tem gente com 28 anos de legislatura que não tem 3. Foi autor da lei que garantiu o aleitamento materno em público, e dá ao cidadão desempregado a isenção das taxas no concurso público. Giordano é um dos autores da ação que condenou o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) a pagar R$150 mil reais ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos por declarações homofóbicas.

Leonardo sabe muito bem que o desafio é enorme, principalmente no que diz respeito a relação com a Alerj, e sua maneira de fazer política: “Tem que parar de tratar os deputados comprando eles com dinheiro e cargo, tem que estabelecer um programa visível para sociedade com pontos claros, governar em cima desse programa e pedir medidas da Alerj em cima deste programa objetivo e tratar com cordialidade, com seguridade, com cooperação os demais poderes, o caso do Judiciário e do Legislativo, mas também com altivez porque o que tem acontecido no estado do Rio de Janeiro é que o governo do estado só trabalha com a Alerj comprando os deputados, isso tem que acabar”, declara o pré-candidato.

Nascido no interior do estado, Giordano revela um projeto de governo que contempla todo o estado: “Eu sou nascido no interior do Rio de janeiro, eu sou candidato da região metropolitana, mas que não é da capital. Eu acredito que a questão do desenvolvimento no interior do Rio de Janeiro é a chave”.

Sobre a intervenção militar Giordano critica o Presidente pela “manobra” ao decretar a ação: “…e eu lamento muito que o Temer se refira a intervenção Militar no rio como abre aspas, é uma fala dele: “Uma Jogada de mestre” Eles tratam assim a vida do povo mais pobre, então agora que depois que chamou o Exército o próximo passo se for escalonar nessa lógica, chamar os capacetes azuis da ONU porque o problema não vai se resolver com a repetição do método, o problema é de método não é da cor do uniforme que está realizando…”.

Na entrevista podemos achar conteúdo e direção. Na série VOZ DAS URNAS de hoje, Leonardo Giordano PC do B.

Abaixo da entrevista tem o podcast com a entrevista na íntegra. Aproveitem e acessem o nosso canal.

 

Global Sustentável: Leonardo, vamos começar perguntando quem é Leonardo Giordano?

Leonardo Giordano: Eu sou nascido na cidade de São Fidélis, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Comecei na militância política no movimento de estudantes, aqui em Niteroi mesmo, aos 15 anos de idade. Depois de uma experiência de militância na base, nos movimentos sociais, eu tive participação nos governos aqui locais, na época da gestão do Godofredo Pinto. Fui subsecretário de Orçamento Participativo, Defesa do Consumidor em outra experiência, na terceira experiência fui subsecretário de Meio Ambiente da cidade. Nesse processo fui candidato a vereador, minha campanha era muito militante, eu fazia campanha dentro dos ônibus da cidade, igual baleiro… E eu tive uma votação muito expressiva embora não me elegi na primeira vez. Eu cheguei assumir o mandato por um ano e dois meses, depois fui candidato novamente, venci as eleições e agora fui reeleito…

 

Global Sustentável: No dia 30 de maio, o Extra noticiou uma união entre o PC do B e o PDT em uma conversa interessante, entre os dois partidos, com relação apenas a eleição do Rio,. Quais são as desse acordo, ainda existe a pretensão de envolver outros partidos nesse projeto?

Leonardo Giordano: Então, nós temos defendido a necessidade da unidade das esquerdas no Rio. O Rio de Janeiro passa pela pior crise da sua história, a gente tem intervenção militar, o estado falido, a Cedae para ser vendida, a UERJ para ser fechada, um regime de recuperação fiscal humilhante, que envolve o estado do Rio de Janeiro e  a gente não consegue ter uma saída clara para a população, e nesse cenário é fundamental que a esquerda possa se juntar. Temos procurado os partidos de esquerda, já tive um café com Tarcísio, a gente conversou com PSB, com o PDT, já tivemos com PT, mas agora com a escolha da Marcia Tiburi vamos ter uma conversa com ela também e o que se construiu ali foi a elaboração de um programa mínimo comum. O PDT manteria a sua candidatura  e  nós manteríamos a nossa, mas a gente ia começar a tratar a construção de um programa comum para o estado do Rio de Janeiro. Por enquanto não é uma unidade eleitoral, mas é uma unidade no sentido de colocar esses partidos frente ao real problema que é a derrota do projeto do PMDB no rio não vou nem chamar de MDB porque é o velho PMDB e esse velho PMDB ele pode até estar escondido em outros partidos mas ele continua sendo o PMDB.

 

Global Sustentável: A segurança Pública é o alvo das atenções do Rio e temos vivido uma intervenção que de fato até agora não apresentou nenhum resultado. Qual sua opinião sobre intervenção Federal no Rio de Janeiro?

Leonardo Giordano: Bom, primeiro dizer que eles têm desmoralizados de uma forma covarde as nossas forças Armadas, que são respeitáveis chamando elas para se desviarem de função sem o projeto claro, sem objetivo estratégico, sem que possa ter mensuração acompanhamento da sociedade em relação a quais as metas que ele estão perseguindo e eu lamento muito que o Temer se refira a intervenção Militar no rio como abre aspas, é uma fala dele: “ Uma Jogada de mestre”. Eles tratam assim a vida do povo mais pobre, então agora que depois que chamou o Exército o próximo passo se for escalonar nessa lógica, chamar os capacetes azuis da ONU porque o problema não vai se resolver com a repetição do método, o problema é de método não é da cor do uniforme que está realizando. Chamar o exército para ele fazer mais do mesmo significa acolher os mesmos resultados de antes. Os policiais que são os que mais matam, mas os que mais morrem, é fundamental que de fato se pratique investimento em inteligência, 90% dos homicídios no Rio de Janeiro não são esclarecidos. Como é que pode alguém tá falando sério em termos de segurança pública se o principal crime  que é o crime contra a vida simplesmente não tem esclarecimento, não tem investigação é isso que eu pretendo mudar se a gente fez pelo povo do Rio de Janeiro tiver oportunidade   no governo seguinte.

Global Sustentável: O caos que o Rio de Janeiro vive hoje se explica muito pela relação promíscua que a Alerj tem com o Executivo do Estado, e não é por acaso que os últimos três presidentes da Alerj estão presos. Porque temos essa relação na política carioca?

Leonardo Giordano: Tem que parar de tratar os deputados comprando eles com dinheiro e cargo, tem que estabelecer um programa visível para sociedade com pontos claros, governar em cima desse programa e pedir medidas da Alerj em cima deste programa objetivo e tratar com cordialidade, com seguridade, com cooperação os demais poderes, o caso do Judiciário e do Legislativo, mas também com altivez porque o que tem acontecido no estado do Rio de Janeiro é que o governo do estado só trabalha com Alerj comprando os deputados, isso tem que acabar… Eu acredito que se tiver acompanhamento da sociedade se as pessoas estiverem sabendo que está sendo feito, ponto por ponto que vai ser votado o que se pretende, você pode ter um controle social maior sobre o legislativo ao não comprar e desfazendo essa verdadeira quadrilha que tá lá. Eu penso que ao derrotar o PMDB no estado poderemos ter uma Alerj um pouco diferente, as coisas tão pouco casadas…

Global Sustentável: Com relação ao funcionalismo público do Estado do Rio que você pensa em relação a essa situação que ocorre hoje aos atrasados também educação e Saúde?

Leonardo Giordano: Rio de Janeiro assinou um pacto humilhante, que é o regime de recuperação fiscal. Esse regime de recuperação fiscal tem como horizonte colocar a culpa da crise no servidor público… O problema do Estado do Rio de Janeiro, tem a ver com uma perda progressiva da arrecadação… Estado do Rio deve cobrar os grandes devedores e isso não é feito, e cobrar por exemplo a lei Kandir, que a gente não pode cobrar por que assinou esse pacto que é o regime de recuperação fiscal. A lei Kandir dará ao Rio de Janeiro cerca de 60 milhões de reais, isso resolve a crise do Rio e o Pezão, assinou que o Rio de Janeiro abre mão de cobrar judicialmente isso não é nenhuma coisa fora da curva, muito difícil… Nosso vizinho, Minas Gerais, está cobrando. Criamos um pacto que faz com que a gente role a dívida por três anos, mais três e depois ela vai voltar em cima da cabeça do Povo do Rio de Janeiro com juros… O Rio de Janeiro não tem problema de funcionalismo público no plano estadual, o Rio de Janeiro tem máquinas administrativas menores do que é Minas e Bahia como eu citei. Eu vou dar exemplos, na área de turismo tem um turismólogo concursado em toda. A Secretaria de Assistência Social do Estado do Rio tem um assistente social concursado, basta às pessoas checarem. É claro que a gente precisa ter um funcionalismo público que de fato seja do tamanho correto para prestar um bom serviço, mas não é verdade dizer que os servidores públicos do Estado do Rio são marajás… Precisamos recuperar e fortalecer o serviço público do Rio.

Global Sustentável: Somos um estado que fecha escolas, e isso mesmo com a demanda aumentando. Na área de educação, quais cuidados especiais passam pelo seu plano?

Leonardo Giordano: Precisamos no caso da educação e saúde, dois temas que têm categorias extremamente organizadas… elas acumularam ao longo de décadas um conjunto de propostas de que ninguém, simplesmente tem escutado. O que eu pretendo fazer é a adoção dos programas dessas categorias para suas áreas de origem, então no caso de educação você tem uma lista de propostas enormes tanto pedagógicas quanto administrativas que podem ajudar a resolver o problema. O Centro para mim, continua sendo a questão da recuperação da capacidade de investimento porque uma vez resolvido isso… você vai poder aumentar a rede, buscar uma educação integral, resgatar as ideias do velho Leonel Brizola que são corretíssimas para a área de educação… Construir um papel para UERJ… dialogando com eles, É muito importante que as Universidades estaduais pensem no Rio de Janeiro, elas tem uma enorme contribuição a dar…

Global sustentável: Foi bom termos falado no interior. Quais são suas propostas para o interior do Estado do Rio?

Leonardo Giordano: Eu sou nascido no interior do Rio de janeiro, eu sou candidatos da região metropolitana, mas que não é da capital. Eu acredito que a questão do desenvolvimento no interior do Rio de Janeiro é a chave… Se você pegar região metropolitana de São Paulo, o interior de São Paulo, e comparar com a capital, se fizer isso com Minas Gerais, se você fizer isso com a Bahia… Vou usar isso de exemplo, as regiões metropolitanas e o interior não tem uma simetria tão grande em relação a capital. Se vc pegar o ABC Paulista, da cidade de Campinas, tantas outras você vai ver um desenvolvimento espalhado. O caso do Rio de Janeiro é traumático, as cidades da região metropolitana funcionam como cidades dormitórios em relação ao Rio e o interior do estado fica abandonado sem investimento. Um exemplo disso é que no ano passado o estado do Rio de Janeiro arrecadou para o governo federal por volta de 140 bilhões de reais… Um absurdo que é um parêntese no meio disso, é que a gente ficou por volta de 40 dos 140 milhões arrecadados de qualquer maneira, só a cidade do rio de Janeiro foi responsável por 130 milhões dos 140 milhões arrecadados pelo Governo Federal. O que significa que o resto do estado do Rio de janeiro arrecadou 10 milhões… A questão do interior do Estado é uma das mais importantes. Os governadores abandonaram completamente o interior, e isso é algo que eu quero mudar, assim um dos grandes problemas do Estado do Rio de Janeiro é que o interior do Estado não vê o governo até na hora de travar política de segurança pública, isso fica evidente. Eles fazem o crime migraR para o interior do Estado, e eu quero fazer uma mudança nisso, valorizando e investindo no interior do estado do Rio de Janeiro.


Global Sustentável: Sobre o tema, Sustentabilidade, sabemos que o nosso estado foi saqueado também nesse quesito. Quais são as propostas de seu futuro governo na área ambiental?

Leonardo Giordano: Eu penso que é um tema extremamente amplo, e existem algumas medidas importantes para serem tomadas ao mesmo tempo, eu quero fazer a retomada do desenvolvimento do rio na parte de obras públicas. Eu queria fazer um plano “máster” de saneamento de Janeiro, um grande investimento em saneamento ambiental… Ter uma atenção especial com as áreas de Proteção Ambiental  e reservas no Rio de Janeiro, que na minha opinião tem sofrido um certo abandono. Aumentar o investimento na fiscalização das legislações, que também ficou a meu ver abandonado. Você mencionou muito bem a questão dos licenciamentos ambientais. É pouco claro, e tem denúncias de corrupção graves alí que precisam ser enfrentadas… Uma política de desenvolvimento precisa estar conectada com a questão da sustentabilidade. Esses dois temas não são mais dissociados…

Global Sustentável: Vereador foi um prazer uma honra, nós falamos praticamente de tudo. Eu queria dizer que o Global tem um prazer enorme de entrevistá-lo, e acreditamos na renovação da política. Suas considerações finais.

Leonardo Giordano: Eu quero cumprimentar o Global e a equipe toda pela qualidade do trabalho. Foi uma entrevista com perguntas de substância. Temos visto uma época do jornalismo onde alguns, infelizmente, tem ido pelo lado de criar espetacularização dos temas, e vocês tem ido na substância, prestando um trabalho relevante, e eu quero cumprimentar também pela dimensão de vocês serem um veículo da comunicação comunitária alternativa. É um veículo que não tá ligado aos grandes grupos mas que consegue fazer um jornalismo de independência… E uma última notícia, é que se eu for o governador do Estado do Rio de Janeiro, eu vou reservar 30%, no mínimo, das verbas de publicidade para veículos pequenos do Estado do Rio, que são da comunicação Comunitária alternativa, blogs, rádios comunitárias, jornais de bairro… Para poder valorizar essa multiplicação da democracia, diversificação das  coberturas, dos olhares, das visões, que eu acho que se fortalece a democracia. Então muito obrigado pela entrevista.

Abaixo, o podcast da entrevista.

 

*Colaboração da Jornalista Aparecida Basto.

 

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Samuel Marques

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.



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