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Dia Internacional da igualdade feminina: por que ainda não vivemos em uma sociedade igualitária?

Por Raissa Mello

   A desigualdade de gênero é um problema ainda  presente na sociedade. Mulheres são maiores vítimas de agressões ( violência sexual,  verbal, patrimonial)  Uma pesquisa divulgada agora em março pelo Intstituto Avon mostrou que, em média, 18% das pessoas no Brasil acreditam na inferioridade feminina. Cenário onde seria justo mulheres terem salários inferiores aos dos homens, os afazeres domésticos serem exclusivamente deveres de mulheres assim como os cuidados com a família,  dentro dessa realidade mulheres também são vistas com menos capacidade de liderança e menos inteligentes.
Para mudar esse tipo de visão, surgiu o feminismo, que defende que as mulheres são iguais aos homens, capazes de exercer as mesmas funções que eles, assim como eles são capazes de exercer as mesmas funções que elas, como os trabalhos domésticos, por exemplo.O erro mais comum é classificar o feminismo como uma ação que tem o ideal de que as mulheres são melhores que os homens. Os movimentos feministas falam de igualdade e não de superioridade de um ou de outro gênero.“Essa visão social dos papéis estruturantes do feminino e do masculino traz algo fundamental para a reação negativa das pessoas, principalmente dos homens. É um privilégio ser homem no Brasil e a maioria deles reage de forma não amigável ao feminismo”, disse Ana Paula Oliveira , diretora de  Mulheres da União da Juventude Socialista de Curitiba. Diferença salarialNa busca pelo empoderamento e independência da mulher, a percepção da desigualdade começou a se tornar mais presente na vida da população. A cada geração, o conceito de ‘mulher submissa’ do século passado está se esvaindo, o que permite que as mulheres lutem e conquistem seu espaço na sociedade.“A percepção da desigualdade de gênero no Brasil é algo recente, mas já consolidado na sociedade. Cada geração de mulheres jovens tem uma maior consciência dessa desigualdade nas relações pessoais, no trabalho, em escolas e universidades”, afirma Ana.De acordo com a Comissão Econômica das Nações Unidas (CEPAL), as mulheres podem ganhar até cerca de 30% menos que os homens no mercado de trabalho estando em condições semelhantes, ou seja, realizando as mesmas funções.Além de ganhar menos, a mulher ainda enfrenta a dupla jornada de trabalho, que se estende ao voltar para a casa e realizar as tarefas domésticas. Injusto? Sim.Ana também falou que as pessoas até entendem racionalmente essa diferença de gênero, mas que o conceito de família “normal” onde o homem trabalha e a mulher faz as tarefas domésticas é tão forte e enraizado no dia a dia que as pessoas deixam de refletir sobre o assunto quando mais precisam.Essa diferença se torna ainda maior quando se trata de mulheres negras.Duplo preconceitoSer mulher negra é algo que aflige parte da população. Elas normalmente são discriminadas tanto por serem mulheres, quanto por serem negras; além de serem estereotipadas de mulheres pobres, que geralmente trabalham como empregadas domésticas.“As mulheres negras além de sofrerem com o machismo sofrem com o racismo. Essa dupla pressão coloca as mulheres negras numa situação muito maior de vulnerabilidade social”, afirma Ana. Esses estereótipos da sociedade fazem parte do processo cultural. Desde a abolição da escravatura, os negros não tiveram o auxilio necessário para reinserção na vida social, com oportunidades iguais às dos brancos. Consequentemente, essa falta de socialização tornou os negros vítimas de racismos e injúrias raciais. E, claro, a mulher negra é a que mais sofre.“O racismo é algo muito perverso, porque nem sempre ele é declarado, e as mulheres negras são tratadas de forma diferente. Não importa o nível cultural ou social que ela tenha, o racismo continua”, Ana.
*Feminicídio*Segundo o Mapa da Violência de 2018,o número de brasileiras negras mortas aumentou 54% em dez anos. Isso equivale a quase 3 mil mortes no ano de 2013. Já o homicídio de brasileiras brancas aumentou quase 10%, o equivalente a cerca de 1,5 mil casos.Apesar dos números, ainda existe muita resistência ao termo “feminicídio”. “As pessoas têm resistência ao termo porque não pensam na importância dele. A maioria dos feminicídios é feita com requintes de crueldade. Não existe matar por amor; as pessoas matam por ódio e por acharem que têm posse da mulher”, afirma Elza Campos.Feminicídio é quando uma mulher é assassinada devido ao preconceito de gênero. Muitas vezes, os delitos são cometidos por ex-parceiros que não aceitaram o término de uma relação, ou foram denunciados por violência, entre diversos outros casos.“A cada assassinato de uma mulher, a imprensa busca uma justificativa para o crime. Ciúme, traição, rompimento de uma relação etc. Toda vez que se tem uma cobertura que reflete o que a sociedade está acostumada a pensar, você reforça o feminicídio. Ao buscar uma justificativa você permite que mais casos aconteçam. Não existe justificativa para uma pessoa assassinar outra. Isso é uma expressão de ódio”, conclui.
O dia 26 de agosto é um dia de luta, celebrado nessa data em alusão à proclamação dos direitos do cidadão na França em 1789 onde as mulheres passam ser consideradas seres humanos

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