Em defesa das nossas águas, por Mayara Jaeger

Estamos em um cenário de colapso ambiental, as mudanças climáticas avançam, caminhamos em uma direção que aponta escassez de água limpa e de terra fértil, onde os povos tradicionais são massacrados e expulsos de suas terras, onde as cidades são cinzas e inchadas. Dentro desse contexto, poluímos nossas fontes de água com esgoto, com agrotóxicos, com hormônios e fármacos. Depois vendemos as fontes limpas para grandes empresas que vão decidir quem delas poderá beber de acordo com seu poder aquisitivo. A gestão das águas nas cidades, privatiza-se! E aí então acentuamos o valor monetário e rebaixamos o valor de uso da água como direito da população.
Não!
Hoje em muitas e grandes cidades ao redor do mundo discute-se a reestatização da gestão das águas, e luta-se por isso! Aqui, em algumas cidades a gestão já é privada, mas em outras ainda lutamos contra a privatização, reafirmando o acesso público e universal à água. É uma bandeira que não podemos abaixar! Além disso, aponto que a falta de água não é de hoje, sempre existiu para parcelas específicas da população e isso não pode ser ignorado.
A água é abundante na natureza, o que a torna escassa é a ganância humana. A sede pelo lucro seca a fonte para matar a sede do povo.
Agora, estão se aproximando dois fórum mundiais sobre a água. Um é o corporativo, com as bandeiras das grandes empresas engarrafadores de água. O outro é o Fórum Alternativo Mundial da Àgua (FAMA), que defende a água como direito humano, que aponta para a crise hídrica e suas injustiças. Um serve aos interesses do capital e outro ecoa a voz dos povos da terra.

É urgente falar sobre nossas águas e defendê-las, pois isso significa defender a vida de todos nós. Defender a soberaniat do povo pelo acesso à água. É preciso jogar luz ao FAMA e ecoar as vozes que vem do campo, da cidade, da periferia, da floresta, do sertão. Precisamos prestar mais atenção às tecnologias de captação de água da chuva, de tratamento das águas cinzas e negras através das práticas permaculturais. Já estamos atrasados, mas as soluções são conhecidas, lutam para se firmar em meio ao caos.

A luta se faz com nossas mãos dadas e coragem no coração. Seguimos em defesa dos direitos de existir de todos os seres da nossa casa comum.

Água não é mercadoria! Água é direito de todos os seres vivos.
Não é um produto. É mais do que um recurso!
É sagrada, divina.
Água, nosso princípio gerador fundamental à vida.
Faz parte de nós. Nos compõe, nos lava, limpa e purifica.
É força feminina, que existe, resiste.
Que sejamos como ela, transparente e fluida.
Cristalina e abundante.
Seguindo sempre!

Mayara Almada Horta Jaeger, cientista ambiental e ativista pelas causas socioambientais.

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