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BOLSONARO E A MILÍCIA QUE MATOU MARIELLE.

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Por Samuel Marques

Faz tempo que nos perguntamos, “Quem matou Marielle Franco e Anderson Gomes?”. Eu sempre imaginei que em algum momento chegaríamos a uma resposta, só não imaginei que poderia dizer que foi o Presidente. Pode ser meio exagerado o que disse na linha acima, mas o dia de ontem (22), trouxe revelações que transformam as minhas palavras em algo factível. Nas últimas semanas ganhou noticiário Queiroz, o motorista de Flávio Bolsonaro, filho do Presidente e eleito Senador no último pleito. Em resumo, Queiroz movimentou 7 milhões de reais em três anos. Nessa conta ele recebia depósitos de vários assessores do gabinete de Flávio. As revelações feitas pelo Coaf movimentaram a política nacional, e o foco passou a ser o laranjal de Bolsonaro. Eleito com o discurso da moral e da ética, Jair agora enfrenta o que não imaginava ser possível tão cedo, a desconfiança de seus próprios eleitores. Seu filho, no centro da crise passa a ser um problema para seu governo, e piora com os 48 depósitos feitos na agência da Alerj, no mesmo dia. Se já não estava ruim, uma operação do Ministério Público prende milicianos envolvidos com o “Escritório do Crime”, uma organização criminosa composta por policiais e ex policiais que operavam desde assassinatos, à caça níqueis, passando pela ocupação de comunidades para fins lucrativos. Dos denunciados pelo MP e alvos da operação de ontem, dois chamam a atenção. Um deles é o Major Ronald Paulo Alves Pereira, que foi preso. Ele em 2003 esteve envolvido na Chacina da Via Show, quando quatro rapazes foram encontrados mortos no estacionamento da antiga Casa de Shows. Naquele mesmo ano, Ronald foi homenageado com uma moção de louvor e congratulações por serviços prestados a população. A homenagem veio de Flávio Bolsonaro, que em 2007 defendeu abertamente a atuação das milícias, que nas palavras do deputado “expurgam do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos”.

Flávio Bolsonaro e Queiroz

Mas o melhor, ou o pior fica para o final. Em 2002 o parlamentar concedeu uma outra homenagem. Agora para Adriano Magalhães da Nóbrega. Ex capitão do Bope. Adriano foi expulso da corporação por envolvimento em uma extensa lista de crimes, e hoje foi alvo da operação, mas se encontra foragido. Mas existe algo especial entre Adriano e Flávio Bolsonaro. Se não bastasse a homenagem nada merecida, a mãe, Raimunda Veras Magalhães, e a mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega estavam até novembro do ano passada no gabinete do Deputado. Para melhorar mais ainda, Raimunda aparece na lista do Coaf, dos assessores que depositavam dinheiro na conta de Queiroz, o motorista e super vendedor de carros, que apesar de morar em uma casa humilde na Taquara, movimentou milhões e precisou pegar emprestado com Jair Bolsonaro 24 mil reias, dinheiro que foi depositado na conta da primeira dama Michele Bolsonaro.

Mas pode piorar? Claro que sim, isso aqui é o Rio de Janeiro amigo. Esses dois mencionados nas linhas acima e envolvidos na operação do Ministério Público, também estão envolvidos na morte da Vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, que daqui a pouco completa um ano. Essa operação de hoje não revela apenas a relação amigável dos Bolsonaros com a milícia, mas a proximidade deles com um atentado de proporções absurdas. E sou obrigado a me recordar de algumas situações sobre o caso que envolve Bolsonaro e família. Na época do ocorrido, o único “presidenciável” que se recusou a falar do caso foi Bolsonaro. Quando no plenário da Alerj houve a votação da homenagem a Marielle com a Medalha de Tiradentes, quem foi o único a votar contra? Flávio Bolsonaro. Assim que Marielle morreu uma série de Fakes News foram disparados nas redes sociais com a tentativa de sujarem o nome e a história de Marielle. Os moldes como isso ocorreu foram os mesmos usados durante o período eleitroral. A justiça tirou do ar algumas páginas de algumas pessoas que depois se revelaram apoiadores de Jair Bolsonaro.

O “Escritório do Crime”, alvo da operação de ontem atua em várias comunidades, entre elas, Rio das Pedras, área da Zona Oeste do Rio de Janeiro. O Jornalista Lauro Jardim na segunda feira, revelou que Queiroz ficou escondido nessa comunidade, antes de sua aparição na TV, e posteriormente sua internação e dancinha. Tente ligar os pontos, e se você não conseguir enxergar nada, reveja sua honestidade.

Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro – Ambos já defenderam as milícias e suas atuações.

Algumas perguntas precisam ser respondidas. Porque parentes de milicianos compõem o gabinete de um Deputado? Com qual intuito isso ocorre? Não vou me ater mais ao Queiroz, apesar de entender que a ordem vai ser para ele assumir mais essa sozinho, pois já está no alvo mesmo, mas como um Deputado deixa em seu quadro de funcionários parentes diretos de uma pessoa envolvida com tudo que ele diz combater? A verdade para essas indagações é que de fato, Flávio nunca combateu nada. Assim como seu pai, nunca se movimentaram em nada para melhorar a vida dos policiais do Rio de Janeiro, tanto na Alerj, quanto na Câmara Federal. Flávio chegou a propor a legalização das milícias. Seu pai foi no mesmo caminho, e durante a campanha do ano passado nunca citou o combate as milícias como algo a se fazer. A própria intervenção sem vergonha ocorrida em 2018, chegou a executar uma série de ações contra esses grupos. A simpatia dessa gente pelos grupos armados, que se utilizam da força para coagir e ganhar dinheiro à custa da população e da ausência do estado é absurda. Essa gente agora se encontra governando o país, o que nos coloca em um poço ainda mais profundo. Foram eleitos com o discurso da coragem de combater o crime, e resolverem o problema da segurança pública, mas em menos de um mês de governo, se descobre que fazem parte da doença e não da cura. Soma-se a isso tudo um caso pouco divulgado, mas que com certeza vai vir a tona, a Tesoureira do PSL e seus irmão milicianos, presos.

No centro a Tesoureira do PSL, juntamente com Jair e Flávio e seus irmãos Alex e Alan, milicianos

Marielle e Anderson foram executados por essa gente, por esses covardes que tentam calar os que se posicionam contra eles, e ao lado dos menos favorecidos. Essa gente se encostou no poder com Garotinho, se organizaram com Cabral e Pezão e elegeram deputados, um Senador  e um Presidente. Essa gente tem Juiz, bons advogados e um oceano de dinheiro. Mas podemos continuar perguntando: “Quem matou Marielle e Anderson?”. Quem apertou o gatilho na Rua Joaquim Palhares ainda não sabemos, mas longe de lá foram muitos, porque ser simpatizante e apoiador dessa gente também os fazem cúmplices.

A família Bolsonaro e seu envolvimento com o crime organizado é a queda de mais um “mito”. Primeiro caiu o da honestidade agora a prerrogativa de que é a esquerda que defende bandido. No caso dele, que odeia a esquerda, e nem senta em cadeira vermelha, emprega a família inteira de bandidos. Se segurem, está apenas começando.

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Samuel Marques

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Samuel Marques
Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

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