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As divisões sociais do afeto

foto sarah lincoln

As divisões sociais do afeto

As pessoas sentem as coisas de forma diferente, pessoas privilegiadas não sentem, gastam num consumo acelerado ao ponto de preencher o vazio que elas mesmas criam, pessoas em situação de vulnerabilidade são mais sensíveis, sofrem e sentem medo o tempo todo, medo de acabar o gás, acabar o arroz e no final do ano o desespero da conta que não fecha para pagar o IPVA do seu respectivo carro popular de 2007!

Antigamente dizia-se: rico tem depressão, pobre é louco!

As pessoas privilegiadas consomem seus opióides, e são aplaudidas pela sociedade, mesmo dopadas, porque o raciocínio social é assim: fulano foi ao médico e está estressado com síndrome do pânico… e está se tratando para que faça e construa uma relação saudável com os seus!

As pessoas desprivilegiadas consomem clonazepam genérico, depois de uma árdua luta para conseguir consulta em alguma Casa de Saúde Mental, com algum psiquiatra em fim de carreira, o coro social: fulano, ah esse não tem mais jeito, vive tendo crise e esse sim é um perigo para a sociedade!

As divisões sociais de afeto e empatia são iguais no mundo todo. Se você é rico o sistema vai te acolher, se você é pobre, é provável que sua família seja a primeira a te abandonar, e você vai perder o emprego porque seu rendimento será baixíssimo, devido aos efeitos das medicações.

Dirão os especialistas em “tudo”: mais nos países desenvolvidos da Europa, as pessoas são felizes e sem as diferenças de classe embargarem os tratamentos psiquiátricos…

Mentira! O maior índice de suicídios são nos países “economicamente desenvolvidos”!

Especialistas ( os verdadeiros, gente que estuda e faz a pratica clinica), afirmam que o afeto é remédio, que o afeto é curativo, logicamente com a assistência médica e os medicamentos controlados e acompanhados.

As divisões sociais do afeto, parecem gavetas em uma cômoda, se eu não sei lidar com a doença de alguém ou a minha, engaveto e depois resolvo… um dia talvez, ou nunca!

Eu acho o suicídio uma cafonice, mas aprendi perdendo pessoas que amava que se suicidaram, a respeitar a dor do outro, pra nós que ficamos a culpa é diária, é uma dor tão profunda que morremos um pouco junto com os que se foram.

Aprendi a respeitar as dores do outro, não quero perder mais ninguém, mesmo na minha arrogância suburbana de achar o suicida um cafona e covarde, encontrei coragem para construir afeto, empatia e escuta pacifica para ajudar as pessoas que amo, e se percebo que alguém esta doente e mesmo que essa pessoa tenha me ofendido, brigado, me insultado, vou lá no fundo busco o amor fraterno da amizade em brasa no meu coração e estendo a minha mão.

Só vale viver, se eu tiver amor na dor. A dor do outro é a minha dor.

Independente de posições sociais, privilegiados ou pobres, somos todos iguais na dor, na doença, no afeto e perseverar sempre com a esperança que sempre estaremos ao lado de quem amamos.

Não faça as divisões dos seus afetos.

Abra as suas gavetas sentimentais e acolha, e procure bem, você pode estar guardado no fundo de alguma gaveta também, retire-se, e cuide-se também, assim todos nós podemos cuidar de todos!

Depressão é doença sim, e esta doença não faz divisão social dos afetos.    

foto sarah lincoln
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