Alice NÃO nasceu no País das Maravilhas, mas nem por isso deixou de ter esperança em um país e um mundo melhor.

Para se tornar parte do mundo que Alice enxergava como real, ela teve que lutar contra tudo o que em oportunidades dizia: Alice, NÃO!

Mulher, negra, líder por natureza, líder política, visionária em seu tempo, capaz e sobretudo rebelde contra todas as injustiças e desigualdades Alice Gabino, tem que ser antes de tudo forte!

Como ser forte sem perder a ternura? Alice, NÃO sabe como, mas sabe que assim como tantas outras mulheres lideres, precisa lutar por um espaço que é tão seu quanto de qualquer um ou uma.

Filha de costureira e de técnico de telefonia, Alice é forma em direito, de uma turma de 60 alunos, além de Alice apenas 1 tinha a pele escura. No universo acadêmico Alice não sentiu distinção de trato, saber, amizade e ou qualquer natureza pois nunca se enxergou menos que seus pares.  Vem então a necessidade de estágio, de colocar em pratica o que aprendia em sala de aula. Alice, NÃO estagiou em grandes escritórios de advocacia, não por ser incapaz ou não ter buscado as vagas ofertadas no mercado, mais sim, ver várias e várias portas dizerem Alice, NÃO! Pele escura, em escritório de advocacia ostensivo NÃO! Alice, NÃO se intimidou foi a luta e dentro do terceiro setor em uma ONG encontrou as portas abertas ali foi o primeiro Alice, SIM!

Não é fácil ser mulher, negra e pobre numa sociedade pronta para dizer Alice, NÃO! Lutamos contra o racismo silencioso que se alastra em uma sociedade carente de valores, mas que ao mesmo tempo ostentam plaquinhas em protestos difusos pedindo igualdade, pois é moda, é bonitinho pedir trato igual, mas depois que acabam os protestos todos votam para suas vidas e sem nem perceber dizem para as Alices, NÃO!

Vamos lá, fechem os olhos e me digam: Quantas mulheres negras vocês conhecem em espaço de liderança?

Garanto que além de ter sido difícil responder à pergunta, muitos de vocês não conseguiram contabilizaram uma só se quer. Isso se dá por que a sociedade machista que vai às ruas ostentar plaquinhas nos protestos: “Lugar de mulher é onde ela quiser” é a mesma sociedade que diz: Alice, NÃO!

No universo politico os espaços para a mulher negra é quase que inexistente, apesar das mulheres representarem mais de 51, 4% da população brasileiras e os negros ocuparem a representação de 53, 6% da população brasileira, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Apesar disso o Brasil tem uma média histórica de apenas 10% de mulheres na política (na Câmara são 10%, 52 deputadas entre 513 eleitos), ambiente ainda dominado pelos homens. Quando partimos para o recorte étnico racial, destas 52 deputadas eleitas, apenas 3 são negras.

E é neste universo de desigualdades que contra tudo e contra todos Alice Gabino caminha em busca de um país que não seja o País das Maravilhas, mas que seja o país para todos e todas, pois acredita que o tempo é Alice, SIM!

Alice Gabino  hoje é Líder Feminina da região nordeste do Movimento Brasil 21, Líder Política na Rede de Ação Política pela Sustentabilidade – RAPS, Membro da Executiva Nacional da Rede Sustentabilidade – REDE Coordenadora Estadual de Movimentos Sociais e Ativismos pela REDE em Pernambuco e se diz uma resistente social que acredita em um país de oportunidades.



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