Vivemos em um período onde as pessoas necessitam mandar recados, mas não com suas próprias palavras e sim com aquilo que precisam ser. Existe um movimento de negações, passando impressões daquilo que de fato não são. A sociedade tem cobrado isso, e na política não é diferente. Na era da estupidez, quanto menos se souber e menos tiver preparado para os desafios que virão, significa humildade, e portanto, critério para sair vitorioso em uma eleição. Vivemos no período onde o termo “establishment” virou moda, sem se quer as pessoas saberem seu significado, chegando ao ponto de termos um presidente dizendo ser o representante do combate ao termo acima, mesmo tendo ficado 28 anos sem nenhuma vez fazer qualquer crítica. Chegamos nesse atual mundo a negação da política, e isso tem criado monstros, vestidos de toda hipocrisia e com uma capacidade letal.

A negação da política portanto, virou requisito básico para uma vitoria eleitoral e para se governar uma cidade, um estado e uma nação. Engana-se quem pensa que isso é uma novidade, em outros momentos da nossa curta história democrática isso  já ocorreu, sobretudo nos municípios, e principalmente no Legislativo. Mas nos últimos 10 anos esse movimento ganhou contornos maiores e termos que maquiam a realidade, como “Nova Política”.

Tudo mentira, e o que temos provado é uma horda de despreparados eleitos por dizerem não ser políticos, mas que se candidataram a cargos políticos. Falta traquejo, malícia, vontade e inteligência. Negar a política é negar a si mesmos. Claro que precisamos de boas práticas, não só na política em si, mas endemonizar a política não significará melhora de nada. Falei um dia desses para um desconhecido em uma fila que não é possível que só exista candidato bandido, mas sim uma população com preguiça de votar e pensar. O resultado disso é o que temos visto em todas as esferas. Para se perpetuar no poder o Prefeito coloca a bota no pé e vai tirar a lama da rua para aparecer bem na foto, enquanto as sirenes de emergência da sua cidade não funcionam. Vemos um Presidente governar sua conta no Twitter e não o país, sendo incapaz de dialogar com o Congresso. No Legislativo a coisa é ainda pior. Enquanto se enaltece o infeliz que vai para a campanha dizer claramente que não sabe o que se tem que fazer, ele eleito, de fato nada faz. Confundem o papel do vereador com Presidente de Associação de Moradores, e instala luz em poste ao invés de criar leis e fiscalizar o executivo.

Não se deve negar a política e sua necessidade incontestável. Alimentar isso é fadar ao fracasso o futuro. No Brasil atual é muito mais fácil entregar a responsabilidade para um “mito” do que assumir que qualquer mudança passa primeiro pelas pessoas como coletivo, e não em um não político. O problema desse país não são os políticos, mas sim quem os elegem.

Por fim o que vemos atualmente é um manual de como se chegar ao fracasso com rapidez, e como esse pensamento da “não política” está nos levando a uma incoerência absurda. Um Deputado que teve 28 anos de mandato, três filhos inseridos na política, que nunca abriu mão de nenhum privilégio, e que durante todo esse tempo apoiou Cabral, Pezão, Crivella e Companhia, foi eleito Presidente com o discurso de ser contra a política. Agora, como Presidente diz que não nasceu para tal. Incoerente demais para dar certo.

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Samuel Marques

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.

Professor de História, pai da Beatriz e um flamenguista sem solução. Apaixonado por política, sempre estive engajado nos movimentos sociais, iniciando com o Movimento Estudantil, a minha história de militância. Atualmente, ansioso por debater as questões políticas no país, se conectando com as mais variadas opiniões, e nunca, mas nunca, sem opinião alguma.



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