A importância do círculo de mulheres como apoio e contribuição para a saúde feminina!

Por Hanna Pereira.

Estava programada para procrastinar em mais uma noite sozinha, no quarto, na companhia da internet. Tirei a mochila e me joguei na cama. Fiquei olhando para o teto pensando em nada e em mil coisas. Minutos depois um lembrete: a uma hora e trinta minutos tem o Cine Bosque no Sesc, um cinema ao ar livre, com o filme ”Eles Vivem”, filme realizado no ano de 1988, de John Carpenter. O fascínio por uma boa teoria da conspiração levou-me 30 minutos depois para o táxi.

Assistimos desesperadas com uma vontade imensa de conversar sobre tudo aquilo. Sobre a lua que nos observava acima do telão, o fio de luz que invadiu o céu e sumiu ali mesmo, a teoria e a conciliação com a vida material. Éramos duas loucas rezando para alguém puxar algo do tipo: “Ei, galera, bora debater o filme?” (risos) e assim ficaríamos todos ali divagando os pensamentos. Mas não aconteceu e nos contentamos em caminhar 40 minutos até o restaurante escolhido para nos presentear naquela noite agradável de outono prudentino,(outono de Presidente Prudente).

Entre uma garrafa de vinho, risadas e o saborear de cornicciones, todas as complexidades do universo surgiram. O deck ficou mais cheio e a única família que estava lá quando chegamos foi embora. Cutuquei a amiga e disse para olhar discretamente em volta. Neste instante nossos olhares se encheram de alegria, emoção e êxtase. Ali se encontravam 10 mulheres e quatro mesas com quatro gerações femininas de amigas papeando e rindo sob a supervisão da energia matriarcal da Lua (e alguns varais com lâmpadas). Papos diversos como relacionamentos, o nosso papel diante da vida, a vida acadêmica e os congressos. Refletimos.

Muitas mudanças na relação entre mulheres têm ocorrido ao longo dos anos. Antes, o natural ainda era a relação de competitividade, rivalidade e disputa entre nós. Quem nunca ouviu uma mulher dizendo que prefere ter amizade com homem ou que mulher se veste para outra mulher? Ou ainda assistiu passivamente uma mulher em situação desagradável?

Hoje vivemos a empatia em seu mais alto grau, onde a outra pode assemelhar-se a mim ou não. Mas eu sinto e sentir nos torna uma para com a energia que envolve o feminino, onde me permito sair da zona de conforto e imaginar a situação alheia sem julgamento, pois a vulnerabilidade pode até ser contabilizada numa escala, mas continua sendo somente uma pirâmide que cabe todos nos níveis. Onde as letras de músicas estão sendo “ajustadas” e o salário, as roupas, as demandas de trabalho são questionados. Onde a gente pega no braço da outra inventa um nome vai andando e disfarça para sair ou tirar de uma situação desagradável. Onde estar na rua as 23h ou as 3h com as amigas é o livre direito de ir e vir. Onde luta-se para que ter opção seja um direito e todas as opções sejam opção. Como deixar de afirmar que toda essa consolidação de uma nova era não contribui para a saúde feminina?

Tal transformação está proporcionando uma reprogramação em nossas informações celulares. Conceitos, paradigmas e bloqueios estão sendo alterados e desbloqueados, como, por exemplo, sobre o que é ser mulher, do que é viver sendo mulher, da sensação de ser confiante, do que é se amar sem precisar se submeter, do que é liberdade e etc. Toda força motriz gerada dessa unidade causará reações.

Qual reação causarei neste universo sentindo amada por mim mesma, me sentindo confiante em tudo o que faço? Certamente não será a “bad” da perda de uma oportunidade ou da sexta a noite sozinha. Expandimos, amoras! Erramos, aprendemos, acertamos, ajudamos e reverberamos essa essência criativa de apoio mútuo. Haja hormônios da felicidade em produção!

Quem não é saudável quando é feliz?

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