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Compromisso com a diversidade

Há um momento um pouco embaraçoso no geralmente excelente em Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame), que já arrecadou bilhões de dólares, que vê quase todas as mulheres do Universo Cinematográfico da Marvel entrarem (ou correrem ou voarem) em uma batalha juntas.

O Homem-Aranha de Tom Holland está preocupado que a Capitã Marvel Brie Larson não seja capaz de lutar por um exército inteiro para chegar lá, apesar de seus níveis de poder cósmico. Mas não tenha medo: aqui está Gwyneth Paltrow como Pepper Potts / Resgate; Tessa Thompson como Valquíria; Evangeline Lily como Vespa; Elizabeth Olsen como Feiticeira Escarlate; Okoye de Danai Gurira; Mantis de Pom Klementieff; Shuri de Letitia Wright ; A nebulosa de Karen Gillen e Gamora de Zoe Saldana aqui para ajudá-la.

Seria então sororidade? Então lembrar que em Guerra Infinita a cena em que a Viúva Negra de Scarlett Johansson, com Okoye ajudam a Feiticeira Escarlate, e que mesmo sendo incrivelmente a mais poderosa dos Vingadores (quem não sabe, recomendo ler o HQ Dinastia M ou aguardar a série WandaVision e o filme Doutor Estranho no Multiverso na Loucura onde o mago supremo será vivido novamente por Benedict Cumberbatch). Ou seria o fato da própria Feiticeira surpreender Okoye pouco antes, demonstrando seus poderes e ela perguntando o motivo dela ter ficado junto do Visão e não partido logo de início para o front de batalha em Wakanda. Seria então a reprodução de julgar uma mulher frágil, protegendo-a além do necessário?

Cena feminina da batalha de Vingadores: Ultimato

Talvez seja apenas comédia, talvez seja uma forma leve de trazer a discussão para dentro da cabeça de cada um que sendo ou não fã da Marvel ou de filme de heróis, para levar a pensar.

O produtor executivo da Marvel, Trinh Than, disse que o momento não era nada menos que mágico, especialmente graças à platéia do set: “Prestar homenagem às nossas heroínas femininas no MCU e dar a elas um momento para brilhar foi muito pessoal para mim. Eu não tinha ideia de que havia tantas tripulantes e todas nós tiramos essa foto gigantesca junto com todas as nossas dez heroínas principais alinhadas na frente. Foi incrível. Não pensamos que seria um grande momento. era pessoal para todo mundo, mas ver todo mundo aparecer porque era muito importante para eles tornou um momento tão grande para todos “.

Trailer oficial de Viuva Negra

Algumas pessoas podem pensar que a Marvel falha miseravelmente em cenas de bullying explícito, em tom de alta comédia como vista em Guardiões da Galáxia, tanto da aparência de Mantis, ao corpo do Senhor das Estrelhas / Peter Quill de Chris Pratt, mas que muitas vezes parece mais ser uma brincadeiras entre amigos, como a invisibilidade e os manilos de Drax, o destruidor de Dave Bautista.

Agora, temos o novo filme de Viuva Negra, que estará no cinema em 2020, onde pela segunda vez a Marvel dá o título e atenção ao filme de uma heroína, e entre polêmicas de oferecer somente agora um filme título a essa vingadora que está desde 2010 no UCM, sempre tratada como uma heroína de segunda classe, e ser lançado apenas agora, depois que a personagem morre ao resgatar a Jóia da Alma (Vingadores: Ultimato).

No trailer o personagem Alexei Shostakov / Guardião Vermelho de David Harbour é chamado de gordo, algumas vezes, agora aguardemos o contexto, se é uma afirmação de que “os gordos também podem” e que mesmo heróis passam por depressão, como o Thor de Chris Hemsworth que não ficou musculoso rapidamente só por voltar a autoconfiança, mas que continuava digno para segurar o Mjöllnir.

Elenco principal do filme Eternos (Marvel)

Diversidade então é a palavra de ordem do calendário de próximos lançamentos da Marvel. Embora o termo em si não tenha feito parte das apresentações do presidente do estúdio Kevin Feige em eventos como a San Diego Comic-Con e a D23, este é definitivamente um denominador comum dentro da fase 4 do UCM, sobretudo se observarmos as produções focadas em heróis inéditos. Se no passado o elenco de um blockbuster da editora era dominado por atores brancos, em sua maioria homens, dessa vez a Marvel realmente provocou uma mudança significativa. Não apenas deu mais espaço para as heroínas no seu universo compartilhado, como pode-se ver no Hall H, em julho, uma prévia das diferentes etnias e minorias que serão representadas nos cinemas até o final de 2021.

Os Eternos talvez seja a produção mais sintomática dessa postura. A equipe, pouco conhecida até por alguns dos mais ferrenhos fãs de quadrinhos, chegará aos cinemas com um elenco bastante diverso: dos oito integrantes, três são brancos (Angelina JolieRichard Madden e a pequena Lia McHugh); dois são negros (Brian Tyree Henry e Lauren Ridloff); uma é latina (Salma Hayek); um é paquistanês (Kumail Nanjiani); e outro é sul-coreano (Ma Dong-Seok, também conhecido como Don Lee). 

Além da diversidade étnica, é interessante notar que a Marvel não ficou presa nos gêneros originais dos personagens neste projeto. Afinal, se esse fosse o caso, teríamos no filme apenas uma heroína, a poderosa Thena. A decisão de adaptar o veloz Makkari, o Eterno Polar Ajak e o zombeteiro Sprite como personagens femininas muda pouco suas respectivas personalidades. Porém, há um peso simbólico nessa decisão: um verdadeiro equilíbrio entre a força de homens e mulheres dentro da equipe, algo que não se viu dentro da formação original dos Vingadores.

Os Eternos também marca outros dois passos importantes nessa missão da Marvel de ser mais inclusiva. O longa, que estreia em novembro de 2020, trará a primeira heroína com deficiência auditiva da história do estúdio – Makkari será interpretada pela atriz surda Lauren Ridloff – e um herói LGBTQ+. Pelo o que Kevin Feige revelou em entrevistas pós-SDCC, a fase 4 realmente mostrará a Marvel se afastando da heteronormatividade que foi padrão até aqui.

Thor antes e depois da depressão

A pergunta que posso fazer hoje é que será que esse trabalho pode ajudar a termos gerações mais tolerantes?

Percebo que durante esse trajeto, duras críticas tem aparecido nas redes sociais por pessoas que normalmente estão dentro dos padrões e acreditam que conservar esses padrões seja importante, talvez a Marvel tenha apenas o desafio de demonstrar que é possível entreter, sem necessariamente segregar.

personagem – Kamala Khan, a muçulmana Ms. Marvel

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Cristiano Ricardo

Farmacêutico-Bioquímico, consultor em organização de sistemas da qualidade, P&D&I, sustentabilista, protetor de gatos, escritor, e curioso oficial

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