por Bruna Paola

O começo de 2018 trouxe duas boas notícias para a luta por políticas de igualdade de gênero: a Islândia se tornou o primeiro país no mundo a aprovar uma lei que exige igualdade salarial entre homens e mulheres que exerçam as mesmas funções; e a Escócia aprovou lei que exige 50% de mulheres nos postos diretivos das instituições públicas.

Um desavisado pensaria que, em pleno século XXI, medidas como essas não fariam mais sentido. Mas sim, elas fazem! E não só fazem sentido, como também são, ainda, extremamente necessárias. O Relatório do Fórum Econômico Mundial de 2017 aponta que a desigualdade de gênero no mundo voltou a crescer, mesmo após décadas de avanços e com a temática inserida nos Objetivos Milênios (2000 – 2015) e mantida entre os 17 Objetivos propostos pela Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável da Organização da Nações Unidas (ONU).

A Islândia é o país com maior índice de igualdade de gênero do mundo (nos últimos nove anos consecutivos!), conforme ranking do Fórum Econômico Mundial. Essa colocação é fruto da luta das mulheres por direitos e por participação política. Em 24 de outubro de 1975, 90% das mulheres entraram em greve e pararam o país, o pontapé inicial para uma série de avanços e para colocar a política de igualdade de gênero como prioridade na agenda governamental; até mesmo durante a crise na economia em 2008, quando o Parlamento monitorou o impacto na desigualdade entre mulheres e homens e levou em consideração igualdade de gênero nas medida adotadas. Iremos aprofundar os avanços conseguidos pela Islândia em um próximo artigo.

Já por aqui, apesar de muitas lutas, as políticas para acabar com a disparidade de oportunidades e salários entre homens e mulheres estão longe de ser uma prioridade na agenda política ou governamental. Inclusive o assunto sequer pautado, como ficou evidente durante a “Reforma” Política do ano passado.

O Brasil vem caindo no ranking do Fórum Econômico Mundial e ocupa a 90a posição dentre 145 países. Apesar dos indicadores serem positivos para as mulheres nos quesitos educação e saúde, a participação política e a desigualdade salarial fazem o país despencar. Seria pior caso o Relatório levasse em consideração os índices de violência: o Brasil ocupa um triste 5o lugar em violência contra a mulher.

Estamos no começo de 2018 (ano eleitoral). Temos, portanto, a oportunidade de dar aqui também um pontapé na mesmice e exigir prioridade para as políticas de igualdade, essenciais para o desenvolvimento do país, na agenda proposta por candidatas e candidatos. Vamos te muita mulher competente na disputa!

* Bruna Paola​, 24 anos, é graduada em Direito pela Faculdade Católica do Tocantins, pós-graduanda em Juventude no Mundo Contemporâneo pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, Assessora Legislativa na Câmara Municipal de Palmas, integrante da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS), Coordenadora Nacional do Elo Mulheres da Rede Sustentabilidade.
brunapaola.cl@gmail.com / facebook.com/brunapaolaBR



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