Por Samuel Marques

 

Duas pesquisas ocorreram nos últimos 15 dias, uma a nível nacional e outra com o alvo para São Paulo. As duas dizem muito sobre o que temos pela frente. E não é nada legal. Analisar essas pesquisas e o cenário como um todo é uma tarefa tão difícil quanto ser assessor de imprensa do Bolsonaro. Porque assim como o “Waldemort”  da política brasileira, o cenário pode ser imprevisível. Mas a minha missão aqui hoje é tentar colocar um pouco de luz sobre os desafios que cada postulante ao cargo de Presidente e seus partidos terão pela frente. Assim como Lemony Snicket em “Deventuras em Série”, vou tentar lhe avisar que você pode parar por aqui, e não ler a minha interpretação deste cenário triste, se continuar, é por sua conta e risco.

Nas duas pesquisas conseguimos ver algumas coisas, uma delas é que Lula continua  presente e firme na ponta das pesquisas. É difícil fazer uma análise com Lula, porque de fato ele não será candidato, mas esconder o Lula não está certo, porque na verdade ele é maior que o PT, e seu poder político vai decidir essa eleição. Lula concorrendo, vence em todos os cenários, e não adianta dizer o contrário, é chover no molhado, e a prisão dele foi muito bem aproveitada pelo PT, que cresceu. Mas isso significa que sem Lula, o candidato do PT vence as eleições? Claro que não. O PT não vence essas eleições, até porque Lula não será candidato. O que resta então? Bolsonaro que estacionou com 17%, a um ano, perde em todas as projeções de segundo turno. Marina começou bem, mas se mantém? E com todas essas questões em jogo, para se fazer qualquer análise precisamos levar em conta o descrédito que a política tem junto ao povo, o que eleva e muito os números de abstenções. A criminalização da política, que é um perigo para a democracia e a estagnação da população ante a tudo isso, que não deixa de ser uma consequência, piora o cenário. Então, Vejamos:

 

Jair Bolsonaro (PSL)

Com 17% na pesquisa de semana passada, e em segundo em São Paulo na pesquisa dessa semana, Bolsonaro estacionou. Chegou a seu teto. E a tendência é cair, principalmente na medida em que novos candidatos aparecem, como é o caso de Joaquim Barbosa. Bolsonaro não se firma como alguém fora da política que pensa em mudar o país. Ele não pode representar a fatia da população com aversão a política. Ele é parlamentar a 26 anos, os filhos são políticos, e ele mesmo, além de não ter projetos, nunca se colocou a disposição de resolver os problemas nem do seu próprio estado. Portanto essa incoerência é um dos muitos problemas que ele terá durante o processo eleitoral. Tudo virá a tona, sua “aposentadoria”, seus filhos, seus patrimônios e suas ideias sem sentido. Em todos os cenários sem Lula, ele vence o primeiro turno e perde no segundo. Ou seja, não sabemos quem ganha, mas já sabemos quem perde.

 

Marina Silva (REDE)

Tem potencial de voto? Sim, e isso não podemos negar, mas assim como em 2014, veremos um museu de grandes novidades e uma Marina que não se manterá. Para piorar, seu maior projeto, o seu partido, não evoluiu, muito pelo contrário, ainda foi pulverizado pelas pessoas em torno de Marina, o núcleo duro de sua campanha. Marina não tem um partido para lhe manter, sua militância sonha com um mundo que não existe, a grande maioria, e alguns membros de seu partido, parecem mais que a querem como vice de qualquer um. Não está bem na pesquisa de São Paulo, mas até aí tudo bem, mas em grandes centros como no Rio de Janeiro, seu partido é muito fragilizado. Mas algo me chama a atenção nos últimos dias, ela ficou animada. Sua entrevista para o Pânico não foi ruim, e existe uma ausência das habituais críticas sobre ela na mídia. Marina pode estar se tornando a escolha do sistema para vencer as eleições, o que seria bom para quem controla as grandes mídias e a indústria. Nada melhor do que pessoas que se podem controlar com facilidade.

 

Joaquim Barbosa (PSB)

Vale lembrar que ele não é candidato ainda. Sua estratégia consiste em não assumir a candidatura até agora e ver o que vai dar. Para o PSB, é um nome interessante. As pesquisas mostram isso com tranquilidade. Ele tem 9% a nível nacional e 9% em São Paulo, e isso sem entrevista, sem lançamento de pré-candidatura e sem mandato. Joaquim representa bem os que estão insatisfeitos com a política, e procuram um não político. Se é que isso existe. Mas Joaquim é o candidato que tem o maior e melhor potencial de crescimento atualmente. Com uma história de vida muito interessante, ele foi figura importante no julgamento do Mensalão, o que dificulta o apoio de setores da esquerda. Joaquim precisa se decidir logo, sempre disso isso, mas hoje sou obrigado a reconhecer, que agora, ele não precisa ter tanta pressa. Com temperamento difícil, Joaquim pode ser imprevisível.

 

Ciro Gomes (PDT)

Para Ciro a coisa está complicada na medida em que o tempo passa. Conseguiu crescer a nível nacional, isso no cenário sem Lula. Mas se não tiver o apoio direto do PT e de Lula, poderá ver Joaquim no Segundo turno. Na pesquisa de São Paulo, Ciro está com 4%, o que é um número muito ruim, para uma capital tão importante. Ciro tem o desafio de fazer o PT o apoiar, e quando falo isso, estou me referindo as 7.847 correntes dentro dele. Existe uma simpatia por parte da militância mais esclarecida, e Haddad já deu início a essas conversas. E com certeza, isso não aconteceria sem a ordem de Lula. Se o apoio do PT e de Lula, for para Ciro, aí teremos uma nova mudança no cenário. Acredito nessa hipótese, mas ela não ocorreria agora, porque pela sobrevivência do próprio Lula, sua candidatura precisa ser mantida até o último minuto. Para Ciro, isso não é tão ruim. Mas ele não deixa de ser um candidato em crescimento. Cenas do próximo capítulo.

 

Geraldo Alckimin (PSDB)

O ainda candidato do sistema não tem decolado. Mas está entregando a cabeça dos amiguinhos para salvar sua eleição. Em uma semana tivemos o Aécio réu e o Azeredo quase preso. No cenário nacional, Alckmin está mal, com 7%, mas em São Paulo… Continua mal. Na pesquisa específica de São Paulo ele está empatado tecnicamente com Bolsonaro, o que é humilhante já que historicamente São Paulo é a casa do PSDB, governado por eles a 20 anos. Vale ressaltar que a pesquisa também fala sobre a eleição estadual, que apresenta Dória como líder, seguido de  Skaf (PMDB), o mesmo da Fiesp. Está para nascer estado para votar mal. Mas alguém duvida que Geraldo vai crescer? Não. Mas será que o suficiente para chegar no segundo turno? Talvez o estrago na imagem do PSDB possa ter encerrado com a chances de Alckmin de ser vitorioso. Mas quem conhece o histórico de vitórias do candidato tucano, não o subestima.

 

Manuela d’Ávila (PC do B) e Boullos (Psol)

Vale ressaltar que apesar de terem ficado com Lula até o momento da sua prisão e estarem lá até agora, dificilmente seriam os candidatos do PT ou de Lula. Não existe ganho populacional o suficiente. São candidaturas importantes dentro do atual cenário, onde os partidos precisam ultrapassar a cláusula de barreira. Uma candidatura ao executivo ajuda no legislativo. Para o Psol, Boullos não é uma unanimidade. No atual cenário existe um caminho para a criminalização dos discursos de esquerda, e Manuella, assim como Boullos, sofreriam com isso.

 

Amoedo (NOVO) e Álvaro Dias (Podemos)

Amoedo iniciou a semana explicando sua visão sobre homens e mulheres no mercado de trabalho, e afirmou que se as empresas fazem distinção de salário, não cabe ao estado mudar isso. Liberalismo e justiça social não andam juntos. Mas Amoedo agradará alguns, principalmente os que não se acham pobres, e sonham em sentar em uma mesa que não são aceitos.  Mas seu partido deve fazer um legislativo em alguns lugares. Se fizer um deputado federal em nove estados, se salvou da Cláusula de Barreira. Para Álvaro Dias, a importância é negociar um segundo turno, que com 3 % a 5 %, e em uma eleição complicada, não pode ser desperdiçado.

 

Michel Temer (MDB)

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Samuel Marques

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.



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