Sustentabilidade

"A cidade não precisa ser uma selva de concreto"

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Entre os ambientalistas, existe uma corrente que prega a ideia de que a cidade, principalmente a cidade grande, com seus prédios e tudo mais que caracteriza uma megalópole, tem uma grande contribuição à preservação do meio ambiente. Isso aconteceria, segundo os que pensam assim, não pela cidade em si. Mas sim, pelo fato de, ao promover um adensamento de pessoas em um território razoavelmente pequeno, a grande cidade evita que regiões de área rural sejam ocupadas pelo homem.

Trata-se, em tese, de uma ideia válida. Pois além de manter o máximo de área conservada no meio rural, a grande cidade otimiza o uso dos recursos públicos, por exemplo, na oferta de serviços essenciais, como saúde, educação e saneamento, apenas para citar alguns. Isso não quer dizer, porém, que grandes cidades, como Belo Horizonte, tenham que ser ambientalmente descuidada.

Penso que, da mesma forma que é agradável o contato direto com a natureza, com a quietude do campo, a cidade também pode ser um ambiente acolhedor. Para isso, é preciso que se tenha políticas públicas voltadas para a sustentabilidade das grandes cidades. Nesse sentido, algumas idéias são fundamentais. A primeira delas é que o poder público deve investir na preservação de seus recursos naturais ainda disponíveis. É preciso criar e revitalizar parques, ampliando o acesso da população a esses ambientes, inclusive no horário noturno, para que as pessoas que trabalham durante o dia possam deles usufruir.

É preciso, também, por fim à política de emparedamento dos cursos d’água. Estes não deveriam mais ser retirados da paisagem urbana e confinados em canais cobertos de concreto, prática já abandonada há muito na Europa. Em uma cidade sustentável, o esgoto é tratado e todos têm acesso à coleta seletiva de lixo. Apenas o resíduo que não puder, de jeito nenhum, ser reciclado, é que iria para o aterro sanitário.

Para que uma cidade seja sustentável, é importante, também, fazer um correto ordenamento de seu território, de forma a se democratizar o acesso à moradia e aos serviços, públicos e privados, de que a população precisa. Estes devem estar dispersos por toda a cidade, para que se evite ao máximo os grandes deslocamentos. Para quando estes se mostrarem imprescindíveis, é fundamental que se tenha transporte público eficiente e de baixo custo, condição primordial para que a população deixe o carro na garagem. 

Por fim, tudo isso precisa ser planejado com a participação da população, que deve ter acesso a canais onde possa manifestar sua opinião.

É preciso deixar de lado a errônea ideia de que a cidade pode ser feia, suja, insustentável, porque no campo a natureza em seu sentido original continua presente como forma, digamos, de compensação. Da mesma forma que uma floresta é um ecossistema em equilíbrio, a cidade também pode ter essa virtude.

Pode ser uma cidade sustentável.

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