Ensaios Sociedade

A farsa do trabalhar para si

Resolvi fazer um exercício de reflexão, isso já tem alguns anos, mas hoje achei interessante trazer para o Global Sustentável um pouco dessa reflexão, que inclusive dividirei em algumas postagens, não apenas para a leitura não ser cansativa, mas também para eu conseguir ter outras ideias durante o caminho.

Mas, vou dividir em grupos, o primeiro texto, esse aqui faz parte do grupo das grandes farsas, existem muitas delas em nossa vida, e uma delas, talvez a que mais faça as pessoas destruírem suas vidas, é a farsa do “trabalhar para si”, eu demorei muito tempo para perceber que isso se trata de uma farsa, e vou colocar no próximo parágrafo como consegui chegar nesse raciocínio.

Imagine se pegássemos 3 pessoas (Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau) e colocássemos dentro de uma caixa de aço, com troca de ar, acesso a comida e condições de saneamento dignas, porém, os separando completamente da sociedade. Estes 3 deveriam entrar em comum acordo para que pudessem sair da caixa e com isso, viverem o restante da sociedade. Então, o que faria cada um deles? Quanto tempo eles permaneceriam ali? Será que Hobbes seria capaz de matar Locke enquanto atônito com a brutalidade Rousseau pega algo para se defender? Ou será que Locke seria capaz de se esconder atrás de Rousseau para se proteger de Hobbes em sua versão natural, sem o peso da sociedade? E o que isso tem em relação ao “trabalhar para si”? Será que os 3 sairiam vivos daquela caixa ou jamais sairiam de lá?

Ao fazer esses questionamentos, lembrei que estamos isolados, presos em uma sociedade, onde suas regras, seus acordos, seus contratos, estabelecem que para vivermos juntos, precisamos estabelecer quem manda e quem obedece, e mesmo quem manda, há quem manda em quem manda, e há quem obedece a quem obedece, quase como uma teia, mas que as respostas de hoje, que a sociedade nos impõe, não se trata de extratos sociais muito bem definidos, mas em grupos interligados e que as redes sociais permitem livre migração de influencia, mesmo quando os grupos superiores não aceitem a acensão social dos níveis mais baixos, as organizações dos carbonos (imagem abaixo) explicam bem como a sociedade se organiza e como alguns imaginam, mas isso vou explicar com calma em outros textos.

(a) diamante, (b) grafite, (c) lonsdaleita, (d-f) fulerenos (C60, C540, C70), (g) carbono amorfo e (h) nanotubo de carbono 

Essas formas de se organizar demonstram graficamente ser impossível alguém estar tão isolado como nossos amigos Hobbes, Locke e Rousseau, seria muito difícil os 3 entrarem em acordo sem que algum deles viesse a se tornar líder do outro, ou mesmo deles se destruírem, quase como um Gato de Schrödinger, não teríamos o Estado de Natureza e teríamos o Estado de Natureza, porém, a co-dependência não permitiria que os 3 saíssem de lá, exatamente iguais a como entraram.

Essa não permissão também não torna possível alguém trabalhar para si próprio, sem depender de outros, sejam estes pessoas humanas, mas pessoas animais, pessoas vegetais ou pessoas minerais, pois nós, pessoas humanas somos condenados a se alimentar, não por uma pressão social, como existe para termos um carro, vestirmos determinadas roupas, ou até mesmo termos nossos equipamentos eletrônicos que nos permite ler esse texto aqui, mas somos condenados fisiologicamente a beber, comer e eliminar nossos dejetos, e isso cria uma co-dependência que posso não exagerar, toda empresa precisa de clientes para continuar existindo, o mesmo ocorre com todos os autônomos ou os colaboradores ou os empresários ou mesmo o eremita da montanha, ele está condenado biologicamente a depender de outros.

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Cristiano Ricardo

Farmacêutico-Bioquímico, consultor em organização de sistemas da qualidade, P&D&I, sustentabilista, protetor de gatos, escritor, e curioso oficial

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