As vezes eu sinto uma coragem imensa de falar do assunto, outros momentos acredito que seja melhor me calar… mas percebo que no memento de hoje, é mais adequado que eu deixe de lado a vaidagem, deixe de lado o medo e a vergonha para tratar do assunto.

A depressão é um problema bastante sério, clinicamente é uma alteração bioquímica no cérebro, motivada por alguns gatilhos, muitas vezes uma frase, situação, um olhar, até uma cena… e acontece.

Aconteceu comigo, nem sei como, anos atrás, era adolescente, apenas um menino de óculos, acima do peso, e que não compreendia o motivo de sempre preferir ficar em um canto que no meio de outras pessoas, que preferia andar sozinho que andar com alguém ao lado.

Sabe que é interessante lembrar daquela época? Eu sentia dor todos os dias, mas a dor era dividida, a dor de cabeça que esteve presente desde a infância, doia tanto que as lágrimas saiam dos olhos, mas com os óculos essa dor só ocorria a noite, havia a dor nas costas, que resultou em anos de fisioterapia, a dor era também na pele, e por dentro, parecia ser uma dor na carne, nos ossos…  cheguei até o caminho do uso de alguns medicamentos… foi daí que tudo mudou.

A dor virou sono, a dor virou passado, a dor virou confusão, até um certo dia, eu estava passando pelo viaduto do chá, e a vontade quase incontrolável de ter meu corpo voando… “será que seria dolorido ao tocar o solo? será que passaria na TV? será que algum carro passaria por cima?”

E a vontade se repetia, muitas vezes, todo viaduto, toda vez que chegava perto de uma janela, até passarelas, a ideia basicamente era imaginar uma alternativa mais passível de não ter retorno e com isso, toda aquela dor se encerrar, e sempre ao fechar os olhos, via mais cenas, mais possibilidades, mais e mais.

nessa época, ainda continuava assim…

Os anos se passavam, a dor continuava, a vontade era cada vez maior, mas também perceber que eu não iria fazer falta a ninguém, me segurava em tentar ao menos fazer algo para ser lembrado, pois seria muito mais triste chegar ao fim, sem ao menos deixar alguma marca.

Mais anos, muitos anos se passaram, alguns momentos de muita alegria, outros de muita dor, cabeça, costas e pés ainda fazem parte da minha vida, mas percebi que sozinho, a vontade de pular continuaria, busquei ajuda, mas nunca havia assumido sobre a vontade de saltar deste lugar onde estava para outro onde não sentisse tudo aquilo, e consegui ajuda, consegui ouvir que tudo que fazia parecida muito além do que as minhas pernas e braços pudessem suportar, mas ao mesmo tempo, as realizações fariam muito mais que ser lembrado, me fariam ver sentido em continuar.

Então, por enquanto, a vontade de pular passou, virou vontade de continuar caminhando.

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Farmacêutico-Bioquímico, consultor em organização de sistemas da qualidade, P&D&I, sustentabilista, protetor de gatos, escritor, e curioso oficial

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