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Desperdício e privatização: a transformação da água em mercadoria na era da globalização

Caxambu, Minas Gerais. Instagram Imagem

Desperdício e privatização: a transformação da água em mercadoria na era da globalização

Brasil é um país marcado por uma multiplicidade de bacias hidrográficas. As águas dos rios foram responsáveis por promover as diferentes formas de vidas nas grandes áreas verdes e ecossistemas complexos. Hoje assistimos de forma crescente, a um desmatamento desenfreado e cada vez mais atroz. As grandes cidades, as áreas de plantation e a ampliação das áreas extensivas de pastagens para a pecuária, tem promovido uma nova dinâmica às paisagens de forma praticamente irreversível. O ciclos de água potável vão se tornando cada vez mais escassos.

O que fazer neste contexto de destruição em massa à beira de uma grande crise ecológica?

O sistema industrial e do agronegócio não dá sinais de mudanças de direção a uma paradigma sustentável. Ao contrário: com a emergência de governos conservadores, a sustentabilidade passou a ser considerado um entrave ao processo de acumulação de capital.

A água que em condições naturais era considerada um bem universal, hoje passou a ser considerada um insumo, uma mercadoria como outra qualquer. Como a água vem se convertendo em commodities em um país como o Brasil cuja geografia é marcada pela presença de grandes rios e por abundância de fonte de águas doces?

Não faltam trabalhos acadêmicos que acusam a crise hídrica aos longo banhos ou a utilização da água em usos domésticos. Todavia, a relação é muito mais perversa no agronegócio e na grande indústria. E aí começaram as corridas às privatizações das águas. Hoje os olhos da apropriação e privatização estão apontadas para as reservas no subsolo.

O Aquífero Guarani vem sendo alvo de grandes empresas globais. Ela corta um território de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, na região centro-sul da América Latina.

Para chegar a ponto precisamos entender a dinâmica predatória do capitalismo industrial. Rios utilizados como canais de  dejetos de esgotos, lixos urbanos, poluentes industriais. Uso intensivo de pesticidas e defensivos agrícolas, relativamente próximos a rios e córregos.

As empresas públicas de tratamento de água e esgoto, emergiram neste contexto. Hoje, no contexto da globalização, observa-se que tais organizações empresariais vêm passando por mudanças em que privatizações ou o controle acionário está cada vez mais sob a tutela do capital privado.

O acesso a uma água de qualidade para as populações pobres e excluídas é cada vez mais distante. Do outro lado, quanto mais escasso é um produto, mas as fontes de água doce passam ser valorizadas comercialmente e de acesso a poucos.

Neste contexto como fica o papel das escolas? As escolas e as suas práticas pedagógicas  se limitam a proferir palestras de uso racional da água em contextos individualizantes, sem considerar a voracidade do capital neste contexto de expansão do capitalismo distópicos. Circunscrevem-se a máximas: use a água tratada com responsabilidade.Mas não deixe de tomar sua Coca-Cola e comer seu Big Mac Feliz.

Sem um olhar  e uma pedagogia revolucionária que coloque em xeque o modelo de desenvolvimento no capitalismo, a escola nada mais é do que uma instituição inócua e amorfa ao considerar o ciclo da água e sua expropriação em um contexto de globalização.

Prof. Dr. Vladimir Luís de Oliveira – Professor de Yoga e Coordenador da Pós-graduação da Escola Superior da Polícia Civil do Estado do Paraná. E-Mail: vladimiroliveira@msn.com.

Caxambu, Minas Gerais. Parque das Águas. Foto Instagram
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