Feminismo

A apresentação das vices

Se o principal motivo desta coluna é o protagonismo feminino, neste ano, temos diversos assuntos para tratar.

Nas últimas horas, o Brasil assistiu a uma enxurrada de vices-presidentas e vice-governadoras para chamar de nossas. Seria cômico se não fosse trágico. Vocês realmente acreditam que a política quer mulheres nas posições de liderança?

Ok. Vocês podem me chamar de pessimista. Mas saiu uma pesquisa que pode ser vista aqui, onde mais de 50% do eleitorado feminino ainda não definiu seu voto. Nesse mesmo cenário, existem mulheres que não se sentem representadas. Aí, os machos alfa-cis-heteronormativos da política, do nada, resolvem empoderar mulheres e as convidam para vice?

Peraí. A gente reclama da falta de representatividade? Sim! Acho uma evolução ter mulheres ocupando posições de vice? Acho no mínimo estranho. Por quê? Simplesmente porque me parece hipocrisia. Me parece hipocrisia que Boulos e o PSOL não permitam que haja uma liderança feminina pós Marielle para representá-los. Acho hipocrisia Bolsonaro convidar Janaína Paschoal para sua vice (que nega o convite, ainda bem!). Aí hoje, me deparo com Katia Abreu, mulher RURALISTA, escolhida para ser vice de Ciro? Mesmo Ana Amélia, senadora ultra-conservadora do PP, foi escolhida por Geraldo para vice, por ser mulher e representativa? Não! Foi escolhida por dialogar com a classe A, B e C, num cenário cheio de pesares. E não tão longe, a imprensa dá como certa Manuela D’Avila como vice da chapa do PT, não podendo liderar a chapa na vacância e suposta impugnação da candidatura de Lula, sendo assim, perde(re)mos uma candidata brilhante caso isso aconteça. Pode ser o Lula ou o Papa, Manuela merece ser protagonista de sua candidatura, interessantíssima para o processo democrático do país.

Na antemão e cheia de problemas, Marina ainda segue. Refletiu, engoliu seu orgulho e procurou o PV. Em cima da hora e cheia de soberba, mas abaixou a bola e seguiu. Aguardo ansiosa pelos cenários circenses que estão por vir. Ainda temo o conservadorismo da Acreana. Mas das nossas manas, ela ainda segue liderando um pequeno grupo, num partido em voo solo, mas que dependeu de outras mãos coletivamente. Bingo!

A eleição obrigará os partidos a repensar o fundo eleitoral. As ministras Carmen Lúcia e Rosa Weber já sinalizaram aos partidos que, caso não haja gasto dos 30% do Fundo Eleitoral com candidaturas femininas reais, esse valor será devolvido. Existe uma matemática que não bate: As candidaturas femininas fantasmas estão assombrando nossos velhos políticos e os colocando em risco. Para que gastar com mulher, não é?

Nunca vi tanto homem interessado em candidaturas femininas como nos últimos meses. Deve ser porquê há 30% de dinheiro público disponível por aí?

Meu texto é pequeno desta vez e claro: Venho aqui advogar por mulheres. Vou votar de em candidaturas femininas. É minha obrigação como militante. Não vou acreditar em ciclano ou beltrano, só porque há mulher como vice. Queridos, vocês não me enganarão. Minha missão é alertar a todos: Vote em mulheres. Vote em negras. Vote em mulheres trans. Vote com o coração de mãe e filhx. Não é atrás de um grande homem que há uma grande mulher. Normalmente atrás de uma grande mulher, há outras mulheres a apoiando e seguindo lado a lado junto com ela.

 

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