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A medalha, a família, o médico, o astrólogo

“Pedro Ernesto começou sua carreira como médico em contato direto com a população mais vulnerável do Rio de Janeiro. Subiu morros para aplicar vacinas, fazer partos e atender quem precisasse. Voltado para as aflições do povo chegou a Interventor e depois prefeito eleito do Rio de Janeiro na década de trinta (34-35). Sua gestão destacou-se pela atenção dada à saúde , educação, e assistência social e previdenciária.

Sua administração intensificou os direitos políticos dos cidadãos, aumentando o número de eleitores. Foi assessorado por Anisio Teixeira quanto às reformas urgentes na Educação. Juntos implantaram um novo modelo baseado no Manifesto dos Pioneiros da Educação de 1932, que propunha um sistema de educação público, universal, laico e modernizante. As 25 escolas públicas construídas em tempo recorde no Rio de Janeiro foram capazes de absorver 27.900 alunos dando-lhes um futuro mais promissor.

Quanto à Saúde, a universalização da assistência médica fez parte da Reforma Pedro Ernesto. As unidades hospitalares cuja construção foi iniciada na sua gestão, embora nem todas tenham sido construídas nesse período, formam o alicerce do sistema hospitalar público e universalizado que temos até hoje no Município do Rio de Janeiro e regiões limítrofes.
Pedro Ernesto foi um visionário que atendeu às necessidades da população sem deixar de lado as importantes manifestações culturais dos cariocas. Oficializou o Carnaval em 32 e incentivou a vinda do frevo de Recife, sua terra natal, para as ruas da nossa cidade.

A questão sobre a condecoração a ser entregue ao Sr Olavo de Carvalho não é ideológica, é sim uma questão de coerência e não merecimento; e na opinião da família não é um fato novo e nem a primeira vez que protestamos. A bem da verdade é a terceira vez que questionamos essa falta de critérios na entrega da mais alta comenda do município a figuras inteiramente desqualificadas para tal, como milicianos e bicheiros.

No que diz respeito ao senhor Olavo de Carvalho, em primeiro lugar ele se declara na parte pedagógica inteiramente o oposto ao legado de Paulo Freire e Anísio Teixeira, inclusive se manifestando ideologicamente e indevidamente a esses educadores, como se essa corrente pedagógica tivesse um viés político, quando é universalmente reconhecida e reverenciada em outros países, como no próprio EUA, país sempre usado como referência pelo Sr Olavo de Carvalho.

No que diz respeito à área de saúde o abismo é ainda mais profundo. O Sr Olavo de Carvalho defende o modelo atual de saúde americano, onde o indivíduo, mais uma vez ao contrário do que pensava Pedro Ernesto, faz com que o cidadão pague por seu seguro saúde, o que impossibilitaria que a imensa maioria do povo brasileiro tivesse acesso a um sistema de saúde preventivo decente como prega a Medicina, ou ainda acesso a hospitais, procedimentos cirúrgicos, exames e tratamentos clínicos.

No que diz respeito à cultura, o mesmo pode ser dito, já que pensa nisso sempre com viés ideológico, desrespeitando artistas e principalmente suas obras. Como disse Bertolt Brecht: “O fascista não quer te impedir de falar, ele quer que você fale o que ele pensa”.

O que finalmente nos leva a formação individual e merecimento. É sabido por todos que o senhor Olavo de Carvalho escreveu uma coluna toda segunda feira no Globo assinando como “filósofo”, quando na verdade tem o segundo grau incompleto. Ao ser desmascarado, declarou ser um “filósofo autodidata” (SIC). Alguém em sã consciência aceitaria voar com um comandante de um Boeing 767 ou deixar-se operar por um médico autodidata? Nos como um filósofo como Olinto Pegoraro, com 2 pós doutorados, membro da Comissão de Bioética do Senado, e este sim, digno merecedor da medalha que lhe foi concedida duas vezes, uma individualmente e outra por seu trabalho frente a sua ONG no Morro do Borel, ou o brilhante médico Méer Gurfinkel (do alto de seus 94 anos de idade) se sentiriam vendo seus nomes associados ao senhor Olavo de Carvalho. Ultrajados certamente, como se sente a família, por todos esses fatores, nenhum deles político ou ideológico, somente pelas contradições éticas e meritórias.”

https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/familia-de-pedro-ernesto-repudia-homenagem-olavo-de-carvalho-que-leva-o-nome-do-ex-prefeito.html

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