Educação

Educar (n)a vida

Amanda Malucelli

Educação é um assunto de todos, para todos, tudo permeia e ninguém passa por ela inerte. É apontada como parte da solução para todos os desafios complexos e estruturais que enfrentamos e, quando se fala em sustentabilidade, lá está ela como tema transversal que traz a esperança para uma mudança cultural.  As vezes nos referimos a ela como aquela solução que – apesar de “única saída” – ninguém está disposto a esperar pra ver… “é uma questão de educação…” dizem, “o problema no Brasil é que não se educa pra isso… praquilo…” dizem outros… como se não houvesse mais tempo para investir nessa “solução de longo prazo”.

Mas afinal, que educação seria capaz de dar conta de todas as transformações que precisamos fazer para a regeneração dos nossos ecossistemas, de forma equilibrada com os recursos do planeta e orientada à criação de um futuro de bem viver para todos os seres? Quando se começa a levantar pedagogias, abordagens e metodologias, começamos a perceber que, enquanto escolhemos o “melhor modelo” para nossas crianças, nos damos conta que sequer concordamos entre adultos sobre que visão de futuro que pretendemos construir.

É aí que a educação ganha novamente status universal, assim como a criança, o adulto está em pleno desenvolvimento e assim também a humanidade, caminha, em pleno processo de aprendizagem, adolescente, se adaptando ao próprio corpo, despertando para uma série de novas responsabilidades de que antes não tinha consciência. O bairro, a cidade, o território também podem ser educadores de si mesmos e assim também arrisco o palpite de que a Terra, junto conosco e todos os outros seres, atravessa mais um ciclo de aprendizado.

E se, em vez de enxergarmos a raça humana como o câncer que está deixando a Terra adoecer, pudéssemos reconhecer nossa participação nesse aprendizado? E se pudéssemos olhar de forma apreciativa para os nossos potenciais de uso da razão, habilidades, tecnologias e colocássemos tanto nossa inteligência quanto amor e capacidade de conexão à serviço da continuidade da evolução? Afinal, o que é a educação se não a tradução do processo natural de desenvolvimento, de transcendência e de expansão da vida?

A essência disso que chamamos de educação parece estar justamente no diálogo com o mundo, que nos ensina enquanto entregamos a ele os frutos o nosso aprendizado e, como toda a Teia da Vida, faz-se a interdependência. E nesse diálogo com o mundo aprendermos muitas coisas, aprendemos a coletar, a arar, plantar, colher, isolar elementos, transformamos a matéria, manipulamos energia e criamos uma infinidade de aparatos, ferramentas, “bens de consumo”, até que recentemente começamos a notar a causalidade e os impactos de tudo que criamos, sem no entanto ter aprendido (ainda) como evitá-los, como destinar toda a energia e recursos de volta ao seu ciclo. Essa é a lição que ainda estamos aprendendo, quase em épocas de prova final…

Quanto mais evoluímos no conceito de sustentabilidade, mais ela parece ser sinônimo de integrar, as partes, as supostas separações e as fragmentações que criamos, entre setores, áreas, segmentos, facções, etc. Dessa forma, a única educação que me interessa é aquela que reintegra o ser humano com o movimento de expansão e sustentação da vida!

Com tudo isso em mente, recentemente embarquei numa jornada em busca – não do melhor método – mas da essência disso que existia antes que ganhasse o nome de “educação”. E se nós, adultos, ainda não concordamos no que queremos, tomo como foco de estudo aquilo que seria um microcosmo da humanidade, entre humanos que parecem concordar minimamente em como criar a realidade que desejam viver: as ecovilas.

Nessa jornada que chamei de Transbordas, procuro através da vivência aprender o que essas comunidades têm a ensinar à humanidade sobre uma educação mais integrada à vida, toda forma de vida! Ao longo de seis meses percorrendo o Brasil em busca de Comunidades de Aprendizagem Transformadora, olho para essas três esferas: o Ser Integral; as relações comunitárias; e seu propósito à serviço da Terra.

Se a nível individual andamos em busca de autoconhecimento para curar nossas feridas, no nível coletivo comunidades intencionais como essas podem ser um primeiro nível de “corpo coletivo”, que almeja não só o desenvolvimento de seus indivíduos, mas num futuro breve alcançar um novo degrau da consciência coletiva.

Comunidades inspirando comunidades. Qual é o conhecimento que está prestes a emergir dessa experiência? Que aprendizados serão revelados? O que essas comunidades têm a mostrar? O que dessa experiência me atravessa e pode transbordar para todos nós? Esse é um processo que somente a vivência poderá responder…

Se você deseja aprender junto através dos meus olhos e minhas andanças, esse é um convite para apoiar e acompanhar o projeto em benfeitoria.com/Transbordas.

Amanda Malucelli – Aprendiz, educadora livre, facilitadora e Anfitriã de Aprendizagens Transformadoras. Está descobrindo o poder da comunidade como um elemento transformador na experiência de aprendizagem, através do projeto Transbordas, uma jornada pelo Brasil vivenciando, testemunhando e aprendendo mais sobre comunidades de aprendizagem transformadora, e como elas têm se desenvolvido.

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